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Ser militante Imprimir E-mail
Escrito por Frank Svensson   
Quarta, 04 de Fevereiro de 2009
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O capitalismo industrial impõe ao trabalhador ser um bom profissional, pelo saber tornar-se indispensável aos interesses dos patrões. Para satisfazer as necessidades dos que como ele só dispõem de sua própria força de trabalho tem de lutar concomitante e organizadamente. Tem que militar político-partidariamente e participar da produção de conhecimento a respeito.

 

Para o chamamento histórico de entendimento multidisciplinar dos problemas candentes da sociedade surgiu a universidade. Para a organização da luta em favor dos interesses da multiprofissional divisão do trabalho surgiram as organizações obreiras. Formas socialmente organizadas criadoras da consciência de classe. É dentro desse contexto que vão surgir os partidos socialistas e comunistas. Preferi o segundo caso.

 

Ninguém nasce comunista. Torna-se por força de militância e estudo, de dedicação e conhecimento. Não basta prática e nem basta teoria. Implica trabalho coletivo organizado que exige determinação e coragem, mas também camaradagem e sensatez. Adam Schaff, pensador comunista polonês, faz ver em um de seus livros que o mundo tem carência de homens dotados de sensatez, uma forma superior de inteligência. Já o exercício de camaradagem implica em consciência de classe, proletária.

 

Conheci muitos filhos de comunistas que não o são. Não há batismo que o garanta. A ausência dos pais, forçada ou não, os desestimulou. Quem finalmente decide militar pensa antes nas implicações. Fazer oposição tem seu preço, mas tem suas vantagens. Permite olhar para trás sem ressentimento. Ante fracassos sobra a satisfação de não haver aderido a posições reacionárias e conservadoras, de estar em sintonia com a boa dinâmica da História.

 

O conhecimento histórico é um poderoso instrumento de objetivação do subjetivo. Permite a generalização de referências fidedignas emanadas de práticas concretas. Conhecer os câmbios históricos é fundamental à militância, à participação em novos câmbios, em fazer História. A História Natural tem seu curso obedecendo a modos próprios. A História Social é feita pelos homens aos quais é permitido influir com sua subjetividade no resultado da História Geral.

 

Os arquitetos de minha geração fomos graduados em cursos para o exercício da profissão liberal. Somos freqüentemente acusados de não saber projetar para pobres. Acontece reconhecermos ser a eliminação da pobreza o fulcro do problema. Um problema muito mais político e pluriprofissional do que somente arquitetônico. Daí ficarmos conhecidos por nossa concomitante militância político-partidária e por nossa posição crítica a qualquer proletcult da arquitetura.

 

Nossa participação de arquitetos brasileiros na formulação das políticas de planejamento territorial e urbano do país foi marcante. Na de planejamento habitacional também. Depois vieram os anos de chumbo e muito mudou...

 

Fui o único professor da Universidade de Brasília enquadrado no parágrafo 147 do Ato Institucional número 5. Proibido pelo ministro da Educação Jarbas Passarinho de lecionar e ser funcionário público em todo território nacional. Acusado de tentar organizar partido ilegal nesta universidade. Pura verdade. A reintegração em 1989 não foi fácil. Éramos eu e a UnB dezesseis anos diferentes...

 

Frank Svensson é professor titular aposentado da arquitetura da UnB.

 

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