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Ainda ofensivas e defensivas Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Segunda, 08 de Setembro de 2008
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É no quadro da disputa, entre a ascensão da luta de classes e a necessidade dos países vencedores consolidarem suas conquistas territoriais, que as potências imperialistas tentaram retomar a iniciativa estratégica após 1917.

 

Elas não só intervieram na recém fundada União Soviética, com tropas de 13 países, como esmagaram as tentativas de revolução na Hungria e na Alemanha e estimularam a implantação de regimes fascistas nos mais diferentes pontos do globo. Procuraram, a todo custo, aplicar golpes mortais na luta de classes e ao mesmo tempo liquidar a União Soviética. Porém, suas contradições em torno da repartição econômica e política do mundo mostraram-se momentaneamente mais fortes do que as contradições com a União Soviética, e com as lutas operárias e populares em suas próprias nações.

 

Isso porque, as vertentes capitalistas de moldagem fascista passaram à ofensiva estratégica, não só contra o "bolchevismo", mas também contra os interesses das outras potências imperialistas. Fizeram com que estas, na defensiva estratégica, fossem obrigadas a buscar alianças, até então impensáveis, com a União Soviética e com os comunistas e socialistas durante a II Guerra Mundial.

 

O período que se seguiu a esta guerra é de busca feroz, pelos países imperialistas, de retomada da ofensiva estratégica, não mais contra o fascismo, mas contra o comunismo e o socialismo. O problema é que eles se confrontavam não só com um campo socialista ampliado, no leste europeu e na Ásia, mas principalmente com um novo auge da luta de classes nos países coloniais, pela independência e, em alguns casos, por um caminho socialista de desenvolvimento.

 

Assim, embora tenham imposto uma Guerra Fria ao mundo, com base no terror nuclear e na corrida armamentista, o que marcou esse período, que vai até meados dos anos 1970, foi a ofensiva estratégica das lutas nacionais de classe na Ásia, África e América Latina. Essa ascensão, caracterizada pelos movimentos de descolonização e pelas revoluções na China, Indochina, Pérsia (Irã), Cuba e outros países, parecia não ter limites.

 

Ela forçou o capitalismo europeu a criar o Estado de Bem-Estar Social, com o apoio da social-democracia, impôs ao capitalismo norte-americano as liberdades civis e a igualdade racial e colocou em xeque as ditaduras que os Estados Unidos haviam espalhado pelo mundo, para conter a "expansão comunista". Mais: impôs às tropas da principal potência capitalista, os Estados Unidos, sua pior e mais dura derrota da história, no Vietnã.

 

Por outro lado, num desses sarcasmos típicos da história humana, o sucesso vietnamita é a última grande vitória do movimento socialista do século 20. A essa altura, o campo socialista já estava dividido e as lutas de classes se encontravam em franca regressão, não só nos países do terceiro mundo, mas também na Europa e nos Estados Unidos.

 

Foi nesse contexto que o socialismo entrou em defensiva estratégica, embora muita gente só tenha se dado conta disso mais de 10 anos depois, com a derrubada do Muro de Berlim e a derrocada da União Soviética e do leste europeu.

 

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

 

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