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Novas teses sobre a crise Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 20 de Janeiro de 2009
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O aparecimento de novas e sucessivas teses sobre a crise mundial apenas mostra que ela é profunda e continua empanando as visões, tanto dos economistas e ideólogos do capitalismo, quanto de alguns representantes da esquerda. A mais recente é a de que as raízes mais profundas da crise atual residiriam no abandono do modelo econômico e político surgido após a segunda guerra mundial.

 

Tal modelo teria sido de coordenação de esforços, direcionados à construção de uma ordem mundial equilibrada e de uma economia internacional regulada. A desregulamentação financeira, vigente antes daquela guerra, teria dado lugar ao acordo de Bretton Woods, ao FMI e ao Banco Mundial, as instituições multilaterais que coordenaram as finanças planetárias a partir de então.

 

A iniqüidade do Tratado de Versalhes, de 1919, teria dado lugar à generosidade do Plano Marshall, de 1946, que reconstruiu a economia européia. O globo teria se unido em torno da ONU, ao mesmo tempo em que teria assistido ao surgimento do Welfare State e da "era de ouro" de um mundo capitalista mais regulado e civilizado.

 

Tirando a Guerra Fria, a partir de 1946, que dividiu o mundo sob a ameaça da guerra nuclear, e transformou a ONU numa arena. Omitindo a Guerra da Coréia, como tentativa de recuperar a China para o "mundo livre". Extraindo do mapa a União Soviética e os países socialistas da Europa Oriental, cuja existência forçou não só o Plano Marshall, como o surgimento dos Welfare States na Europa Ocidental.

 

Excluindo os esforços das antigas potenciais coloniais "civilizadas" para impedir a descolonização dos povos "bárbaros" da África e da Ásia, durante os anos 1950 e 1960, disseminando guerras de baixa intensidade e estimulando golpes e ditaduras militares. Omitindo a segunda guerra do Vietnã, patrocinada pelos Estados Unidos, que só terminou em 1974, com centenas de milhares de mortos.

 

Ignorando que a "era de ouro" do mundo capitalista coincidiu com uma "era sem precedentes de expansão da miséria", em grande parte pela ação do FMI e do Banco Mundial, e colocando de lado todos esses fatos históricos, relacionados com o modelo implantado pela superpotência norte-americana após a segunda guerra mundial, fica fácil demonstrar que o mundo atual é mais parecido com o mundo das décadas de 20 e 30 do que com o mundo surgido a partir de 1946.

 

E não é difícil culpar a desregulamentação econômica dos últimos 20 anos, e a bolha especulativa que teria criado, pelas tensões do planeta, pelo enfraquecimento da ONU e pela ausência de um esforço de regulação econômica e política. E talvez seja até possível levar as pessoas a acreditarem que, sob a hegemonia e o domínio do capital da superpotência americana do norte, todos éramos felizes e não sabíamos.

 

Mas não é possível esconder que a crise atual do capitalismo, para ser momentaneamente resolvida, não pode mais apelar para a guerra como forma de grande geração de empregos, consumo da produção e enriquecimento de países fabricantes de armas. Ou direcionar bilhões e bilhões de dólares ou euros para irrigar o crédito. Mesmo porque não adianta oferecer crédito ao desemprego. E a guerra tornou-se um desastre, não apenas político, mas também econômico para os que a promovem.

 

A crise atual, como as anteriores, só pode ser resolvida criando milhões e milhões de empregos e, portanto, recuperando os mercados domésticos. Sem guerra, a burguesia não consegue fazer isso no atual estágio de desenvolvimento das forças produtivas do capitalismo desenvolvido. Apenas o Estado, através de pesados investimentos em infraestrutura, pode fazê-lo. Em muitos casos, para devolver os ativos criados ao domínio do capital e ingressar numa nova espiral de crise.

 

Assim, a ironia da história é tão sutil que muitos "sábios" da direita e da esquerda são incapazes de ver que o socialismo está voltando pela porta da frente.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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