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Jogos da hipocrisia Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Sexta, 15 de Agosto de 2008
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Está em andamento mais uma edição dos Jogos Olímpicos da era moderna. Dessa vez, como a história já registrou em outras ocasiões, as atenções também se voltam para o que ocorre fora das quadras, pistas e piscinas de Pequim. Não é uma Olimpíada como qualquer outra, pois questões políticas, de liberdade, direitos humanos, ambientais, estão tão em evidência quanto os atletas.

 

Portanto, que não se critique as pessoas capazes de ver o mundo além de resultados, medalhas e marcas, típicos dessa época do biênio (em 2010 o mesmo poderá se dar na Copa do Mundo a ser realizada na África do Sul). Se existe a grita por parte de diversos setores da sociedade mundial, algo não anda tão bem pelos lados dessa milenar civilização.

 

Apesar do tão papagaiado crescimento econômico constante (o que não vem necessariamente acompanhado de justiça social e respeito à população nas mais diversas áreas), a China está muito longe de um alinhamento com o que se chamava antigamente de espírito olímpico.

 

Ávida em se afirmar como superpotência do novo século, a China não poupou esforços (nem dinheiro) para promover "os maiores Jogos Olímpicos da história", termo que, aliás, tem sido cada vez mais banalizado por promotores, marqueteiros e interessados em valorizar suas próprias causas. Foram gastos 20 bilhões de dólares para que se estruturasse em Pequim o evento. Pelo menos nesse aspecto, portanto, o objetivo foi atingido.

 

Os gastos para cada obra impressionam quando se verifica a fundo. No entanto, devemos ressalvar que ao menos não se trata de dinheiro que evapora dos cofres públicos e não produz resultado efetivo. Nesse caso não. Os chineses têm seríssimas chances de fechar o quadro de medalhas em primeiro lugar, batendo os EUA, e suas instalações de fato serão herdadas pela população local para a prática e desenvolvimento esportivos. Diferente do nosso famigerado Pan do Rio, por exemplo.

 

No entanto, não se pode fechar os olhos para a cortina de hipocrisia que tenta isolar os Jogos. Fatos para se indignar não faltam, desde questões delicadas até banalidades que poderiam passar despercebidas em meio ao turbilhão de notícias que nos são enviadas do lado de lá do globo.

 

A remoção de moradores humildes da região em que foi erguida a Vila Olímpica para os atletas e o seu envio a um local mais afastado da cidade não merece ficar sem registro histórico. A presença de "líderes" mundiais como Bush, Sarkozy, Berlusconi e Putin, tendo discursado alguns deles – como Bush –, é, além de tudo, contraditória, pois cansamos de escutar que se deve retirar o teor político da festa.

 

Ficassem esses pequenos "desvios de espírito olímpico" restritos ao campo do poder e da política, não poderíamos nos dizer surpreendidos, contudo, pois estão longe de serem inéditos. Porém, é de assustar a obsessão em se transmitir a imagem de perfeição e beleza nunca antes vista aos jogos pequineses. As medidas desesperadas para amainar o trânsito local, o embelezamento estético da cidade promovido meses antes do evento e o ‘acobertamento’ de obras inacabadas ou ditas feias foram altamente ostensivos na preparação dos jogos.

 

E chega a ser constrangedor quando se descobre, conforme admitido pela própria organização dos Jogos, que os fogos que iluminaram a festa de abertura foram projetados em computador, ou seja, não existiram para quem não via pela TV.

 

Outra revelação ainda mais inacreditável, mas que muito explica os valores culturais vigentes: a garotinha que cantou a música-tema na abertura na verdade foi dublada por uma outra, que teve sua presença no palco vetada pelos organizadores por supostamente não ser tão bonita. Era só o que faltava! Agora a ditadura do padrão estético, que já perturba e estraga milhões de adolescências, agora começa a atormentar crianças de 9 anos, que dessa forma já devem se preocupar em possuir uma imagem aceitável perante os outros quando deviam pensar em coisas mais correlatas à vida de alguém de tão pouca idade. E o porta-voz chinês ainda afirmou não ver problemas nisso, pois todos estavam de acordo. Fico imaginando como será no futuro para a menininha da voz bonita lembrar os motivos que a impediram de participar de um momento histórico.

 

Creio que ao menos desde Munique-72 (com os assassinatos praticados pelo Setembro Negro contra a delegação israelense), passando pelos boicotes recíprocos entre americanos e soviéticos nos anos 80, todos já perderam a inocência de acreditar que os princípios do Barão Pierre Coubertin estejam preservados. Nem entre os atletas, com tanto doping por aí e a paranóia cada vez maior (e justificada) a seu respeito. As Olimpíadas de 1996, por sua vez, serviram para avisar de vez que, assim como em todas as demais áreas do mundo, o poder econômico falaria mais alto, pois foi no mínimo um descaso com a história do esporte não ter se realizado em Atenas aquela edição dos jogos, que chegavam ao seu centenário.

 

É claro que continua emocionante ver a consagração de atletas que esperam a vida toda por esse momento, os (escassos) festejos brasileiros, as dores de quem perde e todo o clima de festa memorável que se vive em uma Olimpíada. Caso contrário, não passaríamos madrugadas em claro torcendo por esportes dos quais nem conhecemos as regras, apenas palpitando e sofrendo por compatriotas que, contra tudo e contra todos diga-se, tentam representar da melhor forma possível nossa bandeira. Porém, é impossível tapar os olhos para o fato de que os jogos olímpicos também viraram instrumento de maquinação e afirmação política.

 

Gabriel Brito é jornalista.

 

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Última atualização em Terça, 08 de Setembro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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