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Invasão de Gaza Imprimir E-mail
Escrito por Michel Chossudovsky   
Quarta, 14 de Janeiro de 2009
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Os bombardeios aéreos e a presente invasão de Gaza pelas forças terrestres israelenses têm de ser analisados num contexto histórico. A operação "Chumbo Fundido" ("Cast Lead") é uma missão cuidadosamente planejada, que por sua vez faz parte de uma estratégia militar/serviços secretos, formulada pela primeira vez em 2001.

 

"Fontes do 'establishment' da defesa disseram que o ministro da Defesa Ehud Barak deu instruções às forças de defesa israelenses de preparo para a operação há mais de seis meses, na altura em que Israel estava começando a negociar um acordo de cessar-fogo com o Hamas" (Barak Ravid, ‘Operação "Chumbo Fundido": o ataque da Força Aérea israelense vem na sequência de meses de preparativos’, Haaretz, 27 de dezembro de 2008).

 

Foi Israel quem quebrou as tréguas no dia das eleições presidenciais americanas, a 4 de novembro. "Israel serviu-se desta ocasião para quebrar o cessar-fogo com o Hamas, bombardeando a faixa de Gaza. Israel declarou que esta violação do cessar-fogo pretendia impedir o Hamas de escavar túneis no território israelense. Logo no dia seguinte, Israel desencadeou um cerco terrorista à Gaza, impedindo a entrada de alimentos, combustível, medicamentos e outros bens necessários na tentativa de "subjugar" os palestinos, enquanto simultaneamente efetuava incursões armadas. Em resposta, o Hamas e outros em Gaza voltaram a alvejar Israel com projéteis de petróleo inflamado, artesanais e quase sempre imprecisos. Durante os últimos sete anos, estes projéteis causaram a morte de 17 israelenses. Durante o mesmo período de tempo, os ataques-relâmpago de Israel mataram milhares de palestinos, suscitando um protesto mundial que caiu em orelhas moucas na ONU" (Shamus Cooke, "O massacre na Palestina e a ameaça de uma guerra mais ampla", Global Research, dezembro de 2008).

 

Desastre humanitário planejado

 

A 8 de dezembro, o vice-secretário americano de Estado, John Negroponte, esteve em Tel-Aviv para discussões com os seus homólogos israelenses, incluindo o diretor do Mossad, Meir Dagan.

 

A "Operação Chumbo Fundido" iniciou-se dois dias depois do Natal. Foi acompanhada de uma campanha internacional de relações públicas cuidadosamente arquitetada, sob os auspícios do ministro do exterior de Israel.

 

O principal objetivo não são os alvos militares do Hamas. A operação "Chumbo Fundido" pretende, deliberadamente, provocar baixas civis. Trata-se de um "desastre humanitário planejado" em Gaza.

 

O objetivo de mais longo prazo deste plano é, conforme formulado pelos políticos israelenses, a expulsão dos palestinos das terras palestinas. "Aterrorizar a população civil, garantindo a destruição máxima de propriedades e recursos culturais… A vida diária dos palestinos tem que se tornar insuportável; têm de ser encerrados nas cidades e aldeias, impedidos de exercer a sua vida econômica normal, afastados dos locais de trabalho, das escolas e dos hospitais. Isso encorajará a emigração e enfraquecerá a resistência a futuras expulsões" (Ur Shlonsky, citado por Ghali Hassan, ‘Gaza: a maior prisão do mundo, Global Research, 2005).

 

"Operação vingança justificada"

 

Chegou-se a um momento decisivo. A operação "Chumbo Fundido" faz parte de uma operação militar/serviços secretos mais ampla, iniciada no começo do governo de Ariel Sharon, em 2001. Foi na "Operação Vingança Justificada" que inicialmente se utilizaram os aviões de guerra F-16 para bombardear cidades palestinas.

 

Tal operação foi apresentada em julho de 2001 ao governo israelense de Ariel Sharon pelo chefe do Estado-Maior do exército israelense, Shaul Mofaz, com o título "A destruição da Autoridade Palestina e o desarmamento de todas as Forças Armadas".

 

"Em junho passado (2001) foi concebido um plano de contingência, com o codinome Vingança Justificada, para reocupar toda a margem ocidental e possivelmente a Faixa de Gaza, com um custo provável de 'centenas' de baixas israelenses" (Washington Times, 19 de março de 2002).

 

Segundo a (consultoria britânica) Jane's Foreign Report (12 de julho de 2001), o exército israelense de Sharon atualizara os seus planos para um "ataque total a fim de esmagar a Autoridade Palestina, expulsar Yaser Arafat e matar ou capturar o seu exército".

 

"Justificativa do banho de sangue"

 

A "justificativa do derramamento de sangue" era um componente essencial deste plano. A matança de civis palestinos era justificada por "razões humanitárias", como resposta aos ataques suicidas.

 

"O assalto será desencadeado, quando o governo entender, após um grande atentado suicida em Israel que provocar muitos mortos e feridos, citando o derramamento de sangue como justificativa (Tanya Reinhart, ‘Diabo à solta: ação de Israel para destruir a Autoridade Palestina é um plano calculado, há muito em ação’, Global Research, dezembro de 2001).

O Plano Dagan

 

Esta operação também é conhecida por "Plano Dagan", de Meir Dagan, que chefia atualmente o Mossad, o serviço secreto de Israel.

 

O general na reserva Meir Dagan foi conselheiro de segurança nacional de Sharon durante a campanha eleitoral de 2000. Ao que parece, o plano foi formulado antes da eleição de Sharon para primeiro-ministro, em fevereiro de 2001. "Segundo o artigo de Alex Fishman no Yediot Aharonot, o Plano Dagan consistia em destruir a autoridade palestina e em pôr Yaser Arafat 'fora de jogo'" (Ellis Shulman, "Operação Vingança Justificada: um plano secreto para destruir a Autoridade Palestina, março de 2001).

 

 

"Conforme noticiado no Foreign Report e revelado localmente por Maariv, o plano de invasão de Israel - alegadamente batizado de Vingança Justificada – será desencadeado imediatamente, a seguir das próximas explosões suicidas que provoquem elevadas baixas, durará cerca de um mês e provavelmente provocará a morte de centenas de israelenses e de milhares de palestinos (Ibid.)."

 

O plano Dagan também previa a chamada "cantonização" dos territórios palestinos em que a margem ocidental e Gaza ficarão completamente separadas uma da outra, com "governos" independentes em cada um dos territórios. Neste cenário, já encarado em 2001, Israel "negociará em separado com as forças palestinas dominantes em cada território, com as forças responsáveis pela segurança, pelas informações e até mesmo com o Fatah. O plano é, pois, parecido com a ideia da "cantonização" dos territórios palestinos adiantado por uma série de ministérios" (Sylvain Cypel, ‘Plano Dagan, o vergonhoso plano de Sharon para se ver livre de Arafat, Le Monde, 17 de dezembro de 2001).

 

O Plano Dagan manteve-se em vigor, apesar das mudanças de governo na sequência das eleições de 2000. Meir Dagan foi encarregado de um papel fundamental. "Tornou-se o 'intermediário' de Sharon em questões de segurança junto aos enviados especiais do presidente Bush, Zinni e Mitchell". Subsequentemente foi nomeado diretor do Mossad pelo primeiro-ministro Ariel Sharon em agosto de 2002. Manteve-se chefe do Mossad e foi reconfirmado no seu cargo como diretor dos Serviços Secretos Israelenses pelo primeiro-ministro Ehud Olmert em junho de 2008.

Meir Dagan, em coordenação com os seus homólogos americanos, tem sido o responsável pelas diversas operações militar/serviços secretos, incluindo o assassinato de Yaser Arafat em 2004. Vale a pena assinalar que Meir Dagan, quando era um jovem coronel, trabalhou estreitamente com o ministro da defesa Ariel Sharon nos ataques a colonatos palestinos em Beirute, 1982. Os ataques de 2008-2009 em Gaza, em muitos aspectos, têm uma grande semelhança com as operações militares de 1982.

 

Continuidade: de Sharon a Olmert

 

É importante focar uma série de acontecimentos chaves que conduziram à matança em Gaza com a "Operação Chumbo Fundido".

 

1) O assassinato em novembro de 2004 de Yaser Arafat. Este crime esteve sempre em cima da mesa, desde 1996, com a "Operação Campos Espinhosos". Segundo um documento de outubro de 2000, preparado pelos serviços de segurança, a pedido do então primeiro-ministro Ehud Barak, afirmava-se que "Arafat, em pessoa, é uma séria ameaça para a segurança do Estado de Israel e o prejuízo que resultar do seu desaparecimento é menor do que o prejuízo causado pela sua existência" (Tanya Reinhart, ‘Diabo à solta: ação de Israel para destruir a Autoridade Palestina é um plano calculado, há muito em ação’, Global Research, dezembro de 2001. Pormenores do documento foram publicados em Ma'ariv, a 6 de julho de 2001).

 

O assassinato de Arafat foi decidido em 2003 pelo ministério israelense. Foi aprovado pelos EUA, que vetaram uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando a decisão de 2003 do ministério israelense. Em resposta ao aumento dos ataques palestinos, em agosto de 2003 o ministro da defesa israelense, Shaul Mofaz, declarou "guerra total" aos militantes, a quem jurou "marcados para a morte".

 

Em meados de setembro, o governo de Israel aprovou uma lei para se ver livre de Arafat: o Ministério dos Assuntos de Segurança Política de Israel declarou que era "uma decisão para afastar Arafat, um obstáculo para a paz". Mofaz ameaçou: "Iremos escolher o caminho certo e a altura certa para matar Arafat". O ministro palestino Saeb Erekat disse à CNN que pensava que Arafat seria o alvo seguinte. A CNN perguntou ao porta-voz de Sharon, Ra'anan Gissan, se o seu voto significava a expulsão de Arafat. Gissan esclareceu: "Não é nada disso. O ministério resolveu hoje afastar este obstáculo. A altura, o método e a forma como isso acontecerá será decidido em separado, e os serviços de segurança vão acompanhar a situação e fazer as recomendações sobre a ação apropriada" (ver Trish Shuh, ‘Via para um plano de morte’, http://www.mehrnews.com/, 9 de novembro de 2005).

 

O assassinato de Arafat fazia parte do Plano Dagan de 2001. Com toda a probabilidade, foi efetuado pelos serviços secretos israelenses. Destinava-se a destruir a Autoridade Palestina, fomentar divisões no seio do Fatah e entre o Fatah e o Hamas. Mahmoud Abbas é um quisling palestino. Ele foi instalado como dirigente do Fatah, com a aprovação de Israel e dos EUA, os quais financiam os paramilitares e as forças de segurança da Autoridade Palestina.

 

2) A retirada em 2005, sob as ordens do primeiro-ministro Ariel Sharon, de todos os colonatos judaicos em Gaza. Foi realojada uma população judaica de mais de 7000 pessoas. "É minha intenção levar a efeito uma evacuação – perdão, um realojamento – de colonatos que estão nos causando problemas e de locais que não iremos manter como colonato final, tal como os de Gaza (…) Estou trabalhando na presunção de que futuramente não venha a existir judeus em Gaza", disse Sharon (CBC, março de 2004).

 

A questão dos colonatos em Gaza foi apresentada como parte da "via para a paz" de Washington. Festejada pelos palestinos como uma "vitória", esta medida não foi dirigida contra os colonos judeus. Bem pelo contrário: Fez parte de uma operação secreta geral, que consistiu em transformar Gaza num campo de concentração. Enquanto houvesse colonos judeus vivendo dentro de Gaza, não era possível concretizar o objetivo de manter um grande território barricado como uma prisão. A implementação da "Operação Chumbo Fundido" exigia que "não houvesse judeus em Gaza".

 

3) A construção do vergonhoso Muro Apartheid. Foi decidida logo no início do governo de Sharon.

 

4) A fase seguinte foi a vitória do Hamas nas eleições de janeiro de 2006. Sem Arafat, os arquitetos dos setores militar e de serviços secretos israelenses sabiam que o Fatah com Mahmoud Abbas iria perder as eleições. Com o Hamas à frente da Autoridade Palestina, e com o pretexto de que o Hamas é uma organização terrorista, Israel poderia levar a efeito o processo de cantonização, conforme formulado pelo Plano Dagan.

 

Ataque terrestre

 

Em 3 de janeiro, os tanques e a infantaria israelense entraram em Gaza numa grande ofensiva terrestre. "A operação terrestre foi precedida por várias horas de fogo de artilharia pesada após escurecer, incendiando os alvos com chamas que irromperam no céu da noite. Ouvia-se o matraquear das metralhadoras enquanto as brilhantes esferas relampejavam através da escuridão e o explodir de centenas de bombas projetava labaredas de fogo (AP, 3 de janeiro de 2009).

 

Fontes israelenses apontaram para uma operação militar prolongada. "Não vai ser fácil e não vai ser rápido", disse o ministro da defesa Ehud Barak num comunicado na TV.

 

Israel não está tentando obrigar o Hamas "a cooperar". O que estamos observando é a implementação do "Plano Dagan", conforme inicialmente formulado em 2001, que requeria: "uma invasão do território controlado pelos palestinos, por cerca de 30 mil soldados israelenses, com a missão claramente definida de destruir a infra-estrutura da direção palestina e de arrebatar o armamento atualmente na posse das diversas forças palestinas, e de expulsar ou matar os seus dirigentes militares" (Ellis Shulman, op. cit.).

 

A questão mais descarada é se Israel, em conivência com Washington, pretende desencadear uma guerra mais alargada.

 

Poderá ocorrer uma expulsão em massa em qualquer fase posterior da invasão terrestre se os israelenses vierem a abrir as fronteiras de Gaza para permitir o êxodo da população. A expulsão foi referida por Ariel Sharon como "uma solução ao estilo de 1948". Para Sharon, "é necessário apenas encontrar outro Estado para os palestinos. 'A Jordânia é a Palestina', foi a frase que criou" (Tanya Reinhart, op. cit., 4 de janeiro de 2009).

 

Michel Chossudovsky é pesquisador do Centro de Pesquisas sobre a Globalização e autor de A globalização da pobreza.

 

Publicado originalmente em Global Research.

Retirado de http://resistir.info/.

Traduzido por Margarida Ferreira.

 

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