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Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 23 de Setembro de 2008
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As mudanças de regime, no leste europeu, cujos principais símbolos foram a derrubada do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, apenas firmaram a radical mudança de tendências, que levou o socialismo a entrar em defensiva estratégica, e o capitalismo em ofensiva estratégica, do ponto de vista econômico, social, político e ideológico.

 

A confusão ideológica desbaratou a maior parte dos antigos partidos comunistas e socialistas, embaralhou a visão teórica das principais correntes de esquerda, aparentemente enterrou o marxismo, a luta de classes e a revolução, e levou grande número de pensadores a supor que a unipolaridade e a pax americana seriam eternas.

 

Diante da ofensiva neoliberal, que acompanhou o surgimento das corporações transnacionais como elementos chaves da nova etapa de desenvolvimento do capital, muitos sucumbiram à idéia de que não haveria outro caminho, a não ser subordinar-se ao mercado capitalista. A China, sob essa ótica, passou a ser, para um sem número de socialistas, o exemplo mais evidente do que o capital era capaz de fazer para destruir uma nação, e desenvolver a si próprio.

 

A nova expansão capitalista era vista, por muitos, apenas em seu aspecto destrutivo. A suposição de que a China estava sendo estraçalhada, assim como as marcas profundas deixadas pelo furor neoliberal na América Latina, pareciam dar-lhes razão. Nessas condições, foram poucos os que viram, ao mesmo tempo, que o capital se via obrigado, em sua nova etapa de desenvolvimento global, a recriar fábricas e operários, em países até então tidos como inviáveis.

 

Em outras palavras, para barrar a inexorável tendência de queda da taxa média de lucro, o capital se viu constrangido a buscar a extração de mais-valia em países agrários, com força de trabalho abundante e barata. Desse modo, não mais que de repente, a crença de que a revolução científica e tecnológica teria vindo para implantar uma sociedade pós-industrial e de serviços eletrônicos desmanchou como uma bolha no ar. E as previsões de Marx voltaram a tornar-se uma incômoda realidade.

 

Na Ásia oriental e do sudeste, assim como na Índia, o processo de industrialização deu um salto gigantesco. Colocou quase um bilhão de pessoas no chão de milhões de fábricas, e fez com que o eixo de desenvolvimento econômico se deslocasse, dos Estados Unidos e da Europa Ocidental, para a Ásia do Pacífico, mesmo com o Japão vivendo a agonia de uma crise.

 

Ao mesmo tempo, começou a desmanchar-se a teoria da invencibilidade do poderio bélico norte-americano, assim como as teorias de que as guerras eram bons negócios, tanto para os fabricantes de armas, quanto para as nações em que tais armas eram produzidas. Com o ataque ao Iraque, o poderio bélico americano entrou num atoleiro, e os Estados Unidos ingressaram numa crise, que só vem se agravando e cuja solução não parece estar à vista.

 

E a China, que parecia condenada à mesma destruição experimentada pelos países da América Latina e da África, não apenas se transformou na principal fábrica do mundo, como começou a mostrar um caminho de desenvolvimento diferente dos caminhos históricos anteriores das economias de mercado.

 

O mundo ingressou, assim, num equilíbrio altamente instável, em que o socialismo continua na defensiva estratégica, mas o capitalismo vê sua ofensiva ser minada por fatores sobre os quais seus teóricos não têm qualquer idéia clara.

 

 Wladimir Pomar é analista político e escritor.

 

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