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O governo Lula dá adeus à reforma agrária Imprimir E-mail
Escrito por Ariovaldo Umbelino   
Segunda, 22 de Dezembro de 2008
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O II Plano Nacional de Reforma Agrária (II PNRA) terminou em 2007 e poucos se lembraram deste fato, ou seja, o governo Lula só faz a reforma agrária se quiser, pois não tem mais nenhum plano para isso. Mas o MDA/INCRA continua produzindo "factóides" para enganar a sociedade através da mídia com notícias tais como: ‘novo estudo sobre os índices de produtividade’, ou então, ‘há muitas terras sendo compradas por estrangeiro no Brasil’. Aliás, o órgão governamental encarregado de cuidar desta última questão é o próprio INCRA, e não se sabe por que ele não toma as providências contra essas vendas se elas, por acaso, são irregulares. Quanto aos novos índices de produtividade que nunca têm sido decretados pelo governo Lula, é mais uma notícia do "me engana que eu gosto".

 

Por outro lado, o mesmo MDA/Incra, como tem feito sistematicamente, não publica automaticamente os dados da reforma agrária, agindo como se não fossem órgãos públicos que devem prestar conta de suas atividades à sociedade. É por isso que, somente agora no final de 2008, estão aparecendo os primeiros resultados de 2007.

 

Como todos se recordam, o II PNRA tinha como meta número 1 implantar em cinco anos 550 mil novos assentamentos e, como número 2, regularizar 500 mil posses. Além, é óbvio, da meta 3, relativa ao Programa Nacional de Crédito Fundiário (ex-Banco da Terra do Banco Mundial), que previa assentar mais 150 mil famílias, e da meta 7, que previa reconhecer, demarcar e titular as áreas das comunidades remanescentes de quilombo. (http://www.mda.gov.br/arquivos/PNRA_2004.pdf acessado em 17/12/2008 às 09:30 hs).

 

Mas, infelizmente, o MDA/INCRA insiste em tentar confundir a todos divulgando que assentou, nos 5 anos do II PNRA, um total de 448.954 famílias. Tenho escrito que esses dados divulgados pelo governo Lula sobre a reforma agrária referem-se à Relação de Beneficiários, as "famosas" RBs. Assim, continuo a tarefa de esclarecer a todos que as RBs não se referem apenas aos assentamentos novos, elas são emitidas também para os assentamentos relativos à regularização fundiária (Resex, PAE etc.). As RBs são também emitidas para regularizar situações das famílias dos assentamentos antigos reconhecidos pelo Incra para que os já assentados tenham acesso às políticas públicas. Elas são inclusive emitidas para regularizar a situação de assentados em decorrência de herança, daqueles que compraram lotes de boa fé, e daqueles que foram substituídos nos assentamentos antigos por abandono ou outros motivos permitidos por lei etc.

 

Assim, mesmo com muitos limites, é possível começar a fazer o balanço do II PNRA. Mas os dados das RBs divulgados pelo INCRA, em decorrência dos motivos apontados anteriormente, precisam ser desagregados. Feita esta desagregação, entre 2003 e 2007 o governo Lula assentou apenas 163 mil famílias referentes à meta 1 – novos assentamentos. Portanto, cumpriu somente 30% da meta de 550 mil famílias que ele tinha prometido assentar. Não cumpriu também a meta 2 que se referia à regularização fundiária de 500 mil posses, pois regularizou apenas a situação de 113 mil famílias, ou seja, atingiu apenas 23% da meta. Entre os dados restantes estão 171 mil famílias referentes à reordenação fundiária, ou seja, a situação de regularização em assentamentos antigos, e o que é mais absurdo: a inclusão de cerca de duas mil famílias referentes a reassentamento de atingidos por barragens, que em absoluto se trata de reforma agrária.

 

Quando se observam os dados relativos às 163 mil famílias de fato assentadas pela reforma agrária, verifica-se que em termos regionais a distribuição do percentual de cumprimento de metas foi a seguinte: a região Norte cumpriu 19%, Nordeste, 43%, Centro-Oeste, 31%, Sudeste, 20% e Sul, 19%. Há estados que inclusive cumpriram índices baixíssimos, como, por exemplo, o Rio Grande do Sul, que atingiu apenas 15% das metas; Rio de Janeiro, 16%; Sergipe, 18%; Santa Catarina, 19%; Minas Gerais, 20%; Paraná, 21%; Espírito Santo e São Paulo, 22%; Mato Grosso, 23% etc. Entre as unidades que cumpriram mais da metade das metas, estão apenas o Maranhão, que alcançou 54%; o Piauí, 58%; e a superintendência do médio São Francisco, 71%.

 

Assim, como tenho afirmado, a política de reforma agrária do governo Lula está marcada por dois princípios: não fazê-la nas áreas de domínio do agronegócio e fazê-la apenas nas áreas onde ela possa "ajudar" o agronegócio. Ou seja, a reforma agrária está definitivamente acoplada à expansão do agronegócio no Brasil. É como se estivesse diante de uma velha desculpa: o governo Lula finge que faz a reforma agrária e divulga números maquiados na expectativa de que a sociedade possa também fingir acreditar.

 

Mas a primeira e principal conclusão que se pode tirar do balanço do II PNRA é apenas e tão somente uma: o governo Lula do Partido dos Trabalhadores também não fez a reforma agrária. Afinal, esperava-se que Lula cumprisse sua histórica promessa de fazer a reforma agrária. A pergunta, então, deve ser: por que também seu governo não faz a reforma agrária? E a resposta também é uma só: seu governo decidiu apoiar totalmente o agronegócio.

 

Mais uma prova cabal desta aliança com o agronegócio e contra os camponeses e os trabalhadores rurais do país está em muitas páginas do recém lançado Plano Nacional Sobre Mudança do Clima (PNMC, em www.mma.gov.br). Na ocasião do lançamento, as informações que ganharam divulgação foram aquelas sobre a proposta de diminuição dos indicadores de desmatamento na Amazônia. Mas, entre outras informações sobre a aliança do governo Lula com o capital monopolista mundializado, está a previsão de expansão do setor sucroalcooleiro entre 2008 e 2017, para produzir 52,2 bilhões de litros de etanol para o mercado interno e 8,3 bilhões para exportação. A única questão que o PNMC não cita é: qual a área necessária para se produzir essa quantidade de etanol? Ora, como a produção em 2008 é de 24,5 bilhões de litros de etanol e a área plantada de cana-de-açúcar ocupa 9 milhões de hectares, será necessário ampliar a área em mais de 13 milhões de hectares, atingindo assim, uma extensão de mais de 23 milhões de hectares. Mas este assunto precisa ser tratado separadamente. É por tudo isso que a palavra de ordem deve continuar sendo:

 

Por um III Plano Nacional de Reforma Agrária, sob controle político dos camponeses sem terra.

 

Ariovaldo Umbelino é professor titular de Geografia Agrária pela Universidade de São Paulo (USP). Estudioso dos movimentos sociais no campo e da agricultura brasileira, é autor, entre outros livros, de "Modo capitalista de produção (Ática, 1995)", "Agricultura camponesa no Brasil" (Contexto, 1997).

 

Originalmente publicado em http://www.radioagencianp.com.br

 

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Última atualização em Terça, 06 de Janeiro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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