Feliz ano novo para o povo

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Tudo de bom que aconteceu para as populações mais pobres da América Latina – contado a conta-gotas - nos últimos anos é fruto da luta popular, juntamente com todos que lhes são solidários. Começando aqui pelo Nordeste do Brasil, as 300 mil cisternas que fizemos, as poucas adutoras que estão em andamento, a pouca terra conquistada, as famílias que conseguiram permanecer na terra, nada veio de mão beijada. As poucas árvores que permanecem de pé, o pouco saneamento implantado, tudo seria pior sem a luta popular. Podemos ampliar para os bancos de sementes, a agroecologia, toda lógica da convivência com o semi-árido e a lógica não muda.

 

Até mesmo o salário mínimo dos rurais no Brasil, até mesmo o Bolsa Família, até mesmo o Luz para Todos têm o dedo das populações mais pobres. Coloquem aí o movimento sindical, movimentos sociais, igrejas comprometidas, pastorais sociais e muitas ONGs que merecem respeito. Aqui no Nordeste, apesar de todos os pesares, a Articulação do Semi-árido conseguiu interpor junto às autoridades uma outra concepção do que seja o semi-árido brasileiro.

 

Até mesmo essa tão decantada mudança da América Latina em termos políticos se deve à luta popular. Lula – ainda que não tenha feito mudanças estruturais – no Brasil, Morales na Bolívia, Correia no Equador, Lugo no Paraguai são frutos das lutas políticas populares. Evo é fruto da luta pela água em Cochabamba e, assim como Correa, fruto das lutas indígenas de seus países.

 

Estamos longe das mudanças que precisamos. Tantas vezes somos traídos, sangrados, capados e re-capados. Mas não há como desistir. A crise para o povo é crônica e permanente. Só a elite se assusta com ela e precisa de cardiologistas e especialistas em gastrite e úlceras do estômago. Da luta do povo depende o futuro do povo.

 

Feliz ano novo para o povo latino. Merece.

 

Roberto Malvezzi, o Gogó, é coordenador da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

 

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