Segurança Pública, Direitos Humanos e Violência

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Em 27/6/2007, forças policiais estaduais e federais executaram uma ação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, deixando 19 mortos e dezenas de feridos. A "megaoperação", como chamou a mídia corporativa carioca, que lhe deu espaço e apoio, não foi um fato isolado, e sim mais um episódio da política de segurança pública em vigor no estado do Rio de Janeiro.

 

É a partir deste episódio específico e da situação geral das políticas públicas na área de segurança que se situa "Segurança pública, direitos humanos e violência". Compõem a obra entrevistas com Cecília Coimbra, Chico Alencar, Ignacio Cano, João Tancredo, Julita Lemgruber, Marcelo Freixo, Marcelo Salles, Paulo Ramos e Vera Malaguti Batista. Há ainda artigos de Maria Helena Moreira Alves (em texto publicado antes da chacina do Alemão, já apontando uma série de problemas na "ocupação" policial da área), José Arbex Jr., Leonardo Sakamoto, Mário Maestri e Rafael Fortes. São pesquisadores, professores, especialistas, políticos, jornalistas e militantes. Em comum, a atitude de ir a público criticar a violência produzida pelo Estado, no momento em que as operações policiais contavam com apoio notável da mídia corporativa, de autoridades e de diversos setores da sociedade.

 

livro_segurancapublica_pq.jpgNeste sentido, o livro é um registro histórico. Mas é também uma obra de intervenção e debate, na medida em que apresenta um panorama amplo do problema da violência. Os autores discutem o tema não só como questão de polícia, mas sobretudo de política. Abordam variados elementos no mosaico da violência urbana, incluindo críticas duras e embasadas às políticas em vigor no Rio de Janeiro, bem como a uma série de mitos e meias-verdades que povoam o senso comum sobre o tema, alimentado pela cobertura sensacionalista realizada por parte dos meios de comunicação hegemônicos.

 

Estigmas e preconceitos ajudam a criar um caldo de cultura em que a eliminação de seres humanos se torna uma saída para apaziguar o pavor experimentado pela sociedade, que vê a si mesma como refém da falta de segurança. Desta forma, muitos sucumbem à tentação de não só fazer vista grossa, mas de também autorizar e enxergar de forma positiva ações criminosas cometidas pelo Estado.

 

Frente a este estado de coisas, temos um livro na contramão. Contra o obscurantismo, a desesperança, a insensibilidade, o preconceito, o racismo e o ódio de classe, apostando na razão, no contraditório, na pedagogia, no convencimento pela argumentação. Uma leitura para quem quer encontrar argumentos e pontos de vistas diferentes, a fim de se situar melhor na complicada discussão sobre segurança pública, direitos humanos e violência.

 

Ficha:

‘Segurança pública, direitos humanos e violência’

Autores: diversos

Organizador: Rafael Fortes

Lançamento: dia 24/09, 19 horas. Rua Mem de Sá, 126, Lapa, Rio de Janeiro.

 

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Comentários   

0 #3 cuidado com nossas escolhasAmilsem Muzer Junior 01-12-2008 13:34
É tentador achar qe pobres alguns negros e outros não, armados até os dentes com armas de fogo serão vencidos pelo argumento, pelo rap, pelo batuque em geral. Eu como historiador e socialista também já me deixei levar por isso. Um leitor desavisado acharia que traficantes vítimas que só qerem vender drogas são escurraçados por um Estado fascista incorporado no soldado da Pm com um soldo de 1.000 reais. Faço um apelo, nós inauguramos um novo parâmetro de violência onde policiais tbm são mortos aqui no rio mais do qe em qalqer outro lugar. E os moradores das favelas são obrigados, mesmo sem a ocupação truculoenta da policia, a terem hora para chegar, seus direitos basicos limitados por meia dúzia de pobres negros e outros não, qe tratam os moradores como escudo, já qe esses seres humanos escolheram a criminalidade. Cuidado para não ter uma visão lúdica dos bandidos só isso qe qero falar. lembre-se do trabalhador da favela qe nada tem a ver com a sede dos viciados e a sede de alguns de sangue e poder.
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0 #2 Manter o status a quauquer custo.Amauri Recife 24-09-2008 14:55
Na minha visao: polícia braço armado da sociedade capitalista e ipocríta para manter seus interesses e seus status. No passado tinha os feitores; hoje é os caes de guarda representantes das políticas de segurança.
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0 #1 A RAZÃO ACIMA DE TUDOFUNDAÇÃO INSTITUTO DE DIREITOS 23-09-2008 13:31
Necessito receber um exemplar desse documento histórico, para integrar o Acervo Bibliográfico da Fundação Instituto de Direitos Humanos.
Devemos, sempre, apostar na Razão.
Sem comentários.
Hélio Mendes Cazuquel.
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