Capitalismo ou o caos

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No século XIX Frederico Engels disse: "o capitalismo trouxe consigo um dilema: o socialismo ou o caos". Muito depois, Rosa Luxemburgo afirmou: "vivemos um dilema: o socialismo ou a barbárie". Hoje, diante da derrota (mesmo que não definitiva) do socialismo em escala mundial e diante da ausência de um movimento anticapitalista, que se apresente como alternativa, estamos frente a um novo dilema: o capitalismo ou o caos.

 

Com o imperialismo, o capitalismo entrou em processo de exaustão e eram criadas as condições objetivas para implantação do socialismo. Tal não ocorreu. O socialismo teve sua grande derrota em 1912/13 e, de lá para cá, foi levado a acumular sucessivas derrotas. Entre elas, a mais espetacular, foi a queda do Muro de Berlim e a franca hegemonia política e ideológica do capitalismo em todos os quadrantes da terra.

 

Hoje, exaurido, tropeçando em suas agudas contradições, o capitalismo manifesta a sua inviabilidade através da atual crise financeira. A esquerda, por sua maioria, imagina que vamos assistir a derrocada do sistema vigente através da televisão. Uma pergunta elementar, porém, deve ser colocada: quem substituirá o Grande Império? O fascismo islâmico, através do Bin Laden, Irã e Síria, que sequer têm um projeto político? Ou o capitalismo cairá nas ruas através das massas populares enfurecidas saqueando, depredando, incendiando?

 

Nosso grande drama, que esperamos seja momentâneo, é que não temos um movimento socialista que se proponha a substituir o capitalismo. Entre o capitalismo ou o caos, é mais sensato preferir o capitalismo que a ruína como ante-sala da tragédia total. Eis a situação que nos levou à deformação e descaracterização do socialismo em nome de um capenga "marxismo-leninismo". Uma esquerda que não soube nem sabe assumir as derrotas e fica qual náufrago desesperado a abraçar placas de isopor, como é o socialismo constitucionalista latino-americano, não poderá nos tirar desse impasse. Necessitamos, sim, de uma outra esquerda à altura do nosso drama histórico.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos (CAEP).

 

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Comentários   

0 #1 \"Pobre\" capitalismo!Glaydson Carneiro Amora 03-11-2008 15:51
Jean Piaget, em "Sobre a Pedagogia - Textos Inéditos", nos fala da construção de "reciprocidade intelectual e moral", que precisa ser constante, ou seja, do "nascimento até a morte" do indivíduo. No capitalismo esta verdade é, no mínimo, desprezada. E daí, o que eu tenho a ver com isso? Muitos podem perguntar. E daí que estamos jogando o jogo sujo do poder. O Estado nos "assegura" a educação básica(da educação infantil ao ensino médio), certo? Mas e depois? O ensino superior? E depois...!? Depois, as massas estam prontas para os "tentáculos" do capitalismo, que nos “diz”: "preciso de vocês: trabalhem, trabalhem e trabalhem, de sol a sol. Seus tempos de educação acabaram, no máximo ‘especializem-se’, e quando envelhecerem, adeus"! "Louco Piaget", “fala” o capitalismo para as massas. E o pior, as massas acreditam: "o senhor está certo, capitalismo". Se pareço fora de foco, peço desculpas! Não aos capitalistas, mas aos comunistas!!!
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