A crise e as possibilidades brasileiras

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A crise do capitalismo desenvolvido está colocando em tensão a estrutura Frankenstein herdada do neoliberalismo no Brasil. Segundo o insuspeito governador de Mato Grosso, tal crise está pondo em xeque o subprime do agronegócio, cujo funcionamento depende, em grande medida, dos financiamentos internacionais e estatais.

 

O sistema privado de investimentos brasileiros também estava amarrado aos mercados financeiros dos países centrais, e vem tendo perdas impublicáveis. O mesmo, aliás, que ocorre com várias grandes empresas industriais que, na busca de elevação de sua taxa média de lucro, jogaram no cassino especulativo do câmbio e perderam feio.

 

Por outro lado, dessa crise emergem algumas possibilidades para a superação de distorções impostas ao país. A primeira, que ressurge com força, é a do aumento da participação dos capitais estatais na economia, e da retomada de seu pacto com os capitais privados, nacionais e estrangeiros, para acelerar o crescimento econômico nacional.

 

A segunda, quase natural, é a de que, como no passado, os capitais estatais privilegiem os grandes capitais privados, nacionais e estrangeiros, na renovação do pacto tripartite. A terceira, que encontra uma resistência enorme dentro e fora do Estado, é a da expansão das micro e pequenas empresas capitalistas, urbanas e rurais.

 

Esta última é, tudo indica, a condição mais favorável para que a aceleração do crescimento seja acompanhada da criação de grande número de empregos e, portanto, por uma redistribuição menos desigual da renda. Não por acaso os capitais estatais estão sendo pressionados a que, no pacto com os capitais privados, priorizem a cooperação com essas micro e pequenas empresas, orientando-as para adensar as cadeias produtivas em sistemas de clusters.

 

Embora haja outras possibilidades, ou mesmo várias combinações entre as apresentadas acima, estas parecem ser as que têm maiores condições de se tornarem cenários futuros. O reforço da presença dos capitais estatais potencializa todas as demais possibilidades, demonstrando que isto está longe de ser apenas um desejo político de forças nacionalistas ou de esquerda.

Mesmo a contragosto, há setores privados que consideram indispensável que isso aconteça, tendo em conta que a reconstrução e a ampliação da infra-estrutura energética, de transportes e tecnológica, necessárias para a reindustrialização do país, só serão viabilizadas se o Estado adotar as decisões políticas indispensáveis e, além disso, investir fortemente.

 

Se considerarmos a necessidade imediata de desenvolver o mercado doméstico do país como condição chave para o enfrentamento da crise, seja ampliando a produção material, seja aumentando o poder de compra da população, será preciso considerar positivamente a retomada do pacto dos capitais estatais com as empresas privadas, por mais que isso carregue consigo os dissabores do mercado capitalista. Menos mal se ele se der priorizando as micro e pequenas empresas.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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