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Por que os governos estão amarrando a mão invisível? Imprimir E-mail
Escrito por Pergentino Mendes de Almeida   
Quarta, 15 de Outubro de 2008
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Depois de mais de 70 anos de pregação liberal (democrática, anti-comunista, anti-subversiva, pela liberdade do consumidor e pelo progresso das nações), de quase 30 anos de primazia da doutrina de Hayek e Friedman e da Escola de Chicago, do Reagan-Thatcherismo e da queda do muro de Berlim (prova irrefutável da falácia do comunismo, do socialismo, do marxismo e das verdades do neoliberalismo), acabei me convencendo.

 

Fui convencido de que: a) o Estado é sempre opressor e ineficiente; b) o liberalismo é a base de qualquer teoria econômica que se preze para explicar a economia desde os etruscos até hoje; c) a mão invisível funciona melhor do que as leis, naturais, humanas ou divinas; d) os mercados são a forma perfeita de melhor regular a vida social e econômica da humanidade; e) democracia vem a par da liberdade dos mercados (liberdade de investir, liberdade de consumir, liberdade de expressão, liberdade de comércio compõem uma constelação de liberdades que configuram os direitos fundamentais do homem).

 

A lógica da mão invisível é muito evidente e muito simples: se cada um cuidar do próprio interesse (individual, pessoal, egoísta), os desejos contraditórios de todos se compensarão e acabarão resultando no que se pode desejar de melhor para todos. O resultado é que o funcionamento do mercado acaba sempre resultando nas soluções socialmente mais justas e desejáveis. Para isso, é suficiente (não disse apenas "necessário", uma condição implícita em "suficiente") que se deixe a mão invisível operar livremente. Melhor do que qualquer governo. Melhor do que o Papa. Melhor do que Deus.

 

Conseqüência lógica, irrefutável: quanto menos o Estado intervier, melhor. Quanto mais livres os mercados, melhor. Não li (nos jornais) nem vi (na TV) grandes e consistentes objeções a essas verdades tão claras. Então, deixei-me convencer.

 

Mas como é que funciona essa mão invisível? Ela premia quem consegue maiores vantagens nas lides comerciais – supostamente os mais eficientes – e castiga (acaba levando à falência) os que têm menos vantagens competitivas. A sociedade ganha com isso: sobrevivem apenas os mais eficientes no mercado. Os outros devem quebrar. Repito: precisam quebrar, senão a mão invisível é neutralizada e a sociedade sai perdendo.

 

Faz vinte anos que caiu o Muro e o Consenso de Washington passou a dirigir as finanças mundiais. Não tem oposição e as esquerdas, se é que existem, aderem (como o PT no Brasil) ou se marginalizam (como Chávez na Venezuela). E há a China. Bem, a China é outro negócio. Ou não? Dizem que é comunista, mas é uma jóia na coroa dos liberais.

 

Também é algo que não entendo. Das esquerdas, o que sobrou não sabe mais o que quer, talvez porque não queira mais nada. E depois de tudo isso os governos vão usar quantos trilhões de dólares para salvar os mercados? Afora o que já foi gasto por fora, são 850 bilhões dos Estados Unidos, mais algo equivalente do Japão e outro tanto da Europa e até o Brasil, como não podia deixar de ser (país desenvolvido, potência lulista mundialmente respeitada), também deu sua contribuição. Só a Fannie Mae nos Estados Unidos, se não me falha a memória, estava com ativos podres de 5 trilhões de dólares que, na verdade, eram um passivo. Inventaram então uma nova categoria de empresa privada: as TBTF ("Too Big To Fail"), que são privadas, mas não são.

 

Está tudo errado. Esse pessoal todo (Lula, Bush, União Européia, Meirelles, Japão, FMI, Banco Mundial, Suíça, Inglaterra, China etc.) não passa de um bando de socialistas. Estão todos eles clamando pela volta da intervenção do Estado, estão contra o mercado.

 

O certo seria aquilo preconizado pela ala mais conservadora dos deputados do Partido Republicano, que recusaram na primeira votação o pacote Bush de salvação da economia, no valor de 700 bilhões de dólares. Quem fez empréstimos que não pode pagar, quem superestimou os valores de suas casas, quem possui créditos podres, quem administrou mal sua instituição financeira, quem especulou e fez alavancagem, todos eles e mais todos os que dependem deles devem ser punidos pela mão invisível: que quebrem.

 

Que acabem. Que entrem nas filas de sopa para indigentes, como na década de 30. Que o mundo todo venha abaixo, derrubado pela mão invisível numa hecatombe econômica para se recompor mais tarde à moda schumpeteriana, mais saudável, mais lógica, mais conforme aos ditames matemáticos da contabilidade financeira, que se contrapôs e venceu a economia política e a própria política e que hoje é universalmente aceita como a detentora da verdade em macroeconomia. Uma verdade matemática que não se deixa perturbar pelas vicissitudes da vida real e da história.

 

Mas ainda existem coisas que não entendo em tudo isso. Por que aqueles que pregam a liberdade de comércio e o livre trânsito de capitais, e não admitem qualquer controle social, agora são os que defendem a socialização dos prejuízos? Por que eles falam em "socorro" e não mencionam "estatização"? Por que alguns excêntricos, quando mencionam a palavra maldita "estatização", sempre adicionam o adjetivo "provisória"? Por que de repente tudo parece (repito, apenas parece) funcionar ao revés? Se os fracassados (especuladores, banqueiros, seguradoras, sejam lá quem forem) forem premiados, isso não é uma forma de neutralizar a ação saneadora da mão invisível?

 

Começo a ter dúvidas a esse respeito. Será que a verdade é uma mentira? Mas tenho outras dúvidas, ainda piores. Um dia vou mencioná-las. Alguém pode me explicar?

 

Pergentino Mendes de Almeida é diretor da LPM, empresa de pesquisas atuante desde 1969.

 

Website: http://www.lpm-research.com.br/home.htm

 

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Última atualização em Qui, 16 de Outubro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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