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O escritor Edson Monteiro fala sobre sua premiada obra “O despertar do nativismo brasileiro”
Escrito por José Carlos Moutinho   
Segunda, 15 de Dezembro de 2008
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A obra "O despertar do nativismo brasileiro (Século XVIII)" (Editora LetraCapital), do escritor Edson Monteiro, recebeu no dia 31 de outubro último seu segundo prêmio: o Eneida de Moraes, pela União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro (UBE-RJ), na categoria Ensaio Histórico-Social. A obra, que foi dividida em dois volumes: Século XVII e século XVIII, recebera em 2006 o prêmio Daniel Winz, também pela UBE-RJ, na categoria Ensaio Histórico-Social. Em entrevista ao "AEPET Notícias" (Associação dos Engenheiros da Petrobras), que ora estamos apresentado ao público do Correio da Cidadania, o escritor falou sobre este momento especial, bem como revelou algumas outras questões de sua vida.

 

Conforme adiantou Monteiro no boletim eletrônico "AEPET Direto", esses ensaios não só desnudam criticamente a verdade histórica da colônia portuguesa daquelas épocas, mas, principalmente, ressaltam a origem da herança de submissão colonialista que permanece, com roupagens variadas, no comportamento brasileiro da atualidade: "Não bastaram as "benesses" da natureza no solo pátrio para fazer com que o povo brasileiro lutasse ou permanecesse lutando para conquistá-las no seu interesse. De uma forma ou de outra, volta e meia, a nação se vê escravizada por opções assistidas e referendadas por suas elites, num ciclo imutável que perdura desde o pau-brasil ao petróleo do pré-sal, para não falar da Amazônia", destacou Edson Monteiro, que também é engenheiro e educador dedicado.

 

Seus dois livros são um chamamento aos brasileiros para "mergulhar" na História do Brasil, como forma de resolver pendências históricas e colocar o país nos trilhos da soberania nacional e da justiça social. Com linguagem acessível e objetiva, o escritor contribuiu à quebra de mitos e falsas verdades apregoadas em diversas obras oficiais, ainda sob efeito de idéias dos colonizadores et caterva.

 

A AEPET está divulgando as referidas obras em seus meios de comunicação. Cada um dos livros pode ser adquirido na AEPET (fone: 21-25331110). Para Monteiro, tal empenho da entidade revela "atitude de abertura à discussão democrática das questões de interesse do povo brasileiro, mesmo aquelas constantes de sua remota história". Confira a entrevista.

 

José Carlos Moutinho: Como o senhor se sente ao receber o Prêmio do Concurso Literário 2008 da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro, que lhe foi entregue pelo presidente da entidade, o escritor Edir Meirelles, em cerimônia no dia 31 de outubro? Se não me engano, o senhor foi premiado pela segunda vez, respectivamente, com as publicações dos Tomos I e II do seu livro "O despertar do nativismo brasileiro", pela Letra Capital Editora.

 

Edson Monteiro: Eu me sinto gratificado, por ter meu trabalho reconhecido por uma entidade cinqüentenária como a UBE, por onde passaram expoentes da literatura brasileira.

 

É fato que fui premiado também no ano passado, o que aumenta minha satisfação e confirma a aceitação à minha tese. A verdade é que a obra é uma só; a edição em dois tomos decorreu da dificuldade financeira de editá-la de uma vez. Felizmente, para mim, dava para dividir o ensaio em dois séculos, um de nativismo português e outro de nativismo brasileiro.

 

JCM:Sua obra é uma análise crítica da História do Brasil, que, acredito, aborda aspectos da formação da sociedade brasileira que não se encontram nos livros oficiais. Na sua opinião, o que pesou ao recebimento do Prêmio Eneida de Moraes 2008 pela UBE-RJ?

 

EM: Todo ensaio é uma interpretação. Portanto, cada ensaísta destaca aspectos do que aborda de forma bem pessoal, não necessariamente contrariando os dados históricos que já se encontram nos livros que você chama de oficiais. Tanto é que são muitas as referências de meu trabalho. O que entendo como original ou de provocação inédita nele foi o destaque que dei ao caráter preponderante do componente cultural à formação de nossa nacionalidade, algo pouco destacado na literatura histórica. Os poetas, que eram herdeiros da plutocracia dominadora da colônia, acabam se tornando os agentes sensibilizados à mudança humanista trazida pelas revoltas e lutas por independência, um aparente paradoxo, isto é, o vilão dominador querendo liberdade. Somente a cultura produz tais alterações comportamentais.

 

JCM: Ao ler sua obra ficamos com o sentimento de que o povo brasileiro precisa "mergulhar" mais profundamente na História do Brasil, como forma de suprir a lacuna entre a história oficial e a não-oficial e conquistar as verdadeiras soberania e liberdade. Mas sua obra também demonstra que o brasileiro é um bravo, ao lembrar de eventos que marcaram nossa resistência aos colonizadores. O senhor, enquanto educador, empreende esforços no sentido de levar seus alunos para uma "viagem" além dos livros oficiais? Sua obra é resultado da sua experiência acadêmica, aliada à sua prática concreta de nacionalista?

 

EM: Como educador, tomara que sim, há mais de 40 anos. Melhor seria que os alunos respondessem a isso. Sobre a experiência de nacionalista, creio que os dois primeiros capítulos do Tomo I da obra respondem objetivamente à pergunta.

 

JCM: Fale um pouco do seu método de pesquisa.

 

EM: Não há segredos no exercício dos ensaios: muita leitura, muita atenção e isenção argumentada.

JCM: Qual Edson Monteiro aconteceu primeiro: o engenheiro, o escritor ou o educador? Como o senhor consegue conciliar esses três no seu dia-a-dia?

 

EM: Revendo minha vida, penso que o magistério (aqui entendido como a vontade de esclarecer, de ajudar a compreender) está no início de tudo. A engenharia serviu-me para entender a prática objetiva da ética que professo: respeitar a natureza das coisas, no objetivo de melhorar as condições de vida do ser humano. Escrever está no fim de tudo, é o instante que antecede o ocaso.

 

JCM: Essas formações tiveram origem em seus pais e avós?

 

EM: Minha gente era muito humilde, de nível intelectual modesto. Contudo, era gente trabalhadora e honesta. Sem dúvida, devo a eles a oportunidade de fazer alguma coisa mais à frente, mas estou convicto de que não fiz nada de especial.

 

JCM: Este ano, Machado de Assis faz 100 anos de falecimento. Qual a importância do escritor carioca na cultura nacional e na formação do povo brasileiro ou do nativismo brasileiro?

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EM: Machado é o nosso maior romancista. Não sou especialista que se permita abordá-lo criticamente. Seu conto "O alienista" faz parte, no meu caso, do que se chama leitura de cabeceira. Prefiro vê-lo como uma prova de que a origem humilde não empana o talento dos gênios. Nasceu no Morro do Livramento, foi filho de uma lavadeira, e tem seu monumento na Avenida Presidente Wilson. Dizer mais o quê? Sobre o nativismo brasileiro, resta o orgulho de ter sido um escritor brasileiro. Nada mais específico que isto. José de Alencar e Gonçalves de Magalhães foram mais expressivos neste contexto.

 

JCM: Em diversos segmentos da sociedade brasileira verificamos a luta entre ser soberano ou colonizado. A luta entre esses contrários é uma constante na História do Brasil e de outros povos do chamado Terceiro Mundo. Na sua opinião, essa luta também se verifica no mercado editorial? Como o senhor analisa o mercado editorial nacional?

 

EM: Claro que existe a luta! Onde há o interesse do capital, diante de um mercado de centenas de milhões de potenciais leitores, seria ingênuo supor a ausência de luta. Mas é inglória, pelo mesmo motivo. Os fatores nem sempre de importância cultural e úteis ao desenvolvimento e consciência nacionais costumam prevalecer. Edita-se muita bobagem e ignoram-se autores mais comprometidos com a nossa verdadeira cultura.

 

JCM: Quais os seus autores preferidos?

 

EM: Se eu fosse responder os que não leio, talvez fizesse uma relação pequena, simplesmente porque prefiro ignorá-los. Assim sendo, como a lista dos que prefiro é muito grande, tendo a deixar você sem resposta. Para não ser indelicado, vamos lá , só de leve: Cervantes (que não me canso de reler), os clássicos todos (mormente Voltaire), Vieira, Huxley (o de minha juventude), Keneth Maxwell (o grande analisador de nossa História), Humberto Eco, Eduardo Galeano, todos os árcades da Inconfidência Mineira (releio sempre), Lima Barreto, Cruz e Souza, Tobias Barreto e o grande Euclides da Cunha. Acrescentaria também, porque os leio muito, os responsáveis pelos 66 livros da Bíblia. Perdão aos que tenha esquecido...

 

JCM: Edson Monteiro por Edson Monteiro.

 

EM: Um leitor obsessivo. Um contador de histórias cuidadoso.

 

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Última atualização em Segunda, 15 de Dezembro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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