“Yes, nós temos Obama!”

 

E disse o Papa: "Subiu aos céus; está sentado à direita de Deus". Direita?! Certamente, diria Dom Helder (in memoriam): "Até tu, Cristo?".

 

Ainda hoje, ecoa em cada gueto o perpétuo clamor-escândalo dos que existiram ao sacrifício hediondo da vida pela construção da maior nação do planeta. Ainda pairam nos ares de "liberdade" da Casa Branca a alma penada de Abraham Lincoln, ante o escabroso golpe adrede encomendado ao protagonista daquele funesto teatro. Ainda pingam das garras da águia-símbolo as atrocidades dizimadoras contra aquelas tribos nativo-americanas. Ainda, por feérica grita da saudade, na injunção da crônica, aquela multidão de afrocidadãos perlustrados acendem e ascendem cada expressão concatenada do visionário Martin Luther King. E, sob o rico solo da armipotente América do Norte, ouve-se, assombrosamente, feito em covas do terror, o choro ululante oriundo de bestiais infâmias da segregação racial.

 

Rangem, sem mais tantos sangues lubrificantes de explorados e oprimidos, as engrenagens do velho sistema à bancarrota, como sinais, sem precedentes, de um caduco capitalismo. Bravo, Marx!

 

Se é estraordinariamente histórica a eleição de Barack Obama à presidência dos EUA, extraordinária é sua responsabilidade como eminente negro na fluência da Carta de Chicago. Consciente de seus atos, Obama vai-se, de carne miscigenada da África, na servidão ao dólar; tendo por desígnio reerguer status do poder estadunidense. Na análise do óbvio, Obama é uma espetacular estratégia, outra midiática aposta do capital financeiro, então nos moldes de mito populista em voga, com carisma de líder paz-e-amor à brasileira, habilidosamente preparado por Harvey para "mexer" com a emotividade das massas e restabelecer a fidúcia da classe média, que arcarão com o custo da crise; pela manutenção do modelo concentrador de poder e riqueza mundo afora.

 

No plano econômico pouco deve se esperar de notável do governo Obama. A situação da crise financeira, imensurável, permeia infrene no campo movediço, contagiosamente mais devastadora do que a depressão de 1929. Qualquer medida unilateral, indiferente às outras peças do jogo transnacional, traduz-se a passo em falso. Haja cifra para reequacionar o saco-sem-fundo! Todos os megaprojetos do Estado norte-americano serão revistos de imediato, como prenunciam assessores do novo governo. Governo conduzido à arca-de-noé, com bichos democratas e republicanos, ao dilúvio financeiro.

 

Mas, contrariando as previsões, esse sistema econômico perdura por mais algumas décadas. Mesmo que apoucando as ‘gorduras’ concentradas, ainda demanda fôlego para estatelar-se. E economias emergentes, como o Brasil, que se sustentam a juros pornoagiotas, à carga tributária elefântica e à corrupção perdulária, hão que se reclicar frente à realidade mundial.

 

Realmente, sem recursos para manter o poder a ferro e fogo sobre a Terra, resta a Obama o expediente da diplomacia, com o desmantelamento da Prisão de Guantánamo, o fim da hostilidade a Cuba (forma de isolar o governo ‘vitalício’ e incitar o povo da Ilha por "democracia"?), a retirada regressante das tropas no Iraque com a benção de Alá, o diálogo a banho-maria com o Irã e o desapadrinhamento de Israel, visando reduzir a animosidade no Oriente Médio. E não se surpreendam se (pasmem!), a veio do petróleo, à revelia e zanga de Fidel Castro, o venezuelano Chávez qualificar Obama de "companheiro". No social e político, nacional e internacional, a Obama tudo ser-lhe-á permitido para o "bem" dos Estados Unidos e "harmonia" junto aos povos do mundo.

 

Fim dos tempos bíblicos? Ou Deus deixou de ser "brasileiro" para assumir cidadania ianque? Fato é que, para o frenesi de incautos trabalhadores contribuintes, para sindicalistas mercenários e militantes de conveniências, para empresários e banqueiros rapinas e para lambe-lambes da imprensa aética na América do Norte, Obama "é o cara!". Assim como nesta pátria salve-salve! do prolóquio uma mão lava a outra, Lulla [sic] "é coisa nossa!". Ops! Esta é do Silvio Sorriso Abravanel, não?

 

Julio Cesar de Castro presta assessoria técnica em construção civil.

 

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Comentários   

0 #2 Sobre o textoPaulo Oliveira 17-11-2008 15:26
O título é criativo, leve e curioso. O texto é "enxuto" e claro. Parabéns!
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0 #1 Cautela e Caldo de Galinha....Raymundo Araujo Filho 13-11-2008 18:37
Cautela e caldo de galinha não matam ninguém.

Mesmo sem desejar, em absoluto, a vitória do candidato republicano e a sua vice fundamentalista de direita, creio que esta posição exposta pelo Julio de Castro é a mais sensata.

Quem tem de provar a que veio é o Obama. A nós cabe a crítica e a vigilância.
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