Fracasso olímpico desnuda falso crescimento esportivo

 

Mais uma edição dos Jogos Olímpicos foi encerrada e não pela primeira vez o país passará uns bons dias como autêntico muro das lamentações esportivas, perguntando-se por que esta ou aquela medalha não veio e o que aflige o país nas horas decisivas - debate este muito em voga com algumas derrotas que não são cômicas porque tomam contornos trágicos.

 

Não é preciso se estender muito para lembrar que o país não perde o costume de criar bolhas desmedidas de euforia que ao estourarem levam o torcedor e o atleta da empolgação máxima à profunda depressão. Tampouco é necessário muito esforço para perceber que tal comportamento é propiciado pela cobertura da grande mídia, desesperada por ídolos e resultados que encantem o fã, e pela velha cartolagem nacional, sempre vendendo discursos de evolução da futura potência olímpica que acabam desmascarados ao final de cada grande competição.

 

Dependência dos poucos ídolos

 

Carente de um maior número de atletas mundialmente de ponta, nada mais natural que as esperanças e sonhos de triunfo recaiam sobre as costas dos atletas mais bem cotados internamente. No entanto, como a estrutura dada à maioria dos atletas não acompanha o nível de expectativa, cria-se a perigosa, como cansamos de ver em Pequim, combinação entre esses dois fatores. Ao se depararem com a primeira frustração, nossos atletas acabam por cair em prantos, extravasando os anos de esforço não visto e não compensado, além do posterior esquecimento que o regresso ao país lhes reserva.

 

Não estaria na hora de o país utilizar seus prodígios de cada esporte como modelos para as novas gerações, o que permitiria ao país evoluir e renovar-se constantemente?. O que, por conseguinte, diminuiria muito o peso sobre os poucos que conseguem chegar longe e representar o Brasil em competições oficiais.

 

Foi flagrante a quantidade de compatriotas nossos chorando derrotas, inesperadas ou não, diante das câmeras, ato seguido de lamentos pela falta de apoio durante tantos anos e pelas divagações sobre o que será de agora em diante. De forma geral, esse choro todo cria rótulos, reaviva discussões em torno do velho complexo de vira-lata, detectado por Nelson Rodrigues quando o Brasil não tinha nem televisão ainda. Não é complexo algum, é a simples e dura realidade: o que vemos nos quadros de medalhas é o reflexo daquilo que o país está apto a conquistar, nada mais.

 

Se o surgimento de Cielos, Hypolitos e Gregorios servir apenas como perspectiva de vitórias na próxima competição, e não como bandeira com vistas a popularizar a modalidade e revelar um número crescente de talentos, vamos resolver o problema do volume de água do São Francisco com os jogos de Londres 2012.

 

E dinheiro nem é mais problema...

 

Em outros tempos, a simples justificativa da falta de verbas já servia como explicação quase definitiva para nossas escassas alegrias esportivas. Hoje em dia, entretanto, a situação mudou muito e, apesar de ainda insuficientes, uma maior quantidade de recursos não é sinônimo de grandes transformações se não raro são usados de forma inapropriada.

 

Para compreender melhor a questão, vale lembrar que as contas do Pan do Rio, realizado no ano passado, seguem sem aprovação da União, o que é muito compreensível quando se verifica que o orçamento previsto de R$ 400 milhões ganhou um zerinho a mais, isto é, decuplicou-se.

 

E como prova de que a verba destinada às práticas esportivas deixou de ser o grande problema, o site Contas Abertas revelou que, ineditamente, o orçamento do setor em 2008 supera o da cultura. "Enquanto o montante desembolsado pela pasta do Esporte esse ano (até agora) é de R$ 317,1 milhões, a Cultura aplicou R$ 293 milhões. Para 2008, a verba autorizada é de R$ 1,3 bilhão e empata com a da Cultura", informa o órgão.

 

Porém, de que adianta tamanha dinheirama se a única representante do Brasil na maratona, Marily dos Santos, cortadora de cana até os 18 anos, teve de pegar emprestado o uniforme de um colega brasileiro para correr? O traje sobrando no corpo da esguia atleta escancarava a patacoada. De que adianta, se a única psicóloga da delegação teve sua ida aos jogos forçada pela equipe de vôlei, pois o Comitê Olímpico Brasileiro era contra, e sua estadia teve de ser bancada pelo treinador José Roberto Guimarães?

 

Aliás, esse episódio merece uma observação à parte: enquanto vemos nossos atletas desmancharem-se em lágrimas ao sucumbirem mediante situações de alta exigência física e emocional, os líderes do esporte nacional crêem ser desimportante a utilização de profissionais de apoio psicológico, sendo que todas as grandes potências esportivas estruturadas oferecem suporte a suas equipes.

 

Conclusões

 

Postos à mesa nossos resultados, fica evidente que o país, assim como em muitas outras áreas, desperdiça gritantemente seus recursos e capacidades, o que não leva pouco tempo para se mudar. Tendo apenas 12% de suas escolas com quadras para prática esportiva, o investimento nessa base é mais que primordial para que no futuro nos acostumemos com gerações de atletas de primeiro escalão, em todos os esportes e com renovação constante.

 

Prestigiar o atleta somente quando este já é profissional e provou por conta própria seu valor, além de oportunista, é enganoso, pois passa a imagem de que grandes empresas e federações respaldam nossos esportistas de forma incondicional, fazendo-nos esquecer dos que estão na mesma luta e seguem largados.

 

Promover a prática esportiva desde cedo, além de ensinar a ganhar e a perder na vida, promove convívio e inclusão social. Foi por esse processo que passaram, e passam, as grandes potências olímpicas, inclusive Cuba, que tem mais ou menos o tamanho de Sergipe e já disputou palmo a palmo a liderança do quadro geral com os próprios norte-americanos.

 

Dessa forma, parece claro que primeiro devemos nos estruturar (e limpar) internamente para que no médio prazo possamos começar a colher resultados que ainda não estamos acostumados a obter. No entanto, nossos dirigentes, não satisfeitos em estourarem em 1000% as contas do Pan, já anunciaram que o próximo passo é sediar os jogos de 2016.

 

Mas para que organizaríamos uma Olimpíada dentro de casa em prazo tão breve? Para chorar nossas mazelas e fraquezas diante do mundo todo dentro de casa? Pra brigar pau a pau com a Mongólia no quadro geral? Pra despejar um caminhão de dinheiro na mão de quem o faz sumir sem constrangimento algum? Deve ser para virar motivo de piada da própria população, como na "adaptação" do filme ‘A queda’, em que se fantasiam cenas de um Hitler desolado com a derrota que se aproximava em Berlim.

 

O Brasil olímpico é um retrato fiel do Brasil que conhecemos de todos os dias. Desperdício de talento/recursos, descaso, tragédias cinematográficas em momentos decisivos, corrupção endêmica e falsas promessas para aliviar as dores e fazer acreditar que um dia seremos o que idealizamos. No fundo, parece que já estamos acostumados.

 

Gabriel Brito é jornalista do Correio da Cidadania.

 

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Comentários   

0 #4 Presidente DungaRaymundo Araujo Filho 30-08-2008 13:23
Agora já passado o fracasso do Brasil nas Olimpíadas, vão alguns comentários sobre as causas de tão retumbante fracasso brasileiro, apesar dos R$1 Bi investidos no Projeto Olímpico 2008.

Não sou daqueles que exigem dos atletas brasileiros as medalhas, como única maneira de conferirem ao Povo Brasileiro o respeito merecido, pelo dinheiro público investido. Ao contrário, penso que o respeito de dá por outras vias. A da sincera dedicação. Isso basta, ao verdadeiro espírito Olímpico.

Escrevi um artigo sobre o nosso técnico de futebol e a lambança que está a fazer em nosso futebol, apenas seguindo o padrão anti esportivo e de hierarquia quase militar/clerical a que submetem nossos jogadores, além da passividade estimulada na tomada de decisões em campo, de forma livre, como compete aos verdadeiros craques.

Aqui, vou me ater a alguns aspectos complementares, que apenas expõem a máquina de marquetingue puro e simples, que se tornou este (des)governo Lulla, em todos os setores.

A começar pela bajulação oferecida ao corrupto (ao que dizem) presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por conta da confirmação do Brasil, como sede da copa do Mundo em 2014. Incensado por governos estaduais, petistas inclusive, conseguiu através de promessas, abortar a CPI que o poria em maus lençóis.

Agora, vem a público, que estão todos impressionados com o tamanho do ralo em que se esvairam R$1 Bi do erário, para tão poucos resultados. O que foi feito deste dinheiro?

É mais fácil sabermos, o que NÃO foi feito.

Por exemplo, sabemos que não houve nenhum estímulo ou verbas satisfatórias para medalhistas brasileiros que conseguiram alguns triunfos, muito mais movidos pelos seus amores ao esporte, do que a qualquer tipo de apoio logístico e financeiro do COB, cujo responsável, Carlos Arthur Nuzman, também anda encrencado nas suas prestações de conta, desdeo o Pan, senão antes. E sem ser admoestado pelos responsáveis pela libaração das verbas. A CBF e a COB, atuam como as Reguladoras (ANEEL, ANATEL, ANAC, ente outras), como se compromisso algum devesses à União.

A nossa medalhista de Tai Ken Dô, por exemplo, pagou de seu próprio bolso, uma psicóloga para lhe dar na mente, a mesma firmeza que mostrou ter na luta. O nosso time feminino de futebol, brilhou, por conta própria, pois nada lhes foi legado pelos responsáveis pelo esporte brasileiro. Sequer um campeonato regional foi estabelecido, após terem demonstrado, já desde alguns anos, um forte potencial neste nesta modalidade. Um time olímpico onde a maioria das craques está desempregada. Fizeram de suas almas, verdadeiros corações, para tentarem superar as bem preparadas e amparadas jogadores de outras seleções. Só perdemos para os EUA.

Foi de emociaonar ver a pobre mãe de uma delas, aparecer em reportagem, a dizer que só viu a filha na televisão, porque um vizinho lhe emprestou uma. E recebeu um emocionado telefonema da filha, que não vê há 4 anos, com ela já no aeroporto, sem tempo nem dinheiro para ver a mãe pessoalmente.

Será que não sobrava uma graninha para alugar um hotel, sem luxo, para reunir os familiares diretos das atletas mais pobres, para que todos pudessem se falar e incentivar as filhas e filhos, em tão difícil jornada? Poderiam fazer os as ligações televisivas ao vivo, certamente dando às atletas e aos atletas um estímulo a mais na competição. Quanto custaria isso, em um revezamento de parentes em tal hotel alugado? Uma micharia, frente à fortuna gasta em convescotes inúteis para o atletismo brasileiro. Além das hospedagens de luxo e sei lá mais o que, que esta gente usufrui (ou será que sei?)

Foi de doer ouvir o pai daquela pedra preciosa de 17 anos, a Jade, dizer que sequer a ajuda de custo de 1 salário mínimo, esta menina recebia desde março, colocando-a, certamente, em desvantagem psicológica frente à competidoras de ponta. Internadas em Curitiba, com pouco contato familiar, mesmo telefônico (pessoalmente, nem pensar). Ou seja, jogaram jovens e promissoras adolescentes, ao leões e às leoas.

As nadadoras da maratona de natação (10Km), sequer estratégia conjunta tinham, como se disputassem individualmente e por conta própria a competição.

Muitos exemplos poderíamos dar, pelo que lemos e ouvimos sobre esta lambança olímpica que os dirigentes políticos e do esporte brasileiro fizeram, em meio a uma gastança desenfreada com supérfulos o que poderia ser gasto em uma Política de Esportes que realmente assim pudesse ser chamada.

Do ministro dos esportes, pseudo comunista de quatro costados, só se tinha notícias em convescotes, onde a risada comia solta, talvez de nós que pagamos esta conta.

E o nosso presidente a servir de garoto propaganda de si mesmo, a promover a farsa que é este seu (des)governo, com tantas maquiagens quanto as que a China fez, para parecer um país palatável ao mundo.

E, ao final, foi angustiante ver jovens que se empenharam, em desigualdade não de potencial olímpico, mas sim de condições estruturais, a se desculparem ao país, quando apenas fizeram e deram o melhor de si. Em um país de dirigentes políticos e esportivos, enlameados de tanta corrupção. Enquanto os mauricinhos milionários da elitista equipe de futebol, estes sim covardes e interesseiros, mostraram todo o seu desdém ao seu país, no qual sequer a grande maioria mora mais.

*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata, cidadão e contribuinte.



Presidente Dunga
*Raymundo Araujo Filho

Agora já passado o fracasso do Brasil nas Olimpíadas, vão alguns comentários sobre as causas de tão retumbante fracasso brasileiro, apesar dos R$1 Bi investidos no Projeto Olímpico 2008.

Não sou daqueles que exigem dos atletas brasileiros as medalhas, como única maneira de conferirem ao Povo Brasileiro o respeito merecido, pelo dinheiro público investido. Ao contrário, penso que o respeito de dá por outras vias. A da sincera dedicação. Isso basta, ao verdadeiro espírito Olímpico.

Vai em anexo, artigo sobre o nosso técnico de futebol e a lambança que está a fazer em nosso futebol, apenas seguindo o padrão anti esportivo e de hierarquia quase militar/clerical a que submetem nossos jogadores, além da passividade estimulada na tomada de decisões em campo, de forma livre, como compete aos verdadeiros craques.

Aqui, vou me ater a alguns aspectos complementares, que apenas expõem a máquina de marquetingue puro e simples, que se tornou este (des)governo Lulla, em todos os setores.

A começar pela bajulação oferecida ao corrupto (ao que dizem) presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por conta da confirmação do Brasil, como sede da copa do Mundo em 2014. Incensado por governos estaduais, petistas inclusive, conseguiu através de promessas, abortar a CPI que o poria em maus lençóis.

Agora, vem a público, que estão todos impressionados com o tamanho do ralo em que se esvairam R$1 Bi do erário, para tão poucos resultados. O que foi feito deste dinheiro?

É mais fácil sabermos, o que NÃO foi feito.

Por exemplo, sabemos que não houve nenhum estímulo ou verbas satisfatórias para medalhistas brasileiros que conseguiram alguns triunfos, muito mais movidos pelos seus amores ao esporte, do que a qualquer tipo de apoio logístico e financeiro do COB, cujo responsável, Carlos Arthur Nuzman, também anda encrencado nas suas prestações de conta, desdeo o Pan, senão antes. E sem ser admoestado pelos responsáveis pela libaração das verbas. A CBF e a COB, atuam como as Reguladoras (ANEEL, ANATEL, ANAC, ente outras), como se compromisso algum devesses à União.

A nossa medalhista de Tai Ken Dô, por exemplo, pagou de seu próprio bolso, uma psicóloga para lhe dar na mente, a mesma firmeza que mostrou ter na luta. O nosso time feminino de futebol, brilhou, por conta própria, pois nada lhes foi legado pelos responsáveis pelo esporte brasileiro. Sequer um campeonato regional foi estabelecido, após terem demonstrado, já desde alguns anos, um forte potencial neste nesta modalidade. Um time olímpico onde a maioria das craques está desempregada. Fizeram de suas almas, verdadeiros corações, para tentarem superar as bem preparadas e amparadas jogadores de outras seleções. Só perdemos para os EUA.

Foi de emociaonar ver a pobre mãe de uma delas, aparecer em reportagem, a dizer que só viu a filha na televisão, porque um vizinho lhe emprestou uma. E recebeu um emocionado telefonema da filha, que não vê há 4 anos, com ela já no aeroporto, sem tempo nem dinheiro para ver a mãe pessoalmente.

Será que não sobrava uma graninha para alugar um hotel, sem luxo, para reunir os familiares diretos das atletas mais pobres, para que todos pudessem se falar e incentivar as filhas e filhos, em tão difícil jornada? Poderiam fazer os as ligações televisivas ao vivo, certamente dando às atletas e aos atletas um estímulo a mais na competição. Quanto custaria isso, em um revezamento de parentes em tal hotel alugado? Uma micharia, frente à fortuna gasta em convescotes inúteis para o atletismo brasileiro. Além das hospedagens de luxo e sei lá mais o que, que esta gente usufrui (ou será que sei?)

Foi de doer ouvir o pai daquela pedra preciosa de 17 anos, a Jade, dizer que sequer a ajuda de custo de 1 salário mínimo, esta menina recebia desde março, colocando-a, certamente, em desvantagem psicológica frente à competidoras de ponta. Internadas em Curitiba, com pouco contato familiar, mesmo telefônico (pessoalmente, nem pensar). Ou seja, jogaram jovens e promissoras adolescentes, ao leões e às leoas.

As nadadoras da maratona de natação (10Km), sequer estratégia conjunta tinham, como se disputassem individualmente e por conta própria a competição.

Muitos exemplos poderíamos dar, pelo que lemos e ouvimos sobre esta lambança olímpica que os dirigentes políticos e do esporte brasileiro fizeram, em meio a uma gastança desenfreada com supérfulos o que poderia ser gasto em uma Política de Esportes que realmente assim pudesse ser chamada.

Do ministro dos esportes, pseudo comunista de quatro costados, só se tinha notícias em convescotes, onde a risada comia solta, talvez de nós que pagamos esta conta.

E o nosso presidente a servir de garoto propaganda de si mesmo, a promover a farsa que é este seu (des)governo, com tantas maquiagens quanto as que a China fez, para parecer um país palatável ao mundo.

E, ao final, foi angustiante ver jovens que se empenharam, em desigualdade não de potencial olímpico, mas sim de condições estruturais, a se desculparem ao país, quando apenas fizeram e deram o melhor de si. Em um país de dirigentes políticos e esportivos, enlameados de tanta corrupção. Enquanto os mauricinhos milionários da elitista equipe de futebol, estes sim covardes e interesseiros, mostraram todo o seu desdém ao seu país, no qual sequer a grande maioria mora mais.

*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata, cidadão e contribuinte.



Presidente Dunga
*Raymundo Araujo Filho

Agora já passado o fracasso do Brasil nas Olimpíadas, vão alguns comentários sobre as causas de tão retumbante fracasso brasileiro, apesar dos R$1 Bi investidos no Projeto Olímpico 2008.

Não sou daqueles que exigem dos atletas brasileiros as medalhas, como única maneira de conferirem ao Povo Brasileiro o respeito merecido, pelo dinheiro público investido. Ao contrário, penso que o respeito de dá por outras vias. A da sincera dedicação. Isso basta, ao verdadeiro espírito Olímpico.

Vai em anexo, artigo sobre o nosso técnico de futebol e a lambança que está a fazer em nosso futebol, apenas seguindo o padrão anti esportivo e de hierarquia quase militar/clerical a que submetem nossos jogadores, além da passividade estimulada na tomada de decisões em campo, de forma livre, como compete aos verdadeiros craques.

Aqui, vou me ater a alguns aspectos complementares, que apenas expõem a máquina de marquetingue puro e simples, que se tornou este (des)governo Lulla, em todos os setores.

A começar pela bajulação oferecida ao corrupto (ao que dizem) presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por conta da confirmação do Brasil, como sede da copa do Mundo em 2014. Incensado por governos estaduais, petistas inclusive, conseguiu através de promessas, abortar a CPI que o poria em maus lençóis.

Agora, vem a público, que estão todos impressionados com o tamanho do ralo em que se esvairam R$1 Bi do erário, para tão poucos resultados. O que foi feito deste dinheiro?

É mais fácil sabermos, o que NÃO foi feito.

Por exemplo, sabemos que não houve nenhum estímulo ou verbas satisfatórias para medalhistas brasileiros que conseguiram alguns triunfos, muito mais movidos pelos seus amores ao esporte, do que a qualquer tipo de apoio logístico e financeiro do COB, cujo responsável, Carlos Arthur Nuzman, também anda encrencado nas suas prestações de conta, desdeo o Pan, senão antes. E sem ser admoestado pelos responsáveis pela libaração das verbas. A CBF e a COB, atuam como as Reguladoras (ANEEL, ANATEL, ANAC, ente outras), como se compromisso algum devesses à União.

A nossa medalhista de Tai Ken Dô, por exemplo, pagou de seu próprio bolso, uma psicóloga para lhe dar na mente, a mesma firmeza que mostrou ter na luta. O nosso time feminino de futebol, brilhou, por conta própria, pois nada lhes foi legado pelos responsáveis pelo esporte brasileiro. Sequer um campeonato regional foi estabelecido, após terem demonstrado, já desde alguns anos, um forte potencial neste nesta modalidade. Um time olímpico onde a maioria das craques está desempregada. Fizeram de suas almas, verdadeiros corações, para tentarem superar as bem preparadas e amparadas jogadores de outras seleções. Só perdemos para os EUA.

Foi de emociaonar ver a pobre mãe de uma delas, aparecer em reportagem, a dizer que só viu a filha na televisão, porque um vizinho lhe emprestou uma. E recebeu um emocionado telefonema da filha, que não vê há 4 anos, com ela já no aeroporto, sem tempo nem dinheiro para ver a mãe pessoalmente.

Será que não sobrava uma graninha para alugar um hotel, sem luxo, para reunir os familiares diretos das atletas mais pobres, para que todos pudessem se falar e incentivar as filhas e filhos, em tão difícil jornada? Poderiam fazer os as ligações televisivas ao vivo, certamente dando às atletas e aos atletas um estímulo a mais na competição. Quanto custaria isso, em um revezamento de parentes em tal hotel alugado? Uma micharia, frente à fortuna gasta em convescotes inúteis para o atletismo brasileiro. Além das hospedagens de luxo e sei lá mais o que, que esta gente usufrui (ou será que sei?)

Foi de doer ouvir o pai daquela pedra preciosa de 17 anos, a Jade, dizer que sequer a ajuda de custo de 1 salário mínimo, esta menina recebia desde março, colocando-a, certamente, em desvantagem psicológica frente à competidoras de ponta. Internadas em Curitiba, com pouco contato familiar, mesmo telefônico (pessoalmente, nem pensar). Ou seja, jogaram jovens e promissoras adolescentes, ao leões e às leoas.

As nadadoras da maratona de natação (10Km), sequer estratégia conjunta tinham, como se disputassem individualmente e por conta própria a competição.

Muitos exemplos poderíamos dar, pelo que lemos e ouvimos sobre esta lambança olímpica que os dirigentes políticos e do esporte brasileiro fizeram, em meio a uma gastança desenfreada com supérfulos o que poderia ser gasto em uma Política de Esportes que realmente assim pudesse ser chamada.

Do ministro dos esportes, pseudo comunista de quatro costados, só se tinha notícias em convescotes, onde a risada comia solta, talvez de nós que pagamos esta conta.

E o nosso presidente a servir de garoto propaganda de si mesmo, a promover a farsa que é este seu (des)governo, com tantas maquiagens quanto as que a China fez, para parecer um país palatável ao mundo.

E, ao final, foi angustiante ver jovens que se empenharam, em desigualdade não de potencial olímpico, mas sim de condições estruturais, a se desculparem ao país, quando apenas fizeram e deram o melhor de si. Em um país de dirigentes políticos e esportivos, enlameados de tanta corrupção. Enquanto os mauricinhos milionários da elitista equipe de futebol, estes sim covardes e interesseiros, mostraram todo o seu desdém ao seu país, no qual sequer a grande maioria mora mais.

*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata, cidadão e contribuinte.
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0 #3 Brasil Nada OlímpicoHudson Luiz Vilas Boas 29-08-2008 14:23
Quanto à melancólica participação brasileira na China, fica mais uma vez claro, infelizmente, que a total falta de políticas voltadas para a prática esportiva, enxergando-a como ferramenta de inclusão social e cultural, em nossas escolas públicas – digo isso com a autoridade de professor de escola pública e ex-aluno de tal – não poderia nos levar a resultado melhor do que as parcas medalhas trazidas por nossos atletas. O governo federal, parece até brincadeira, através do Ministério dos Esportes investiu uma quantia razoável em atletas de alto rendimento, ao passo que segue sucateando escolas públicas.
Leia a íntegra desse artigo no:
www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com
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0 #2 Um tolo Galvão BuenoEdisinho 27-08-2008 13:46
Sempre soube disso, só que até hoje o brasileiro vive de fantasia, gosta das maquiagens que a mídia nos impõe. Realmente só se investe nos grandes e se esqueçe dos pequeninos, aqueles que estão no alge do conhecimento e da adrenalina para ter ao menos um espaço para mostrar seu talento. Pena, pena mesmo que nosso politica é hipóclita. Temos um Galvão Bueno muito bem pago para passar aos brasileiros essa falsa impresão de que o Brasil é o melhor do Mundo (não que eu não queira) mas sabemos que é tudo mentira. O Galvão é o tolo mais bem pago dos jornalistas esportivos do Brasil. Pois ele é bom nisso. Ele deve ir para a Sapúcai, lá sim é o mundo da fantasia.
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0 #1 Cuba jamais será a mesma nos esportesJose Magno da Silva 26-08-2008 11:54
Gostei muito do artigo e penso que não podemos imaginar os jogos, sejam os olímpicos, pans e copas, como uma solução para nossas mazelas.
Não podemos também permitir que bons resultados esportivos mascarem a verdadeira realidade do país. Chega de parar o país em dia de copa do mundo!!!
Sempre defendi o pensamento de que dando-se condições reais ao nossos atletas, em qualquer esporte, eles se tornariam imbatíveis. Mas o lado psicológico fala mais alto. Seja para o atleta que sente pequeno, seja para o atleta que, devido a alguns bons resultados, se torna arrogante.
Apenas não concordo com a referência feita a Cuba. Assisti certa vez a um documentário onde os atletas cubanos de voley masculino, creio que já campeões olímpicos, estavam em um ônibus velho, deslocando-se para um local onde iriam ajudar na construção de casas populares. Será que era essa a vontade deles?
Sobre o lado psicológico, o que dizer da atitude do lutador cubano Ángel Valodia Matos que agrediu o árbitro após ser desqualificado na briga pelo bronze na categoria acima de 80 kg do taekwondo? E disseram que o Sr Fidel Castro aprovou e elogiou a atitude do atleta. Nesse episódio percebe-se como governantes utilizam os jogos para tentar engrandecer ou comprovar teorias puramente xenofóbicas, como tentou fazer Hittler. Isso se confirma quando Castro afirma, \"Foi criminoso o que fizeram com os jovens de nossa equipe de boxe, para complementar o trabalho dos que se dedicam a roubar atletas do terceiro mundo\" e mais \"Não nos deixemos bajular pelos sorrisos de Londres. Ali haverá chauvinismo europeu, corrupção na arbitragem, compra de músculos e cérebros e um forte dose de racismo\".
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