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O dia em que a terra disse basta! Imprimir E-mail
Escrito por Wilson Aparecido Lopes   
Qui, 02 de Outubro de 2008
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Desde que a humanidade resolveu colocar o dinheiro no centro das atenções humanas, voltando-se para ele em sublime adoração e louvor como a um deus desejoso de ser cultuado, venerado e adorado, a avareza passou a imperar sobre todos os valores e princípios humanos. Daí pra frente, à solidariedade foi se definhando e hoje se encontra agonizando na UTI do assistencialismo, resvalando-se para o estado terminal da esmola. A vida perdeu o sentido, ou melhor, foi transferida para o mercado, que hoje, diga-se de passagem, goza de redobrada atenção ao menor resfriado. A Terra grita e os pobres clamam em meio à fome e a miséria, mas o mercado não lhes ouve.

 

A crise financeira roubou o cenário. Não se fala noutra coisa, apesar da quase certeza da falência do sistema capitalista, do desaparecimento do dólar e da derrocada do império norte-americano. Poucos são os que desejam ver o império ruir. Alguns já esticam o olhar no horizonte para ver se não há sinais de outro império, como se a humanidade fosse incapaz de viver sem eles. Os líderes mundiais em seus calorosos discursos proclamam a morte deste sistema genocida, como na abertura da Assembléia da ONU, semana passada. Contudo, são apenas discursos, e por mais inflamados que sejam, servem apenas para emocionar. O que os líderes mundiais não têm é coragem de transformá-los em ações práticas e mudar de uma vez por todas a política macroeconômica de seus países. Desdenhamos o defunto, mas continuamos velando-o.

 

Diante da eminente crise, os "falcões norte-americanos" voam desesperadamente de um lado para o outro, primeiro tentando dar um sopro de vida a mais a este sistema neoliberal/degradante, que rouba nossas vidas e nosso espírito, visando o salvamento dos bancos e não dos pobres, endividados com as hipotecas imobiliárias. Em segundo, tentando dar razão ao porque de desde 1982 virem insistindo neste rumo, mesmo após as recessões de 1982 a 1990, os quatro anos de boom na década de 1990 e o estrondoso crack de outubro de 2002, que culminaram nas três crises – financeira, energética e alimentar – que estamos assistindo.

 

Se a tropa de choque da Casa Branca vem a público manifestar a sua sensibilidade, tentando impressionar toda a sociedade norte-americana, principalmente o Congresso, a dar-lhes um novo voto de confiança, a mesma sensibilidade e o mesmo empenho não tiveram quando o Banco Mundial publicou, no início deste mês, a elevação no número de pobres para mais 400 milhões em todo o mundo. Nem um dólar a mais foi destinado na tentativa de fazer retroagir a pobreza. E não nos enganemos dos U$ 700 bilhões que o Estado deseja destinar para estancar esta hemorragia, os pobres nada verão. Terão que se contentar com as dívidas e pior, a perderem suas casas. Todo o dinheiro vai para os especuladores, os grandes responsáveis pela atual crise.

 

Com a atenção voltada para a crise financeira, como se "fora do mercado não houvesse salvação", poucas pessoas se deram conta do alerta feito pela ONG canadense Global Footprint Network, chamando atenção para o "Global Overshoot Day" ou literalmente "o dia da ultrapassagem do limite global". Infelizmente este grito-denúncia passou a anos-luz de distância da mídia, preocupada com o colapso financeiro. Se nossa preocupação fosse com a saúde da Terra, saberíamos que entre os dias 1º de janeiro e 23 de setembro/2008 a humanidade consumiu todos os recursos que a natureza pode produzir em um ano. Isto significa que a partir deste dia 24 de setembro até o final do ano, nós os terráqueos passaremos a viver, por assim dizer, acima dos meios naturais disponibilizados pelo planeta. Assim, para continuarmos bebendo, nos alimentando, aquecendo e deslocando, precisamos explorar de maneira excessiva o meio natural da Terra, comprometendo a sua capacidade de regeneração.

 

Acontece que não é de hoje que estamos sendo alertados para o impacto de nossa presença humana sobre a Terra. Segundo os cálculos da Global Footprint Network, as necessidades da humanidade começaram a exceder as capacidades produtivas da Terra em 1986. Desde então, em conseqüência do aumento da população mundial, a data na qual a humanidade esgota os recursos teoricamente produzidos em um ano vem ocorrendo sempre mais cedo. Em 1996, o nosso consumo ultrapassava 15% da capacidade de produção do meio natural e o "dia da ultrapassagem" caía em novembro. Em 2007, a ultrapassagem ocorreu em 6 de outubro.

 

Não à toa os ecologistas vêm afirmando que serão os "pobres" a mostrarem o caminho para salvação da espécie humana e do planeta. E as comparações realizadas pela ONG canadense comprovam esta afirmação ao verificar que entre as regiões do mundo, os habitantes dos Emirados Árabes Unidos apresentam o maior de todos os "rastros" ecológicos com cada habitante consumindo anualmente o equivalente a 12 hectares globais. Quem os segue de perto são os americanos, com um coeficiente de 9,5 hectares por habitante. A França ocupa o 12º lugar deste ranking mundial, com um pouco menos de 6 hectares por habitante e caminhando bem à margem estão os habitantes de Bangladesh, Somália e Afeganistão, que apresentam o menor consumo de recursos em todo o mundo, com menos de meio-hectare por habitante.

 

Ante a paranóia que tomou conta do mundo, onde todas as atenções estão voltadas para a sobrevivência do sistema capitalista, não faria mal algum se recordássemos um dos trechos do discurso feito pelo Chefe Seattle ao presidente Franklin Pierce em 1854: "Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras. Para ele, um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa. A Terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a vence, segue em frente. Ele deixa para trás os túmulos de seus pais e não se importa. Ele seqüestra a terra de seus filhos e não se importa. O túmulo de seu pai e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos. Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto".

 

A esperança do planeta e dos pobres está em que possamos nos dar conta de que este não pode ser o último capítulo da história humana: sucumbir-se ante o enfeitiçamento do deus-mercado, destruído pela avareza do lucro. Ainda há esperanças, não somente para os pobres, mas para o planeta e toda a humanidade. As sucessivas crises deste sistema perverso abrem para todos nós, e principalmente para os líderes mundiais, a porta para um "Outro Mundo Possível". Um mundo onde a solidariedade seja o bem maior e o ser humano e o planeta, hoje à margem, ocupem o centro das atenções, com todos os devidos cuidados que lhes devem ser dispensados. Resta saber se estes mesmos líderes terão coragem de ultrapassar esta porta ou se continuarão alimentando este sistema falido.

 

Wilson Aparecido Lopes é missionário.

 

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