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EUA utilizam ataques de Mumbai para dividir e dominar Índia e Paquistão Imprimir E-mail
Escrito por Michel Chossudovsky   
Qui, 18 de Dezembro de 2008
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Os ataques terroristas de Mumbai faziam parte de uma operação cuidadosamente planejada e coordenada, que envolvia várias equipes de pistoleiros experimentados e treinados.

 

A operação tem as impressões digitais de uma atividade paramilitar de serviços de inteligência. Segundo um perito russo em contra-terrorismo, os terroristas de Mumbai "utilizaram as mesmas táticas que militantes tchetchenos (treinados no Paquistão) empregaram nos ataques ao norte do Cáucaso, em que cidades inteiras foram aterrorizadas, com o isolamento de lares e hospitais" (Russia Today, 27/11/2008).

 

Os ataques de Mumbai são descritos como "o 11 de setembro da Índia". Eles foram executados simultaneamente em vários locais, a poucos minutos uns dos outros.

 

O primeiro alvo foi o átrio principal da Estação Ferroviária Chatrapati Shivaji de Mumbai, onde pistoleiros dispararam indiscriminadamente sobre a multidão de passageiros. Os pistoleiros "saíram a seguir da estação e penetraram em edifícios vizinhos, incluindo o Hospital Cama".

 

Ataques de grupos separados de pistoleiros tiveram lugar em dois hotéis de luxo de Mumbai – o Oberoi-Trident e o Taj Mahal Palace, localizado no centro da área turística, nas proximidades do monumento do Portal da Índia. Os pistoleiros também abriram fogo sobre o Café Leopold, um restaurante fino na área turística. O terceiro alvo foi o Nariman House, um centro de negócios que aloja o Centro Judeu de Mumbai, Chabad Lubavitch. Seis reféns, incluindo o rabino e sua esposa, foram mortos.

 

O aeroporto interno em Santa Cruz, o Metro Adlabs com vários pisos e o Estaleiro Mazgaon também foram alvejados. "Os ataques verificaram-se nos lugares mais ocupados. Além de hotéis e hospitais, os terroristas atacaram estações ferroviárias, o Crawford Market, Wadi Bunder e a auto-estrada ocidental próxima ao aeroporto. Foram atacados sete lugares com armas automáticas e granadas" (Times of India, 26/11/2008).

 

Tropas indianas cercaram os hotéis. Foram enviados comandos das Forças Especiais Indianas para enfrentar os terroristas. Testemunhas nos hotéis disseram que os pistoleiros separavam pessoas com passaportes estadunidenses e britânicos.

 

As baixas, segundo relatos, ultrapassaram os 160 mortos. A maior parte deles era de indianos, muitos dos quais morreram no ataque à estação ferroviária de Chhatrapati Shivaji.

 

Pelo menos 22 estrangeiros foram mortos nos ataques. Catorze oficiais da polícia, incluindo o chefe do esquadrão anti-terror, também.

 

Quem está por trás dos ataques?

 

Um grupo virtualmente desconhecido denominado "os Deccan Mujahedin" declarou-se responsável pelos ataques, segundo relatos. O Deccan Plateau refere-se a uma região no centro sul da Índia em grande medida centrada no estado de Andhra Pradesh. Este grupo desconhecido já foi classificado, sem provas, como pertencente à rede Al Qaeda de organizações terroristas.

 

Relatos da polícia confirmam que nove "atacantes suspeitos" foram presos e três deles, segundo fontes policiais não confirmadas, confessaram pertencer à Lashkar-e-Taiba, uma organização separatista caxemira, apoiada secretamente pela inteligência militar paquistanesa (Inter Service Intelligence - ISI). Pelo menos um dos presos, segundo os relatos, é um cidadão britânico de descendência paquistanesa.

 

Em coro, tanto a mídia do ocidente como a indiana estão a apontar o dedo para o Paquistão e o seu alegado apoio a organizações terroristas islâmicas. "Gurus da estratégia e analistas de segurança nos EUA de todo o mundo examinam o papel do Paquistão no terrorismo após mais um episódio na Índia, com os dedos apontando para o seu malfadado vizinho. Enquanto relatos iniciais da Índia sugerem que a carnificina de Mumbai foi um ataque localizado de militantes descontentes dentro do país devido ao disfarce do "Deccan Mujahideen" que foi utilizado para afirmar responsabilidade, a evidência mencionada pelo exército e peritos de segurança indianos com base em interceptações de telefones, natureza do armamento, modo de entrada através do mar etc., rapidamente voltou a atenção para o Paquistão" (Times of India, 27/11/2008).

 

"Choque de civilizações"

 

Na Europa e na América do Norte, os ataques de Mumbai pelos fundamentalistas islâmicos são percebidos como parte do "choque de civilizações", "o Islã militante envolvido numa guerra contra a civilização".

 

A perda dramática de vidas resultante dos ataques contribuíram inequivocamente para reforçar o sentimento anti-muçulmano por todo o mundo ocidental.

 

"Os contornos dos ataques de Mumbai estão ficando claros. Os terroristas tinham como objetivo a Índia, os EUA, a Grã-Bretanha e o povo judeu". (Market Watch, 28/11/2008).

 

Segundo a mídia, o inimigo é a Al Qaeda, o ilusório "inimigo externo" que tem as suas bases operacionais nas áreas tribais e na Província da Fronteira Noroeste do Paquistão. O auto-proclamado mandato sagrado de Washington da "guerra ao terrorismo global" é capturar Bin Laden e extirpar o fundamentalismo islâmico.

 

O direito da América de intervir militarmente dentro do Paquistão, violando a sua soberania, está, portanto, confirmado. Bombardear aldeias nas áreas tribais do noroeste do Paquistão é parte de um "esforço humanitário", em resposta à perda de vidas resultante dos ataques de Mumbai.

 

"Antes destes ataques odiosos, as notícias do sul da Ásia eram encorajadoras. O problema central continuava sendo pacificar o Afeganistão, onde os EUA e outras forças da OTAN lutavam para suprimir os Taliban e elementos da Al-Qaeda" (Washington Post, 28/11/2008).

 

"Washington, entretanto, quer a cooperação do exército paquistanês no combate ao terrorismo. Nas últimas semanas, oficiais dos EUA no Afeganistão relataram melhores resultados, creditando os paquistaneses por tomarem a ofensiva contra os Taliban no território paquistanês".

 

A desinformação da mídia

 

As redes de TV dos EUA cobriram amplamente os dramáticos acontecimentos em Mumbai. Os ataques serviram para desencadear uma atmosfera de medo e intimidação por toda a América.

 

Dizem que os ataques de Mumbai estão intimamente relacionados aos do 11 de setembro. Declarações oficiais dos EUA e relatos midiáticos descreveram os ataques de como parte de um processo mais vasto, incluindo a possibilidade de um ataque terrorista patrocinado pela Al-Qaeda ao território dos EUA.

 

O vice-presidente eleito, Joe Biden, durante a campanha eleitoral advertira a América com a previsão de que "as pessoas que nos atacaram no 11/09 reagruparam-se nas montanhas entre o Afeganistão e o Paquistão e tramam novos ataques" (ênfase acrescentada). "Trata-se das mesmas pessoas que estavam por trás dos ataques terroristas em Mumbai. Trata-se também das mesmas pessoas que estão planejando atacar a América".

 

Logo a seguir aos ataques de Mumbai, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, colocou o sistema do metrô da cidade em "alerta máximo" com base num "relatório não comprovado de terrorismo potencial aqui em Nova York. Este relatório levou o Departamento de Polícia de Nova York a adotar medidas de precaução para proteger o nosso sistema de trânsito. E faremos sempre o que for preciso para manter a nossa cidade segura", disse Bloomberg (McClatchy-Tribune Business News, 28/11/2008, ênfase acrescentada).

 

Isso aconteceu apenas um dia antes dos ataques de Mumbai. "O FBI e Departamento de Segurança Nacional advertiram que há uma 'possível, mas não confirmada' ameaça da Al-Qaeda contra o sistema de transportes de Nova York".(Ibid).

 

"Quando os ataques em Mumbai foram executados, as autoridades dos EUA emitiram uma advertência de que a Al-Qaeda pode ter discutido recentemente efetuar ataques ao sistema do metrô de Nova York. Uma advertência vaga, certamente. Não temos pormenores específicos para confirmar que esta conspiração se tenha desenvolvido para além do planejamento aspiracional, mas emitimos esta advertência com a preocupação de que tal ataque pudesse possivelmente ser efetuado durante o período de férias vindouro", disseram o FBI e o Departamento de Segurança Nacional". (Chicago Tribune, 29/11/2008).

 

A inteligência militar do Paquistão é o Cavalo de Tróia dos EUA

 

Os principais veículos de imprensa apontam, em coro, para o envolvimento da inteligência militar do Paquistão, o Inter Services Intelligence (ISI), mas não dizem que o órgão opera sempre em estreita ligação com a CIA.

 

Os meios de comunicação estadunidenses servem permanentemente aos interesses do aparelho de inteligência norte-americano. As implicações dos seus relatos distorcidos são que:

 

1- Os terroristas são ligadas a Al Qaeda. Os ataques de Mumbai são uma operação "patrocinada pelo Estado" que envolve o ISI do Paquistão.

 

2- Os pistoleiros de Mumbai têm laços com grupos terroristas em áreas tribais do Paquistão e na Província da Fronteira Noroeste.

 

3- O contínuo bombardeio das áreas tribais pela US Air Force, violando a soberania do Paquistão, é consequentemente justificado como parte da "guerra global ao terrorismo".

 

O ISI é o Cavalo de Tróia dos EUA, um procurador (proxy) de fato da CIA. A inteligência paquistanesa tem trabalhado, desde o princípio da década de 1980, em estreita ligação com os seus congêneres dos EUA e da Grã-Bretanha.

 

Se o ISI esteve envolvido numa grande operação encoberta contra a Índia, a CIA teria conhecimento prévio quanto à natureza precisa e o cronograma da operação. O ISI não atua sem o consentimento da sua parceira de inteligência dos EUA.

 

Além disso, a inteligência dos EUA é bem conhecida por ter apoiado a Al-Qaeda desde o princípio da guerra soviética no Afeganistão e durante o pós-guerra fria (para mais pormenores, ver Michel Chossudovsky, Al Qaeda and the War on Terrorism, Global Research, 20/01/2008).

 

Os campos de treino da guerrilha patrocinados pela CIA foram estabelecidos no Paquistão para adestrar os Mujahedin. Historicamente, a inteligência dos EUA tem apoiado a Al-Qaeda, utilizando o ISI do Paquistão como um intermediário.

 

"Com a CIA apoiando e canalizando quantidades maciças de ajuda militar dos EUA, o ISI paquistanês desenvolveu-se numa estrutura paralela que exerce enorme poder sobre todos os aspectos do governo" (Dipankar Banerjee, "Possible Connection of ISI With Drug Industry", India Abroad, 02/12/1994).

 

Na seqüência do 11 de setembro, a inteligência paquistanesa desempenhou um papel chave na invasão do Afeganistão, em outubro de 2001, em estreita ligação com o alto comando militar dos EUA e da OTAN. Ironicamente, no mesmo mês, tanto a imprensa estadunidense como a indiana publicaram relatos citando fontes do FBI e da inteligência sugerindo que o ISI proporcionava apoio aos alegados terroristas do 11/09 (ver Michel Chossudovsky, Cover-up or Complicity of the Bush Administration, The Role of Pakistan's Military Intelligence (ISI) in the September 11 Attacks, Global Research, 02/11/2001)

 

Chefe dos espiões paquistaneses nomeado pela CIA

 

Historicamente, a CIA tem desempenhado um papel não oficial na nomeação do diretor do Inter Services Intelligence do Paquistão.

 

Em setembro, Washington pressionou Islamabad, utilizando a "guerra ao terrorismo" como pretexto, a despedir o chefe do ISI, o general de quatro estrelas Nadeem Taj.

 

"Washington exerce intensa pressão sobre o Paquistão para remover o patrão do ISI Nadeem Taj, e dois de seus vices, devido à alegada "dupla negociação" da agência com os militantes" (Daily Times, 30/09/2008).

 

O presidente Asif Ali Zardari teve reuniões em Nova York no fim de setembro com o diretor da CIA Michael Hayden (The Australian, 29/09/2008). Poucos dias depois, um novo chefe do ISI aprovado pelos EUA, o general de quatro estrelas Ahmed Shuja Pasha, foi nomeado pelo chefe do exército, general Kayani, de acordo com o interesse de Washington.

 

Nesse aspecto, as pressões exercidas pela administração Bush contribuíram para bloquear uma iniciativa parlamentar efetuada pelo PPP governamental no sentido de colocar os serviços de inteligência do país sob a autoridade civil, nomeadamente sob a tutela do Ministério do Interior.

 

EUA violam a soberania territorial do Paquistão

 

Os EUA atualmente estão violando a soberania territorial do Paquistão através do bombardeio rotineiro de aldeias nas áreas tribais e na Província da Fronteira Noroeste. Estas operações são executadas utilizando a "guerra ao terrorismo" como pretexto. Enquanto o governo paquistanês tem "oficialmente" acusado os EUA de efetuarem bombardeios aéreos no seu território, os militares paquistaneses têm "não oficialmente" endossado os ataques aéreos.

 

Nesse aspecto, a oportuna nomeação do general Ahmed Shuja Pasha para o leme do ISI foi destinada a assegurar continuidade nas operações estadunidenses de "contra-terrorismo" no Paquistão. Antes da sua nomeação como chefe do ISI, o general era responsável, em estreita colaboração com os EUA e a OTAN, por executar ataques destinados alegadamente contra os Taliban e a Al-Qaeda nas Áreas Tribais Administradas Federalmente (FATA) e na Província da Fronteira Noroeste (NWFP).

 

Após a sua nomeação, Shuja Pasha implementou uma grande troca de pessoal dentro do ISI, substituindo vários dos comandantes regionais (Daily Times, 30/09/2008). No fim de outubro, ele estava em Washington, na sede da CIA em Langley e no Pentágono para encontrar-se com os seus colegas militares e da inteligência dos EUA.

 

"O Paquistão está queixando-se publicamente acerca dos ataques aéreos dos EUA. Mas o novo chefe de inteligência do país, general Ahmed Shuja Pasha, visitou Washington na semana passada para conversas com militares dos altos escalões e chefes de espionagem dos EUA, e todos pareciam sair sorridentes" (David Ignatius, Washington Post, 04/11/2008, ênfase acrescentada).

 

A temporização dos ataques de Mumbai

 

Os ataques aéreos dos EUA às Áreas Tribais, que resultaram em incontáveis mortes civis, criaram uma onda de sentimento anti-americano por todo o Paquistão. Além disso, eles também serviram, nos meses que antecederam os ataques de Mumbai, para promover uma renovada atmosfera de cooperação entre a Índia e o Paquistão.

 

Enquanto as relações EUA-Paquistão estão num momento de baixa, havia esforços significativos nos últimos meses da parte dos governos de Islamabad e de Nova Déli em promover relações bilaterais.

 

Cerca de uma semana antes dos ataques, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, "encorajou a abrir a questão da Caxemira ao debate público na Índia e no Paquistão, deixando o povo decidir o futuro da região". Ele também apelou a "elevar as relações bilaterais a um novo nível" bem como a forjar uma união econômica entre os dois países.

 

Dividir e dominar

 

Que interesses são servidos por estes ataques?

 

Washington tenciona utilizar os ataques de Mumbai para:

 

1) Promover divisões entre o Paquistão e a Índia e travar o processo de cooperação bilateral e comércio entre os dois países;

 

2) Promover divisões internas sociais, étnicas e sectárias tanto na Índia como no Paquistão;

 

3) Justificar ações militares dos EUA dentro do Paquistão, incluindo a matança de civis que viola a soberania territorial do país;

 

4) Proporcionar uma justificativa para estender a "guerra ao terrorismo" dos EUA ao subcontinente indiano e ao sudeste asiático.

 

Em 2006 o Pentágono advertiu que "um outro ataque terrorista poderia criar tanto uma justificativa como uma oportunidade que hoje falta para retaliar alguns alvos conhecidos" (declaração de oficial do Pentágono, publicado no Washington Post, 23/04/2006). No atual contexto, os ataques de Mumbai são considerados "uma justificativa" para ir atrás de "alvos conhecidos" nas áreas tribais do Noroeste do Paquistão.

 

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, declarou que "forças externas" executaram os ataques, aludindo ao possível papel do Paquistão. Os relatos da imprensa também apontam nessa direção, sugerindo que o governo paquistanês está por trás dos ataques. "Autoridades e juristas dos EUA abstiveram-se de nomear o Paquistão, mas a sua condenação do "terrorismo islâmico" deixa pouca margem para dúvida sobre onde estão as suas ansiedades. O que aumentou a força das acusações mais recentes contra Islamabad foi a própria avaliação da administração Bush – transpirada para os meios dos EUA – de que a agência de inteligência do Paquistão estava ligada ao bombardeio da Embaixada da Índia em Cabul algumas semanas antes, que matou aproximadamente 60 pessoas, incluindo um muito admirado diplomata indiano e um respeitado oficial superior da defesa. (Times of India, 27/11/2008).

 

Sentimento anti-paquistanês na Índia

 

Os ataques serviram para promover o sentimento anti-paquistanês dentro da Índia bem como divisões sectárias entre hindus e muçulmanos.

 

A revista Time destacou claramente o papel insidioso da "poderosa ISI, muitas vezes acusada de orquestrar ataques terroristas à Índia", sem reconhecer que o novo chefe do ISI foi nomeado por ordem de Washington. (Time online).

 

A Time sugere, sem provas, que os arquitetos mais prováveis dos ataques são vários grupos islâmicos paquistaneses patrocinados, incluindo o Lashkar-e-Taiba (Exército dos puros), "o qual faz parte do 'bloco da Al-Qaeda"; Jaish-e-Mohammed, uma organização separatista caxemira também pertencente à Al-Qaeda, que declarou-se responsável pelos ataques terroristas de Dezembro de 2001 ao parlamento em Déli; e o Movimento de Estudantes Islâmicos da Índia (SIMI) (Ibid).

 

Tanto o Lashkar-e-Taiba como o Jaish-e-Mohammed são conhecidos por serem apoiados pelo ISI.

 

A diplomacia móvel Islamabad-Déli

 

O presidente paquistanês Asif Ali Zardari assinalou que o seu governo colaboraria plenamente com as autoridades indianas.

 

O recém-eleito governo civil do Paquistão foi deixado de lado pelos seus próprios serviços de inteligência, os quais permanecem sob a jurisdição do alto comando militar.

 

O Partido do Povo do Paquistão, sob a direção do primeiro-ministro Yousaf Raza Gilni, não tem controle sobre o aparelho de militar e de inteligência, o qual continua a manter um relacionamento estreito com os seus congêneres dos EUA.

 

Neste contexto, o presidente Asif Ali Zardari parece jogar de ambos os lados: conivência com o aparelho militar e de inteligência, diálogo com Washington e retórica para com o primeiro-ministro Gilani e a Assembléia Nacional.

 

Em 28 de novembro, dois dias após os ataques de Mumbai, Islamabad anunciou que o recém nomeado chefe do ISI, general Ahmed Shuja Pasha, seria despachado para Déli para consultas com os seus colegas indianos, incluindo o Conselheiro de Segurança Nacional, M. K. Narayanan, e os chefes da agência de inteligência externa da Índia, o Research and Analysis Wing (RAW) e o Intelligence Bureau, responsável pela inteligência interna. O RAW e o ISI do Paquistão são conhecidos por terem travado uma guerra encoberta um contra o outro durante mais de trinta anos.

 

No dia seguinte (29/11), Islamabad cancelou a visita do chefe do general Shuja Pasha à Índia depois de o ministro do exterior indiano, Pranab Mukherjee, utilizar "um tom muito agressivo com autoridades paquistanesas numa conversa telefônica após os ataques de Mumbai". (Press Trust of India , 29/11/2008 citando Geo News Pakistan).

 

Deterioração das relações

 

Os ataques de Mumbai já criaram uma situação extremamente tensa, que serve amplamente aos interesses geopolíticos dos EUA na região.

 

Islamabad contempla a relocalização de uns 100 mil militares da fronteira paquistanesa-afegã para a fronteira indiana, "se houver uma escalada na tensão com a Índia, a qual aludiu ao envolvimento de elementos paquistaneses na carnificina de Mumbai". (Pakistan news source citado por PTI, op cit).

 

"Estas fontes disseram que o comando da OTAN e dos EUA consideraram que o Paquistão não seria capaz de concentrar-se na guerra ao terror e contra militantes em torno da fronteira do Afeganistão, pois defender suas fronteiras com a Índia era muito mais importante", (Ibid, Geo News citando o respeitado jornalista paquistanês Hamid Mir).

 

Interferência na investigação da polícia indiana

 

Também é significativa a imediata interferência de Washington na condução da investigação da polícia indiana. The Times of India destaca uma "cooperação de inteligência sem precedentes envolvendo agências de investigação e equipamentos de espionagem da Índia, Estados Unidos, Reino Unido e Israel".

 

Tanto o FBI como o serviço secreto britânico MI6 têm escritórios de ligação em Déli. O FBI despachou oficiais de polícia, contra-terrorismo e perícia forense para Mumbai "para investigar ataques que agora incluem vítimas americanas". Peritos da Polícia Metropolitana de Londres também foram despachados para Mumbai. "A hipótese de trabalho do governo dos EUA de que os grupos militantes paquistaneses Lashkar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammed são suspeitos nos ataques foram incluídas quando as autoridades indianas começaram sua investigação", disse o oficial. Os dois grupos militantes da Caxemira têm laços com a Al Qaeda" (Wall Street Journal, 28/11/2008).

 

O papel do contra-terrorismo e de oficiais de polícia dos EUA, Reino Unido e Israel é essencialmente manipular os resultados da investigação da polícia indiana.

 

Vale a pena notar, entretanto, que o governo de Déli recusou o pedido de Israel de enviar uma unidade de forças militares especiais para assistir os comandos indianos na libertação de reféns judeus mantidos dentro do Chabad Jewish Center de Mumbai (PTI, 28/11/2008).

 

Bali 2002 versus Mumbai 2008

 

"O ataque terrorista de Mumbai guarda alguma semelhança com os ataques de 2002 em Bali. Em ambos os casos foram alvejados turistas ocidentais. O ponto turístico de Kuta, na ilha de Bali, foi objeto de dois ataques separados, os quais alvejaram principalmente turistas australianos" (Ibid).

 

Os alegados terroristas dos bombardeios de Bali em 2002 foram executados, após um prolongado período de julgamento, há umas poucas semanas atrás, em 9 de novembro de 2008 (Michel Chossudovsky, Miscarriage of Justice: Who was behind the October 2002 Bali bombings? Global Research, 13/11/2009). Os arquitetos políticos dos ataques de 2002 em Bali nunca foram levados a julgamento.

 

Um relatório de novembro de 2002 proveniente de altos escalões da Indonésia apontava para o envolvimento tanto do chefe da inteligência indonésia, general A. M. Hendropriyono, como da CIA. As ligações da Jemaah Islamiyah (JI) à agência de inteligência indonésia (BIN) nunca foram levantadas na investigação oficial do governo indonésio – o qual foi guiado nos bastidores pela inteligência australiana e pela CIA. Além disso, logo após o bombardeio, o primeiro-ministro australiano John Howard "admitiu que autoridades australianas foram advertidas acerca de possíveis ataques em Bali, porém preferiram não emitir uma advertência". (Christchurch Press, 22/11/2002).

 

Em relação aos bombardeios de Bali em 2002, as declarações de dois antigos presidentes da Indonésia foram despreocupadamente ignoradas durante o julgamento, ambas apontando para a cumplicidade dos militares e da polícia indonésia. Em 2002, a presidenta Megawati Sukarnoputri acusou os EUA de envolvimento nos ataques. Em outubro de 2005, numa entrevista à TV SBS da Austrália, o antigo presidente Wahid Abdurrahman declarou que os militares e a polícia indonésios desempenharam um papel cúmplice no bombardeamento de Bali em 2002 (citado em Miscarriage of Justice: Who was behind the October 2002 Bali bombings?, op cit 30/11/2008).

 

[1] Nos últimos meses, o chefe da inteligência externa da Índia (RAW), Ashok Chaturvedi, tornou-se um alvo político. O primeiro-ministro Manmohan Singh pretende despedi-lo e substituí-lo por um indivíduo mais aceitável. Não está claro se Chaturvedi será envolvido na investigação da inteligência e da polícia.

 

Michel Chossudowsky é pesquisador do Centro de Pesquisas sobre a Globalização e autor de A globalização da pobreza.

 

O original encontra-se em: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=11217

Retirado de http://resistir.info/.

 

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Última atualização em Segunda, 22 de Dezembro de 2008
 

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