Adão Preto, a Reforma Agrária está de luto!

0
0
0
s2sdefault

 

Consternado recebi a notícia da morte do estimado companheiro deputado federal Adão Preto. Adão Preto era um líder orgânico da reforma agrária que exerceu mandato popular desde 1986, quando se elegeu deputado estadual. Desde 1991, é seguidamente reeleito deputado federal, cujo mandato dedicou inteiramente - com coragem e zelo público - à causa da reforma agrária, dos trabalhadores rurais, da agricultura camponesa e da justiça social no Rio Grande do Sul, seu estado natal, e em todo o Brasil.

 

Ao reverenciar o grande lutador da terra, relembro um fato que marcou o início da minha gestão à frente do INCRA, no governo Itamar Franco. Em fevereiro de 1993, na solenidade de minha posse, o Adão Preto, ao me cumprimentar no auditório do Ministério da Agricultura, me pegou pelo braço e disse assim: "Russo, você tem que subir ao gabinete do ministro, porque está havendo uma reunião com os companheiros do MST do Rio Grande sobre o despejo da Fazenda Kirstz".

 

Eu ponderei que teria que ir à sede do INCRA para a solenidade de transmissão de cargo. Ele retrucou: "Deixa isso pra depois, Russo, o caso lá é muito grave, o ministro não vai dar conta de resolver a questão, a Brigada Militar cercou a fazenda e se eles tentarem tirar os sem-terra à força, como tudo indica, vai morrer muita gente, inclusive mulheres e crianças". Não pensei duas vezes, voei para o gabinete do ministro e pouco depois liguei para o Juiz da Comarca, enviei um fax e o despejo foi suspenso. Meses depois, ainda sem a aprovação da lei que regulamentaria o Rito Sumário previsto na Constituição, a fazenda foi adquirida mediante negociação com o governo do estado. Este é o Adão Preto que comecei a conhecer e estimar - compromissado e combativo.

 

Em novembro do ano passado, como presidente da Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, organizou o seminário sobre os 20 anos da Constituição, colhendo antes depoimentos e artigos sobre os variados temas onde a participação popular esteve mais atuante. Na época, solicitou-me que escrevesse artigo sobre a minha experiência, como representante da ABRA (Associação Brasileira da Reforma Agrária), na defesa da Emenda Popular da Reforma Agrária, em depoimento na Assembléia Nacional Constituinte. Esta é a minha última lembrança e ensinamento do Adão Preto: não percamos a memória.

 

O Núcleo Agrário Nacional do Partido dos Trabalhadores tem a certeza de expressar o mais profundo sentimento de pesar de todos os militantes do PT que atuam na defesa da reforma agrária e das transformações que ainda se fazem necessárias para que a reforma agrária e a agricultura familiar ganhem a centralidade desejada no processo de desenvolvimento democrático, justo e sustentável do país. Adão Pretto, fundador do MST e parlamentar atuante junto aos movimentos sociais, não está mais entre nós, mas o seu exemplo de vida e de luta será sempre lembrado por todos.

 

Osvaldo Russo é coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT.

 

{moscomment}

Comentários   

0 #5 Meus pêsames aos trabalhadores do campoMaria José Limeira 29-11-2010 14:51
Eu não conhecia esse parlamentar pessoalmente. Seguia de longe sua atuação. Mas sei que seu exemplo de luta será seguido por outros bravos brasileiros. Saludos!
Citar
0 #4 Adão Preto, Muito obrigado! continue nosfrei joão Xerri, op 11-02-2009 15:18
Que tristeza a morte de Adão Preto! O admirava muito!
meus sentimentos, solidariedade, orações para sua família, amigos, vocês, MST e todos que têm fome e sede de justiça e de Reforma Agraria...

Adão, Muito obrigado! continue nos inspirando...

frei joão
Citar
0 #3 persarfrancisco varela 08-02-2009 11:13
Quero deixar registrada a minha consternação pelo falecimento do companheiro Adão Preto.
Citar
0 #2 grande homems p 07-02-2009 11:14
perdemos um grande homem, capaz de unir todo tipo de classe , um homemsimples mas digno , serio ,
Citar
0 #1 MARCOS PINHEIRO 06-02-2009 14:08
morreu um dos políticos mais íntegros da política gaúcha, mas seu exemplo na luta serve de motivação para todos nós!
Citar

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados