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Antônio Vieira: uma história do futuro Imprimir E-mail
Escrito por Maria Clara Lucchetti Bingemer   
Segunda, 18 de Agosto de 2008
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Em Lisboa, na Rua dos Cônegos, no dia 2 de fevereiro de 1608, nascia Antônio Vieira. Aos seis anos, veio com a família para a Bahia, onde entrou para a Companhia de Jesus em 1623, sendo ordenado em 1634. Trabalhou até 1641 com tribos indígenas, sendo depois enviado a Portugal. Durante 11 anos percorreu a Europa em contato, sobretudo, com os judeus expulsos de Portugal. Buscava convencê-los a retornar.

 

Defensor de judeus, negros e índios, o grande orador teve problemas com a Inquisição e voltou ao Brasil. Viveu longo tempo no Maranhão. Gostava de navegar pelo Rio Amazonas com seus livros, buscando ver nesse Mundo Novo que tanto amava a realização das profecias bíblicas.

 

Este amor derivava da idéia de que, já que o mundo inteiro estava descoberto, com a chegada dos europeus às ignotas terras da América, o fim do mundo estava próximo e com ele a volta de Cristo. Vieira estava convicto de que qualquer cristão teria de ser capaz de encontrar nas Escrituras Sagradas a maneira de apressar essa segunda vinda. E procurava fazê-lo com seus belíssimos sermões.

 

E porque a vinda de Cristo está mais próxima, hoje é melhor do que ontem e amanhã será melhor do que hoje. O futuro será sempre melhor. Esta visão do tempo e da Igreja que está vivendo tempos melhores, mesmo se comparada com a primitiva Igreja, é uma idéia que pode parecer chocante. Diante dos terríveis problemas que vivemos hoje, o normal é pensar que qualquer tempo passado foi melhor do que este. Do modo como Vieira pensa o que é a Igreja, o que é o cristianismo, mesmo percebendo todos os males que existiam no tempo e na Igreja em que vivia, trata-se de um ponto de honra crer que os tempos e a Igreja são melhores. E são melhores porque estão mais perto da segunda vinda ou da volta de Jesus Cristo.

 

Por isso, o grande pregador lamenta que muitos cristãos não apressem mais essa vinda do Senhor.historiadofuturo_padreanton.jpg Por exemplo, já não o descobrem no sacramento do pobre: "de nada adianta adorar Jesus Cristo na Eucaristia, onde ele está encoberto no pão, se não formos capazes de adorar Jesus Cristo no que ele chama o segundo sacramento, onde ele está encoberto também nas espécies ou no que é pobre; do que é desprezado, do que é dos índios que parecem bárbaros".

 

Na comemoração de quarto centenário de sua morte, em 1608, Antônio Vieira – imperador da língua portuguesa – nos confirma na certeza de que só podemos ser Igreja na medida em que soubermos reconhecer que a Igreja só é católica – universal, portanto - quando aberta ao mundo, reconhecendo os outros em sua diferença. Assim, Vieira não só reconheceu e lutou pelos direitos dos índios com a arma que tinha, que era a palavra, mas tentou falar sua língua, aproximar-se deles. Quando os índios tinham praticamente desaparecido da costa do Brasil, ele dizia: "Ainda bem que no dia do juízo eu poderei dizer: existem relíquias ou restos de índios porque eu lutei para que eles, contra os soldados portugueses, tivessem a sua liberdade assegurada."

 

Não é exagero essa vontade de que o futuro seja diferente, mesmo que não se saiba o caminho. Mesmo que no fim de seus dias tenha renunciado a poder escrever a história do futuro, Antônio Vieira mantinha a certeza de que por Jesus Cristo o futuro sempre pode ser melhor. Nos escritos de Vieira, sentimos que a esperança é sempre um caminho certo e uma possibilidade que, mesmo em tempos de escuridão, pode ser vivida e acreditada.

 

Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio e autora de "Deus amor: graça que habita entre nós", e outras obras.

 

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Última atualização em Segunda, 18 de Agosto de 2008
 

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