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Saudades de Musharraf Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 26 de Setembro de 2008
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Alçado ao poder no Paquistão, em 1999, via golpe militar, o general Pervez Musharraf tornou-se um dos maiores aliados dos Estados Unidos no Oriente. No seu governo, uma democracia mais aparente do que real, apoiou incondicionalmente a luta anti-terrorista e anti-talebans, inclusive cedendo a importante base aérea de Quetta, segundo o New York Times, para ataques contra o Afganistão e talebans localizados no Paquistão.

 

De outro lado, não se pode dizer que Musharraf seguiu os ideais de Jefferson. Quando sentiu seu poder ameaçado, suspendeu os direitos constitucionais, prendeu opositores, juízes e, por fim, o próprio presidente da Suprema Corte. Tais fatos somaram-se à sua notória corrupção (teria se apropriado de 700 milhões de dólares do país), provocando uma reação popular generalizada. Além disso, Musharraf revelou-se ineficiente em reprimir as ações dos talebans na fronteira com o Afeganistão.

 

Para a Casa Branca, apesar de fiel, Musharraf tornou-se incômodo. Ele teve de aceitar eleições e a volta de sua inimiga, Benazir Bhuto, também vista como pró-Ocidente e mais palatável por ter prestígio popular. Mas Benazir foi assassinada e assim os estrategistas americanos lançaram mão do seu plano B: o viúvo, Asif Zardari. Contando com a "assessoria" de Zalmay Khalizad, embaixador dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU, Zardari foi eleito presidente pelo Congresso paquistanês, após o esperado impeachment de Musharraf e a morte de sua esposa.

 

Estranha escolha, pois Zardari tem um passado extremamente nebuloso. Pesavam contra ele acusações num relatório do Senado americano e processos de corrupção e lavagem de dinheiro durante o primeiro governo de Benazir, instaurados no Paquistão, Suíça e Inglaterra. Era chamado de "senhor 10 por cento", taxa que receberia em contratos governamentais. É sintomático o fato de Zardari ter se tornado, inexplicavelmente, o segundo homem mais rico do país.

 

Todos os processos foram retirados pelo governo Musharraf quando anistiou políticos da oposição nos termos de acordo com Benazir Bhuto, patrocinado pela Casa Branca. Nesse ensejo, declarou Daniel Devaud, o juiz do processo suíço: "Falando de forma polida, é difícil dizer que não havia nada que indicasse corrupção".

 

Para evitar problemas mais graves gerados por seu passado, Zardari vem adiando o cumprimento de sua promessa de restaurar na presidência da Suprema Corte o juiz demitido e preso por Musharraf. Ele teme que esse magistrado, conhecido por sua independência, revogue a anistia e reabra os processos de corrupção.

 

A opinião pública está atenta às manobras dilatórias de Zardari. E embora dominando o Congresso, Zardari tem contra si a maioria dos paquistaneses. Apenas 14% deles, segundo pesquisa da New América Foundation.

 

Sem apoio popular, o governo é fraco, justamente agora que os americanos mais precisavam que ele fosse forte.

 

Na guerra do Afeganistão, quando pressionados, os talebans limitam-se a atravessar a fronteira noroeste com o Paquistão. Lá dispõem de bases ocultas, donde lançam ataques contra as forças da NATO. Para poder fazer isso, eles têm o apoio de líderes das tribos pathan que habitam a região.

 

Nos tempos de Musharraf, os americanos podiam, em certos casos, perseguir talebans até além da fronteira. Nos últimos 4 anos, algumas dezenas de ataques de artilharia, helicópteros e aviões mataram muitos cidadãos locais. Mas ao ditador coube assumir o papel principal na ofensiva contra as bases talebans, o que apresentou dificuldades, pois exigia o nihil obstat dos chefes pathans

 

Pouco antes de sua queda, as coisas pioraram para as forças do Ocidente. Um dos fatores foi o uso cada vez maior das facilidades que os talebans encontravam na fronteira.

 

Eleito Zardari, ele declarou guerra ao terrorismo. Apesar da boa vontade de Zardari, ele ordenou que o exército atacasse as bases talebans, foi mal obedecido. Parte dos oficiais tem ligações com os talebans, que eles ajudaram a organizar como força combatente durante a guerra civil contra os soviéticos. Outros pertencem à etnia pathan, simpática aos radicais islâmicos.

 

Atendendo aos pedidos dos comandantes militares no Oriente, Bush deu-lhes carta branca para atacar os talebans no interior do Paquistão, inclusive através de operações por terra, sem autorização do governo de Islamabad.

 

Em 3 de setembro, uma unidade de forças especiais entrou no Waziristão Sul à caça de talebans e matou 22 camponeses incautos.

 

Nesse mesmo mês, foram realizados seis ataques de mísseis contra a fronteira. Dois caça-bombardeiros F-15 e um bombardeiro B-1 lançaram doze bombas de 500 quilos matando soldados paquistaneses. E helicópteros americanos que invadiram o espaço aéreo paquistanês foram repelidos por tiros partidos de soldados do país.

 

Estes atos enfureceram os militares, pois demonstrava sua incapacidade de proteger o país, enfraquecendo a confiança do povo neles. E o chefe do exército, general Ashfaq Kayani, declarou que a integridade territorial de seu país "será defendida a todo custo"

 

O anti-americanismo, alimentado pela imagem de fantoches da Casa Branca atribuída aos governos Musharraf e Kardari e pelos ataques a cidadãos paquistaneses, chegou a níveis altos: 71% de rejeição, de acordo com recentes pesquisas.

 

Pressionado pelo exército e pela opinião pública, Zardari foi obrigado a criticar seus patronos americanos. "Tropas americanas estão entrando, sem nos avisarem, elas estão violando a Carta das Nações Unidas", declarou à NBC. Acrescentado que isso seria inadmissível.

 

Querendo acalmar os ânimos, o almirante Mike Mullen, o chefe dos Estados-maiores, prometeu, em 17 de setembro, que suas forças respeitariam a soberania nacional. Mas já no dia seguinte, foram lançados mísseis contra um alvo no Waziristão. Mais uma vez a "precisão cirúrgica" falhou e pelo menos 5 aldeões foram assassinados.

 

Portanto, o problema não foi e nem será resolvido. Como Zardari irá se sair? Graças à Al Qaeda e similares, que insistem em ataques terroristas que vitimizam também inocentes, ele pode alegar que a guerra do país é contra essa gente. E assim conseguir apoio.

 

No entanto, a persistência dos ataques das forças dos Estados Unidos na fronteira, vitaminando o anti-americanismo popular, a indignação dos generais e a virulência da oposição que começa a se acentuar poderão complicar tudo. Fraco para enfrentar estes obstáculos, Zardari terá de ceder aqui e ali, não será um amigo incondicional do Ocidente.

 

Musharraf certamente não faria isso. Ele tinha força para tratar duramente qualquer oposição a suas ações em favor da guerra dos americanos. Tudo bem que não estava sendo tão eficiente na fronteira quanto o desejado. Afinal, fazia o possível.

 

"Ah", deve estar pensando Bush, "eu era feliz e não sabia".

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Terça, 30 de Setembro de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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