Tema da hora: educação

 

O tema da hora é educação. O problema urgente pode ser avião e aviação. Pode ter Operação Furacão prendendo gente do alto escalão. Pode faltar tudo para o povão (saúde, segurança, boa alimentação), mas a grande questão, meus caros, é a educação.

 

Educação em estado de confusão não tem mágica solução. Educação não é improvisação, exercício de adivinhação ou manual (importado) de administração. Falar com afetação e escrever em profusão é sempre em vão, se à palavra não somamos a ação — ação sem enrolação.

 

Alfabetização é mais do que problema, é problemão que requer multiplicada atenção. Analfabeto que sabe ler tem por aí de montão, muitos até na pós-graduação! Mas leitura mesmo, que significa praticar a interpretação, mistura de objetividade e invenção... disso estamos longe como da Terra está longe o renegado Plutão.

 

Não basta a bandeira da ampliação, da inclusão, da universalização. Tudo isso pode até virar refrão de ministro, senador, pedagogo, palestrante e outros retóricos de plantão. Educação é revolução silenciosa, aquela que nasce no chão da sala de aula, como tantas há neste Brasil em que ainda faltam giz, biblioteca e iluminação!

 

Se grandes educadores do passado fizessem agora uma aparição, morreriam de novo ao ver tanta incorreção. Comenius, Pestalozzi, Makarenko, Montessori e Platão (para citar alguns de supetão) dariam mil voltas no caixão se tomassem conhecimento dos desvios da nossa educação.

 

Priorizar a educação será a salvação? Sim e não. Salvação não é apenas avaliar. A mania da avaliação é brincar com estatística e equação. Avaliar, avaliar, avaliar é bom, mas de provas e provões não nasce uma nova educação. Serve como diagnóstico, mas cadê a transformação?

 

Educação será salvação na medida em que, além de avaliar e pensar, discutir e propor, todos os ministros se sintam ministros da Educação, todos os professores se sintam revolucionários em ação.

 

O papa preparou para o Brasil a canonização do Frei Galvão. Tudo no mundo é informação e informatização. Você verá tudo na tela da televisão, o celular na mão, um chip no coração... mas em primeiro lugar teremos de recriar a educação.

 

Poluição, corrupção, mensalão (não?), contravenção, globalização, o esporte bretão, todo tipo de apagão, o Leão, feriadão... tubo bem! Mas não esqueçamos em nenhum momento do dia, senhor cidadão, senhora cidadã, a preocupação maior de todas: a educação de hoje, e de amanhã!

 

 

Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.

Web Site: www.perisse.com.br

 

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