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O crime de Protógenes Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Sexta, 21 de Novembro de 2008
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Noel Rosa, no breque do samba, resumiu tudo: "pra quem é pobre, a lei é dura". Ou seja, o "dura lex sede lex" da expressão latina, infelizmente, não conserva validade para os segmentos dos bem postos no vértice do poder econômico que nos domina. O rumoroso caso Daniel Dantas, que ocupou espaços diários nos jornais do último semestre, é a mais recente confirmação de que o poeta de Vila Isabel sabia das coisas.

 

A lista dos crimes imputados ao banqueiro pela investigação da Polícia federal é imensa. Corrupção ativa, evasão de divisas, uso indevido de informações privilegiadas, gestão fraudulenta, empréstimos vedados, lavagem de dinheiro, trafico de influência, formação de quadrilha... Os indícios fortíssimos e, em alguns casos, a prova provada (gravação em áudio e vídeo da tentativa de subornar os investigadores) não foram suficientes para lhe restringir a liberdade de movimento. Detido algumas horas, foi salvo pelo plantão noturno do presidente do Supremo Tribunal Federal e já voltou à rotina dos negócios. E, segundo seus porta-vozes, está mais preocupado com a crise financeira, onde costuma ganhar na roleta do cassino, do que com o improvável incômodo da barra dos tribunais. Acima dos percalços menores, ele confia no $upremo.

 

Filho, neto e bisneto de potentados e barões, ele nasceu em berço de ouro e sempre "serrou de cima". Desde a mais tenra idade, forjou seu caráter na voracidade dos negócios. Os passos de sua trajetória deixaram rastros na malha de cumplicidades que associa os pontos fortes da economia com os mais altos escalões da nossa sereníssima República. Jovem engenheiro, ele operou na Odebrecht, a empreitara das grandes encomendas governamentais. Graduado em economia, esteve na cúpula do Bradesco, então o maior banco privado do país. Mais escolado, transitou pelo Banco Icatu e empreendeu vertiginosa "carreira solo" no Opportunity, onde se tornaria um dos barões das privatizações. Sempre nos bastidores do poder político, foi convidado para o governo e palpitou no plano Collor e fez parte do grupo que urdiu o Plano Real no governo FHC, no qual foi um dos articuladores e beneficiários da política de privatizações. No governo Lula, depois de breve estremecimento inicial, navega em águas tranqüilas.

 

Outra marca da trajetória do banqueiro é a sua presença no seleto e poderoso grupo dos financiadores privados de campanhas eleitorais. Sempre através de figuras interpostas e da miríade de empreendimentos sob seu controle, ele comparece sempre na formação dos fundos, contabilizados ou não. Pluralista, distribui com calculada generosidade as suas fichas entre os grandes partidos da ordem. Conserva ligação original com o PFL, cultiva a intimidade do tucanato e, conforme o revelado na CPI dos Correios, despejou milhões no mensalão petista. Dizem as más línguas que ele controla bancadas maiores do que boa parte dos partidos com assento em diferentes níveis do parlamento brasileiro.

 

Os obstáculos colocados diante da investigação aberta pela Polícia Federal sobre os crimes do banqueiro Dantas se explicam pelos elementos listados acima. Assim como a espantosa desenvoltura com que figuras de proa do alto escalão do Executivo, do vértice do Judiciário e das bancadas de grandes partidos no Legislativo se articulam no movimento que pode ser chamado de "tirem as mãos do banqueiro". Os rumos do processo, onde o investigador passou a ser investigado, indicam que a lei ("ora, a lei!") continua a ser vista como um chicote para disciplinar os de baixo. Para muito além dos desvios de tecnicalidades de que é acusado, acreditar que todos são iguais perante a lei foi o verdadeiro crime de Protógenes.

 

Léo Lince é sociólogo

 

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Última atualização em Segunda, 24 de Novembro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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