topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Autocrítica Imprimir E-mail
Escrito por Rogério Grassetto Teixeira da Cunha   
Sexta, 27 de Abril de 2007
Recomendar

 

 

Um leitor não gostou da idéia que propus do PEC, o Pacote Ecológico de Crescimento (uma série de alternativas ao PAC nas áreas de energia elétrica, transportes e agricultura que permitissem ao país crescer, mas sem produzir os impactos ambientais deste). Ele criticou-me por eu não ter me posicionado contrariamente à própria lógica do crescimento. Embora a minha intenção fosse justamente tentar ver o que seria possível e viável dentro do sistema e da atual conjuntura, o leitor não deixa de ter razão, uma vez que esta estrutura é inviável já no médio prazo.

 

Praticamente todos os analistas e planejadores econômicos possuem uma visão de curtíssimo prazo: olham apenas como as economias podem crescer o máximo possível de um ano em relação ao anterior; no máximo planejam um período de 5-10 anos, mas sempre sob a ótica da necessidade quase esquizofrênica de crescimento (quando não apenas para o enriquecimento próprio ou de um grupo a que pertençam). Pouquíssimos são capazes de dar um passo atrás e olhar o quadro geral e as consequências futuras deste comportamento.

 

Mas é preciso sim fazer tal análise e criticar a lógica inerente à economia da sociedade contemporânea, que está baseada na necessidade de crescimento contínuo e no aumento do consumo pelo consumo. Isto porque, pensando no assunto um pouco, a conclusão a que se chega é tão simples quanto óbvia: não há como crescer indefinidamente e, a continuarmos assim, o sistema está fadado ao colapso. A razão é que, para crescer, precisa-se sempre de mais matéria-prima e oferta de energia. Ambas são finitas, logo o sistema tem um limite estrutural. Pode-se argumentar que há algum espaço para crescimento por aumento de produtividade ou via aumento de valor agregado, mas ambas as formas são limitadas, e para a segunda há também a necessidade de mais energia, embora não de matéria-prima.

 

O limite do petróleo e das fontes de energia e matéria-prima não-renováveis é óbvio. Um dia acabarão, mais cedo ou mais tarde. Mas mesmo as energias e matérias-primas renováveis têm um teto - que ainda está longe de ser atingido, é verdade, mas é um limite de qualquer forma. Mesmo que represemos todas as quedas de água de todos os rios, que destruamos toda a vegetação do mundo para produzirmos energia de biomassa ou que cubramos toda a superfície terrestre de placas solares e geradores eólicos, haverá um ponto final, pois não haverá mais nem quedas e nem espaço para geradores e plantações. E é justamente por isso que boa parte dos ambientalistas critica tanto a lógica do sistema, pois até que o mundo se dê conta deste limite óbvio, poderemos ter feito um estrago muito maior que o que já fizemos, talvez irreversível.

 

Um outro aspecto extremamente triste do nosso modelo é que mesmo este crescimento econômico não tem trazido justiça social na proporção do aumento de riqueza global. Assim, não há distribuição de renda e a disparidade entre ricos e pobres diminui muito pouco, quando não aumenta.

 

Contudo, mesmo sendo ambientalmente inviável e socialmente injusto, sempre há algum ganho social com o crescimento, nem que seja um aumento na quantidade de papelão disponível aos catadores (ou para servirem de cama aos moradores de rua). Mesmo em termos menos dramáticos, a sociedade como um todo ganha qualidade de vida com o crescimento, embora a disparidade social seja mantida. É aí – e considerando que na atual conjuntura não há muito espaço para uma forte mudança na estrutura das sociedades, o que só aumenta a necessidade de ficarmos insistindo em sua importância – que se situa a minha proposta com esta série de artigos sobre o PEC que encerro aqui, sempre com a esperança de que seja um crescimento socialmente mais justo.

 

Olhando-se todas as alternativas que me esforcei para compilar, fico com um sentimento ambíguo de entusiasmo e desânimo. Entusiasmo por saber que há possibilidades concretas e viáveis, as quais inclusive poderiam trazer uma série de benefícios extras, e que há muitas pessoas preocupadas e pesquisando seriamente estas alternativas. No campo da energia elétrica e da agricultura, o número de publicações especializadas sobre o assunto é imenso, e em inúmeros casos os pesquisadores e técnicos descem a níveis de detalhe impressionantes, analisando a viabilidade econômico-financeira das alternativas, apresentando sugestões de políticas públicas bastante específicas, ou descrevendo as barreiras a serem vencidas. Desânimo por sentir que não só o governo, mas todo o rolo compressor e formador de opinião, composto pelo empresariado brasileiro e a grande mídia corporativa, farão de tudo para que usinas hidrelétricas como Belo Monte, no Xingu, e Jirau e Sto. Antônio, no rio Madeira, saiam do papel o mais rapidamente possível. E isto a que custo seja, mesmo que atropelando as leis, o IBAMA e a ministra Marina Silva, que, aliás, está tornando-se cada vez mais meramente decorativa (embora pudéssemos estar até muito piores sem ela). As recentes declarações de Lula atestam bem para o fato. Porque tal insanidade se perpetua em nossa sociedade? Uma boa resposta foi dada por Al Gore em seu filme, “Uma verdade inconveniente”: “É impossível fazer alguém entender uma coisa, se este alguém é pago para não entendê-la”.

 

 

Rogério Grassetto Teixeira da Cunha, biólogo, é doutor em Comportamento Animal pela Universidade de Saint Andrews.

E-mail: rogcunha(0)hotmail.com

 

Para comentar este artigo, clique comente.

 

Recomendar
Última atualização em Sexta, 27 de Abril de 2007
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates