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Gaza: um povo em estado de coma Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Segunda, 22 de Dezembro de 2008
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"Israel usa políticas genocidas na faixa de Gaza" (Ilan Pappé, israelense, ex-professor de História na Universidade de Haifa).

 

Relata Marie Corvin, no Times On Line de 14 de dezembro: "Às vezes a refeição da família Abu Amra - pai, mãe e 8 filhos – é grama. Sua casa não tem móveis pois todos já foram usados como lenha. Como eles, a metade dos 1,5 milhão de habitantes da faixa de Gaza depende da ajuda internacional para sobreviver.

 

O bloqueio decretado por Israel só permite entrar em Gaza quantidades mínimas de alimentos, combustível, medicamentos e produtos de uso hospitalar. A pesca foi proibida. E ninguém nem nada pode sair ou entrar sem permissão especial das autoridades israelenses.

 

O único alívio é conseguido com as mercadorias contrabandeadas por túneis que vêm do Egito e são vendidas por alto preço, que poucos podem pagar. Naturalmente, a inflação chegou a níveis insuportáveis.

 

Devido à carência de combustível, a única usina elétrica funciona poucas horas por dia. Por causa disso e da proibição de exportar e importar, quase todas as indústrias fecharam. As estações de tratamento de água pararam e o povo tem de consumir água poluída. Com a escassez de medicamentos e de energia, os serviços prestados pelos hospitais são extremamente precários.

 

Relatório da Cruz Vermelha Internacional fala na "progressiva deterioração da segurança alimentar de 70% da população de Gaza", com a maioria das famílias vivendo em níveis de sobrevivência, alimentando-se de derivados de farinha, açúcar e óleo, freqüentemente sem combustível para cozinhar. E conclui: "A desnutrição crônica tem uma permanente tendência ascendente enquanto que as deficiências em micronutrientes são fonte de graves preocupações." É a radiografia de um povo que vive à beira da inanição.

 

O desemprego chega a 60%, sendo 90% somente na indústria. Abaixo do nível de pobreza extrema vivem 50% da população, com uma renda per capita inferior a 600 dólares anuais.

 

O martírio de Gaza começou quando o Hamas ganhou as eleições parlamentares de janeiro de 2006. Quatro dias depois, os americanos e europeus cortaram sua ajuda econômica, causando o caos no serviço público, pois não havia como pagar médicos, professores, policiais e outros funcionários públicos. Por sua vez, os judeus fecharam suas fronteiras para trabalhadores palestinos. Queriam desestabilizar o Hamas por ele não reconhecer Israel e praticar atos de terrorismo.

 

Acusações furadas, pois Israel é um país sólido e assente, na ocasião com 58 anos de vida. Quem precisa de reconhecimento é o Estado palestino, ocupado pelos israelenses contra as decisões da ONU. Quanto a ataques do Hamas, tinham parado há 19 meses.

 

Depois, seguiram-se trocas de disparos envolvendo militantes palestinos e forças armadas judaicas. No primeiro semestre de 2006, elas lançaram 8.500 mísseis e granadas contra a faixa de Gaza, matando 90 palestinos - a maioria civis - e ferindo 200, contra 900 foguetes domésticos disparados pelos rebeldes (a maioria inócuos).

 

Em junho desse ano, em represália contra mais um ataque de foguetes contra Israel, sem permissão do Hamas, uma lancha israelense disparou mísseis numa praia de Gaza, atingindo uma família que fazia piquenique e matando 4 dos seus 9 membros, inclusive crianças.

 

Em resposta, um comando palestino independente atacou um posto militar israelense, matando dois soldados e raptando um cabo. Para soltá-lo, exigiu a libertação de todas as mulheres e menores de idade presos em Israel.

 

Como sempre, a reação foi desproporcional. Aviões bombardearam pontes, agências do correio, a Universidade Islâmica e a principal usina elétrica de Gaza, além de destruir 70% dos laranjais "por questões de segurança".

 

Mas o governo Olmert foi além. Sua força aérea atacou edifícios do Ministério do Interior, postos policiais e o próprio escritório do primeiro-ministro. Mais grave ainda, tropas do exército seqüestraram 8 ministros do governo palestino, 30 congressistas e 30 assessores.

 

Em dezembro desse ano, a organização de direitos humanos judaica Betzelem publicou um balanço da situação: 660 cidadãos palestinos haviam sido mortos pelo exército israelense, que demoliu 300 casas, matando famílias inteiras.

 

Tendo, em junho de 2007, o Hamas assumido o controle de Gaza, até então partilhado com o moderado Fatá, o governo de Tel-Aviv declarou Gaza uma "entidade inimiga", estabelecendo um bloqueio total. Mas as hostilidades continuaram. Segundo a Anistia Internacional, 310 palestinos (a maioria civis) foram mortos, sendo 50 crianças e 40 por falta de recursos médicos, além de 1200 casas destruídas. Por sua vez os árabes mataram 6 soldados judeus e 7 civis.

 

Em janeiro de 2008, discutiu-se uma trégua. Mas as negociações foram rompidas: forças especiais judaicas assassinaram quatro membros do Hamas, em Belém. Em resposta, foguetes voltaram a ser lançados sobre Sderot.

 

Por fim, conseguiu-se um cessar fogo provisório em junho deste ano. O bloqueio foi aliviado e a situação da população tornou-se menos dramática. Mas cinco meses depois, soldados israelenses invadiram Gaza e mataram seis militantes do Hamas, provocando nova onda de foguetes sobre o sul de Israel. Novamente as fronteiras foram fechadas completamente. E Gaza tornou-se uma cidade fantasma.

 

Tel-Aviv justifica seus atos como sendo uma forma de forçar os árabes a interromper seus ataques.

 

A explicação parece ser outra, conforme deixou escapar a ministra Tzip Livni: "Não podemos deixar Gaza sob controle do Hamas". Os Estados Unidos apóiam.

 

E os dóceis europeus os seguem, embora alguns não concordando, como Gordon Brown, primeiro-ministro inglês: "O bloqueio é uma barreira que evita alcançar o acordo (na Palestina) que todo mundo crê ser possível".

 

Eles estão cientes de que as sanções de Israel constituem punição coletiva contra todo um povo, o que é capitulado como crime de guerra pela IV Convenção de Genebra. Mais exatamente "um crime contra a humanidade", no dizer de Richard Falk, professor judeu da Universidade de Princeton e relator da ONU sobre a ocupação da Palestina.

 

De pouco adianta. Nenhum governo do Ocidente terá coragem de levar os culpados ao banco dos réus da Corte Internacional de Justiça ou pedir uma intervenção dura da ONU.

 

"Israel tem o direito de se defender", repetem Bush, Hillary, Cheney, Gates, Condolezza... Talvez até Obama.

 

Enquanto isso, um milhão e quinhentos mil palestinos morrem aos poucos. De fome, doenças e alguns até de frio, pois o inverno é duro em Gaza e eles já queimaram seus móveis. Não têm mais nada com que se aquecer.

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Segunda, 22 de Dezembro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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