Primeiro de Maio: negou-se informação ao público

 

Publicamos abaixo a carta aberta de protesto do ex-deputado constituinte e diretor do Correio da Cidadania, Plínio Arruda Sampaio, aos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de São Paulo.

 

***

 

 

 

Srs. Otavio Frias Filho, diretor de redação da Folha de S. Paulo, e Roberto C. Mesquita, presidente do Conselho de Administração do O Estado de São Paulo.

 

 

No dia 1° de maio, na cidade de São Paulo, houve quatro celebrações do Dia do Trabalho: a da Força Sindical, que reuniu um milhão e oitocentas mil pessoas; a da CUT, que reuniu trezentas mil; a da CGT, que não se sabe quantas pessoas reuniu, porque sumiu do noticiário; e a das centrais sindicais e movimentos populares de oposição ao governo - Intersindical; Conlutas; MST; Pastoral Operária; MTST e vários outros -, que reuniu vinte mil pessoas.

 

A primeira, segundo a Folha de S. Paulo, com um orçamento de três milhões de reais, sorteou cinco apartamentos e dez automóveis entre os presentes; a segunda, ao custo de dois milhões e quinhentos mil reais, brindou o público com um show do Zeca Pagodinho e vários renomados artistas; a terceira custou setecentos mil reais e não se sabe o que ofereceu; e a quarta constou unicamente de discursos sobre a situação da classe trabalhadora. Reuniu vinte mil pessoas.

 

Os dois jornais de maior circulação na cidade - a Folha de S. Paulo e o O Estado de São Paulo - noticiaram somente as duas primeiras. Negaram, portanto, aos seus leitores, a informação de que, sem qualquer dos artifícios usados pelas duas centrais governistas para atrair público, as centrais e os movimentos populares de oposição encheram de gente a Praça da Sé.

 

Venho protestar contra essa omissão, pois a informação constitui requisito essencial da democracia.

 

Atenciosas saudações,

 

Plinio Arruda Sampaio

 

 

Para comentar este artigo, clique {ln:comente 'aqui}.

 

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados