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Sem Hamas, sem paz Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 30 de Janeiro de 2009
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Com o cessar fogo em Gaza, Obama propõe-se a costurar uma paz definitiva no Oriente Médio, que garanta a segurança de Israel e a criação de um Estado palestino livre e viável. Mas sem a participação do Hamas, que considera um movimento terrorista que se nega a reconhecer Israel. Razões pelo menos discutíveis.

 

Nas lutas pela formação do país, em 1947-1948, Israel não foi menos “terrorista” do que o Hamas. “Nem a moralidade judaica e nem sua tradição podem negar o uso do terror como meio de batalha”, diz um texto do movimento judaico Lehi, que, entre outras ações, assassinou o conde Folke Berrnadotte, mediador da ONU entre árabes e judeus, e Lord Moyne, embaixador especial inglês no Oriente Médio, e massacrou 120 habitantes (inclusive mulheres e crianças) da aldeia árabe de Der Yassin.

 

Por sua vez, outro grupo, o Irgun Zvai Leumi, foi responsável por 200 atentados contra árabes e ingleses, entre os quais o enforcamento de dois sargentos britânicos e a explosão do hotel Rei Davi, onde estava instalada a administração inglesa, matando 200 pessoas. É importante lembrar que seus membros Menachen Begin e Yiztwah Samir foram posteriormente primeiros-ministros de Israel. Criado o Estado israelense, esses movimentos SE integraram ao exército, abandonando suas ações violentas.

 

O Hamas também. Ao vencer as eleições de janeiro de 2006, suspendeu seus ataques e ofereceu a Israel uma trégua de 10 anos. “A resposta dos israelenses foi caçar membros do Hamas por terra, mar e céu” (Amnon Kapeliouk, analista de jornais israelenses). A seguir seu governo reteve as taxas às quais os palestinos tinham pleno direito. E os Estados Unidos e a Europa cortaram toda a ajuda econômica.

 

Assim se iniciou um processo pelo qual Israel, com a cumplicidade do Ocidente, pretendia derrotar o Hamas, levando o caos à Faixa de Gaza. Enquanto isso, aviões judaicos procediam “assassinatos seletivos” de supostos terroristas, matando também muitos civis que estavam por perto. E os árabes respondiam com lançamento de foguetes primitivos, de escasso poder.

 

A situação se agravou em 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah e passou a dominar Gaza sozinho. Diante de um incidente provocado por um grupo sobre o qual o Hamas não tinha controle, aviões israelenses bombardearam pontes, agências do correio, a Universidade Islâmica e a principal usina hidrelétrica de Gaza, além de destruir 70% dos laranjais “por questões de segurança”. Pior do que isso: Israel fechou as fronteiras. Ninguém, nem nada mais, podia entrar ou sair; nem alimentos, nem gasolina, nem combustível, nem medicamentos ou equipamentos hospitalares, nem peças para reposição de qualquer tipo.

 

As consequências foram: falta de energia elétrica e água tratada, fechamento de indústrias, desemprego de 60 a 70%, inflação altíssima, assistência médica precária, falta de alimentos, fome. E 50% da população vivendo abaixo do nível de pobreza extrema, dependendo dos caminhões de abastecimento da ONU que, com muita freqüência, o exército judeu proibia de entrarem. Assim, a população árabe foi condenada a uma morte lenta, o que levou o cardeal Renato Martino, presidente da Comissão de Justiça e Paz do Vaticano, a acusar: “Cada vez mais, Gaza parece um grande campo de concentração”.

 

A destruição da vida social e econômica de toda uma cidade, da dignidade e da saúde de seus habitantes, particularmente as crianças vítimas da desnutrição, planejada e executada por Israel, é terrorismo de Estado, certamente muito mais grave do que os danos e sustos provocados pelos foguetes árabes sobre Sderot.

 

Em junho de 2008, as partes estabeleceram uma trégua. Segundo o próprio Centro de Informação de Terrorismo e Inteligência de Israel “o Hamas não participou de nenhum lançamento de foguetes e até evitou que outras organizações atacassem”. Respeitou o cessar-fogo.

 

Mas o governo de Tel Aviv não. O bloqueio, embora algumas vezes amenizado, continuou. E em novembro de 2008 o exército judeu matou seis palestinos sob acusações não comprovadas. Diante disso, o Hamas rejeitou o prolongamento da trégua. A resposta foi o massacre da indefesa população de Gaza. .

 

Em todo esse episódio, quem foi mais violento contra civis? Quem foi o verdadeiro terrorista? Pelos critérios dos americanos e europeus, quem deveria ser excluído das negociações do futuro Estado palestino seria Israel, não o Hamas.

 

Na verdade o motivo do veto ao Hamas é muito diferente daquele que Washington e Tel Aviv alegam. Talvez com exceção do governo Rabin, a idéia dos dois Estados, com a Palestina ocupando as terras tomadas pelo exército israelense na guerra de 1967, nunca foi aceita por Israel.

 

Pelo contrário, seu objetivo real é aumentar o número de assentamentos na Cisjordânia, acentuando seu caráter judeu e de parte inalienável de Israel, deixando, no máximo, apenas uma parte do país aos palestinos, com autonomia limitada. Desde os primeiros anos de Israel, seus governos incentivaram de todos os modos a abertura de novos assentamentos na Cisjordânia.

 

Assim, por exemplo, em 16 de fevereiro de 2004, Ariel Sharon declarou que jamais devolveria aos árabes os principais assentamentos na Cisjordânia. Vale citar as declarações ao jornal Haaretz de Dov Weinglass, chefe dos negociadores do governo Sharon com o governo Bush, nessa ocasião. “Efetivamente, esse pacote que é chamado ‘Estado palestino’ foi removido de nossa agenda indefinidamente. Tudo isso com autoridade e permissão do presidente Bush”.

 

Mais recentemente, em 2007, na conferência internacional de Annapolis, apesar de o primeiro ministro Olmert ter se comprometido a impedir novos assentamentos e a remover muitos dos existentes, em 2008 houve um aumento de 60% no total deles. Nem um só foi evacuado.

 

Estes fatos demonstram claramente que o governo de Tel Aviv pretende manter fora de um eventual Estado palestino o máximo possível de territórios. Aliás, no ano passado, Ehud Olmert foi enfático: “Nós conservaremos os maiores blocos de assentamentos (na Cisjordânia) e manteremos Jerusalém unida”. Acrescentou ainda que os dois lados do rio Jordão continuariam território israelense.

 

Para garantir a ligação a Israel dos assentamentos mais afastados, já foram construídas estradas e 625 “check-points”, sob controle do exército israelense, dividindo um futuro ‘Estado palestino’ numa série de autênticos bantustões, cujos habitantes teriam de pedir permissão aos militares de Israel para viajar em seu próprio país.

 

Esse tipo de Estado não poderia ser “viável”, como quer o presidente Obama. E jamais seria aceito pelo Hamas. Que também exige a cessão de Jerusalém e a volta dos 700 mil árabes e seus descendentes expulsos de suas terras pelos judeus. Portanto, o Hamas não serve como parceiro de Israel nas negociações da “solução dos dois Estados”. Já o Fatah do moderado Abbas tem se mostrado cordato. Só que é o Hamas quem mais representa o povo palestino, especialmente depois do episódio de Gaza. Enquanto o Hamas defendia a população, Abbas inicialmente apontou-o como culpado pela guerra. Enquanto isso, na Cisjordânia, as forças da Autoridade Palestina reprimiram as passeatas de protesto contra o exército de ocupação judeu.

 

Buscando retomar prestígio, Abbas corrigiu seus erros, condenando Israel e propondo o julgamento de seus chefes militares por crimes de guerra. Com isso, se esboça uma nova aliança entre Hamas e Fatah. Inaceitável para Israel, como já declarou Tzipi Livni. Por razões óbvias.

 

Mas e o que fará Obama? Ele enviou ao Oriente um senador respeitado, George Mitchell. Mas se persistir em ignorar o Hamas estará dando força a quem não quer nenhuma solução aceitável para o problema. A Israel.

 

As coisas tendem a piorar com a provável eleição do ultradireitista Netanyahu, que nega expressamente aos palestinos o direito de autodeterminação em Gaza e na margem oeste.

 

Será uma boa oportunidade para Obama provar que seu empolgante discurso de posse não foi apenas “words, words, words”.

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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