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Energia Nuclear: usina de sandices Imprimir E-mail
Escrito por Henrique Cortez   
Quarta, 17 de Setembro de 2008
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Já discutimos e questionamos a equivocada opção nuclear deste governo por diversas vezes, mas como a sandice não parece ter fim, retomamos nossos questionamentos.

 

Em primeiro lugar, construir de 50 a 60 usinas nucleares nos próximos 50 anos equivale a construir uma usina por ano, algo que nem os EUA jamais tentaram. A China, que atualmente investe pesadamente em energia nuclear (para geração de energia e para fins militares), possui um "ambicioso" projeto de construir 20 usinas em 50 anos. Logo, o número apresentado pelo ministro é uma sandice.

 

A expansão do programa nuclear brasileiro não foi discutida com a sociedade, não foi debatida e não pode ser iniciada pela simples vontade imperial do governo de plantão. Um governo é transitório e passageiro, mas pode cometer erros que perduram por muito tempo. Centenas de anos no caso da energia nuclear.

 

Uma usina nuclear no Nordeste é uma bobagem por definição. O nordeste é caracterizado pelo déficit hídrico (evaporação três vezes maior do que a precipitação) e cada gota de água é essencial para a convivência com o semi-árido.

 

Uma usina nuclear é uma usina termelétrica, que produz energia elétrica em turbinas a vapor, do mesmo modo que uma termelétrica a gás, carvão ou biomassa. E, por incrível que possa parecer ao governo e à Eletronuclear, uma termelétrica demanda muita água para produção do vapor. Uma usina termelétrica nuclear de 1300 MW consome, por dia, o equivalente a uma cidade com 100 mil habitantes. Será que ninguém percebeu que a bacia do São Francisco é uma bacia sob intenso stress hídrico e diante de um cenário de crise crescente em razão de sua impensável degradação? Vão tirar a água de onde e de quem?

 

Um dos mais discutíveis argumentos dos defensores da energia nuclear é o que afirma que seus custos de geração são competitivos e mais baixos do que a energia eólica. É um argumento que até pode ser verdadeiro, mas apenas se consideramos a geração no curto prazo, desconsiderando todo o ciclo de vida dos resíduos nucleares. Na prática, ela gera custos que serão subsidiados pela sociedade ao longo de várias décadas ou séculos, após o descomissionamento das usinas.

 

Os Estados Unidos, com um "estoque" atual de 64 mil toneladas de resíduos nucleares, investe no Projeto Yucca Montain, um depósito nuclear a cerca de 140 km ao norte de Las Vegas que, a partir de 2020, deverá receber ao longo de um século um volume previsto de 77 mil toneladas de resíduos nucleares, ao custo de US$ 90 bilhões. Só o custo de manutenção ao longo deste século de operação está previsto em US$ 9 bilhões.

 

Os custos de implantação, operação e manutenção deste depósito nuclear serão integralmente pagos pelos contribuintes norte-americanos. Nem um único centavo será pago pela indústria nuclear.

 

Na Inglaterra, os custos de reprocessamento, estoque e redução de resíduos nucleares, ao longo de 130 anos, estão estimados em 80 bilhões de libras, ou US$ 165 bilhões. Estes são números oficiais, apresentados ao parlamento britânico pela autoridade nuclear (NDA), no dia 17/07. Novamente, o custo será pago pelo contribuinte.

 

No Brasil, o presidente da Eletronuclear disse que os rejeitos nucleares não preocupam nos próximos 500 anos. Tal argumento também é muito discutível.

 

Mesmo se consideramos o tal prazo de "apenas" 500 anos, teríamos que supor que a Eletronuclear continuasse a existir ao longo deste "curto" prazo, que gerenciasse o risco, fizesse a manutenção etc. Ou seja, cuidasse do resíduo por mais de 4 séculos após o descomissionamento das usinas. Aliás, como é que a Eletronuclear pode arcar com os custos e, eventualmente, garantir o pagamento de royalties aos municípios, a fim de aceitarem os depósitos de resíduos nucleares, séculos após o descomissionamento de uma usina? Ou melhor, quem garante a existência da Eletronuclear por séculos?

 

Se considerarmos o ciclo de vida do produto (e seus rejeitos), a energia nuclear é "impagável", porque deveria levar em conta o custo de gerenciamento dos resíduos por séculos após o descomissionamento de uma usina. Ou ninguém pensou nisso?

 

A afirmação da pseudo-competitividade da tarifa de energia nuclear é falsa e um engodo à sociedade, que será a real pagadora pelo gerenciamento dos resíduos. Que as autoridades brasileiras e a indústria nuclear tenham, pelo menos, a honradez de expor a realidade do custeio, tal como já está acontecendo nos EUA e na Inglaterra.

 

Outro aspecto a ser discutido é a afirmação da segurança operacional das usinas, como se o acidente de Three Mile Island (1979) e a tragédia de Chernobyl (1986) fossem casos isolados.

 

Na verdade, os acidentes, ou incidentes como prefere a indústria nuclear, são freqüentes. Como demonstração, recomendamos que leiam as diversas matérias que já publicamos.

 

Estes são casos apenas ocorridos em julho de 2008 e, estranhamente, somente noticiados no Brasil pelo EcoDebate. A imprensa nacional contribui com o mito da segurança nuclear, ao desconsiderar ou sonegar a informação dos incontáveis acidentes, ou incidentes, que acontecem ao redor do planeta.

 

Aliás, se não existem riscos de acidentes radioativos, por que a sede da Eletronuclear (com toda a sua administração e direção) é no Rio de Janeiro e não em Angra dos Reis, ao lado das usinas, ao alcance dos efeitos de um acidente e submetida ao mesmo procedimento de evacuação que a "simples" população da cidade? É uma questão sem resposta, assim como os resíduos radioativos.

 

Tais questões são de pleno conhecimento das autoridades, que têm a obrigação de discuti-las com a sociedade, mas que preferem o silêncio e a omissão de informações. Talvez porque seja mais fácil impor a energia nuclear a uma sociedade que nada sabe sobre o assunto.

 

Não sabe em termos. Ou vocês conhecem alguém que queira uma usina nuclear ou um depósito de resíduos nucleares nas suas vizinhanças? Certamente nem o ministro Lobão, ou qualquer outro ministro, gostaria de morar ao alcance dos danos de um acidente radioativo.

 

Sem um debate honesto e transparente, a energia nuclear será mais um dos inúmeros engodos, que transferem à sociedade e aos contribuintes os custos de políticas públicas insensatas.

 

Henrique Cortez é coordenador do portal EcoDebate.

 

E-mail: henriquecortez(0)ecodebate.com.br

 

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