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Nem homem nem mulher: Paulo misógino? Imprimir E-mail
Escrito por Maria Clara Lucchetti Bingemer   
Quarta, 24 de Setembro de 2008
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O ano paulino também pode ser propícia ocasião para reparar injustiças e superar preconceitos. Sim, porque Paulo de Tarso, com toda a sua grandeza, tem sido alvo de inúmeros e injustos preconceitos. E um deles é o de ser misógino, ou seja, de considerar as mulheres inferiores aos homens, maltratando-as e desprezando-as.

 

Importa, pois, tentar penetrar na verdadeira raiz do modo de proceder de Paulo, a fim de perceber sua real relação com a mulher. É fato que Paulo nasce, cresce, é formado e vive em um contexto eminentemente patriarcal. Uma situação cultural e histórica onde a mulher está confinada ao espaço doméstico, não devendo interferir na esfera pública. E a prática da religião está incluída nessa dimensão pública, à qual a sociedade e a cultura daquele tempo não permitiam que as mulheres tivessem acesso.

 

Paulo é, portanto, um homem de seu tempo, e algumas de suas palavras e escritos são devedores do contexto onde vive. Assim é quando se detém em minuciosas orientações sobre os cabelos da mulher, que não devem ser cortados e sim cobertos por um véu. Ou quando recomenda a suas companheiras de fé e de comunidade que se calem nas assembléias. Com este procedimento, simplesmente segue a norma judaica de que a mulher não deve falar no espaço público, perguntando em casa ao marido se tiver alguma dúvida ou questão.

 

E, no entanto, que seria da vida de Paulo de Tarso sem as mulheres? Que seria de sua formação sem Priscila, esposa de Áquila, sempre por ele mencionada com tanto carinho, em boa parte responsável por iniciá-lo nos caminhos da nova fé abraçada? Que seria da pregação de Paulo sem os ouvidos femininos e ávidos de Lidia, de Damasis, Drusila e muitas outras figuras de importância nas cidades por ele visitadas, pertencentes à aristocracia ou filhas fiéis do povo? Graças a elas, as comunidades cristãs se mantinham financeiramente, os cultos aconteciam, as comunidades cresciam. Seu trabalho e sua presença discreta, mas constante e amorosa, acolhiam os apóstolos e cuidavam que nada lhes faltasse, a fim de que pudessem dedicar-se inteiramente à pregação da palavra.

 

Em boa parte, a Igreja crescia com a colaboração das mulheres. E Paulo sabia disso. E por isso o livro dos Atos, quando narra suas viagens, repete uma e outra vez que ele falava às mulheres que se reuniam no sábado, hospedava-se em suas casas e lhes falava da boa nova de Jesus Cristo.

 

Mais que isso: o mesmo Paulo, que parece tão severo na disciplina que impõe às mulheres, reivindicará para si o direito de ser acompanhado em suas viagens por uma mulher, uma irmã na fé, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Pedro. E é igualmente ele que, contemplando a beleza da criação de Deus, exclamará que, "aos olhos do Senhor, nem o homem existe sem a mulher, nem a mulher sem o homem. Pois a mulher foi tirada do homem, porém o homem nasce da mulher, e ambos vêm de Deus".

 

Não poderia dizer outra coisa o místico Paulo, a quem foi concedida experiência espiritual tão profunda que o cegou para o mundo e o fez abrir os olhos banhados de nova luz, revendo todas as coisas com novo e purificado olhar. Com percepção renascida e renovada, Paulo contemplou a beleza da criação de Deus, o mistério maior de reciprocidade que é a humanidade em sua diferença de homem e mulher.

 

E é o mesmo Paulo que reproduz a cultura patriarcal de seu tempo e que exclamará maravilhado aos gálatas a notícia gloriosa da nova criação. Nela, não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher. Pois todos são um só em Cristo Jesus. Nesta unidade rica das diferenças de cada um, Paulo vê a nova criação acontecida em Cristo e revelada na plenitude dos tempos, quando Deus envia seu Filho, nascido de mulher.

 

Neste ano paulino, não invoquemos, pois, palavras e agir de Paulo para justificar a opressão da mulher. Não encontraremos caminho propício para isso nos ensinamentos do apóstolo. Antes, olhemos o que diz sobre o respeito mútuo e recíproco que se devem ambos, homem e mulher, já que ambos vêm de Deus e por isso possuem dignidade infinita.

 

Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio e autora de "Deus amor: graça que habita entre nós", e outras obras.

 

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