Lógica para exclusão da Petrobras da exploração de novo petróleo é absurda

 

É preciso prestar muita atenção ao balão de ensaio que o governo lançou na semana passada, já noticiado pela grande mídia.

 

Ministros da área energética declararam "em off" que Lula pretende excluir a Petrobras da exploração do petróleo recém descoberto na região de Santos.

 

Argumento: a exploração dessas áreas daria à Petrobras uma força muito grande, o que poderia levá-la a contrapor-se ao próprio governo, como aconteceu com sua congênere venezuelana PDVSA. Como a Petrobras tornou-se uma empresa mista, interesses privados passariam a influir indevidamente nas políticas públicas.

 

Solução: Criar uma companhia estatal para contratar a exploração dos novos poços com empresas privadas.

 

A Petrobras não pode explorar esse petróleo porque tem sócios estrangeiros, mas, recebendo um contrato de uma nova estatal, estrangeiros, sem um único sócio brasileiro, podem explorá-lo. Qual a lógica? Nenhuma.

 

Qual seria, pois, a verdadeira lógica de proposta tão absurda? Medo do governo brasileiro de enfrentar a pressão externa para apropriar-se desses recursos.

 

Dourando a pílula com o exemplo norueguês, afirma o senador Aloizio Mercadante em artigo ambíguo na edição da Folha de S. Paulo de 10 de agosto, pág. A3, que o Brasil deve seguir o modelo daquele país: criar um fundo estatal para gerir os rendimentos dos poços de petróleo.

 

Ótimo! Crie-se o fundo (ou empresa estatal, na terminologia dos "altos assessores") e entregue-se a exploração à Petrobras.

 

Isso sim seria o modelo norueguês. Lá, o fundo (ou empresa estatal) gere o patrimônio e a estatal – Petroro – explora o petróleo.

 

De acordo com a proposta, a Petrobras, que fez caríssimas pesquisas e desenvolveu a tecnologia de exploração submarina, será alijada dessa riqueza.

 

As forças nacionalistas precisam articular-se urgentemente para deter esse novo assalto do imperialismo. Antes de mais nada, convocar esses ministros e altos assessores, que falam em "off", para que mostrem suas caras.

 

O "balão de ensaio" deve ser detonado antes de tornar-se um fato consumado.

 

Plínio Arruda Sampaio é diretor do Correio da Cidadania.

 

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Comentários   

0 #5 O balão de ansaio?!Boris Meresseiev 14-08-2008 12:43
Meu caro PAS, diretor. Paz. É muito bom ouvi-lo. O petróleo é nosso, é óbvio. O balão de ensaio está, muito bem, detonado. Os seus “off” estão enviesados: o argumento, a solução, a verdadeira lógica. O Mercadante não dourou a “ambígua” pílula. A Petrobras, apesar da herança maldita, é a fonte dos grandes investimentos estratégicos, na conjuntura atual. A Petrobrás voltará a ser nossa. Sim, o “modelo norueguês”! Taxação grande, lucros pequenos e o governo recomprando as ações! Você defende a Petrobrás e fala em nacionalismo. O PN Batista Jr também! E vamos à luta, como diziam os antigos: nacionalistas só dois, os militares e os “comunistas”! Parabéns.
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0 #4 Não é absurdo. É apenas coerente com os Sidnei 13-08-2008 03:57
Vejamos pelo lado positivo: cria-se uma estatal. Teremos mais uma a ser privatizada e dar um "lucrinho". São barbáries desse tipo, cometidas dia-a-dia, que tornaram-se marca registrada desse pessoal. Já que soltaram o balão de ensaio, vamos brincar de explodir o balão. E urgente.
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0 #3 Não tem sentidoAntônio 12-08-2008 20:18
O problema está no fato de a Petrobrás não ser brasileira somente. Mais uma papagaiada do Sr. Fernando Entreguista Cardoso. O governo deveria fazer o maior esforço para recuperar a parte entregue de graça aos investidores estrangeiros. Considero correta a decisão de excluir as novas descobertas de qualquer leilão para exploração.
E também faço um alerta: qualquer país do mundo, rico em petróleo tem essa riqueza como um patrimônio de todos. Porque no Brasil a gente tem essa dúvida?
A quarta frota americana anda rondando o Atlântico Sul. Por que será? Com a palavra o sr. Ministro da Defesa.
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0 #2 Petróleo, um horizonte curto e submissãoTrajano Gracia 12-08-2008 16:34
A possibilidade de impedir a Petrobrás em explorar o que resta para um período de se apresenta como algo máximo de meio século, mas com a crescente ocupação de derivados do petróleo em produtos de maior sustentabilidade como a madeira, minerais regionais, isto significa entregar esse colossal recurso para grandes empresas transnacionais e mesmo algumas nacionais.
A preocupação do professor Plínio é uma contestação que não pode ficar apenas como uma indignada manifestação em canais que acolhem essas manifestações de soberania.
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0 #1 O abstrato e o quê?Rogério Guiraud 12-08-2008 15:55
Caro Sr. Plínio Arruda Sampaio
Esses gestos políticos fazem parte do jogo que Maquiavel tanto apreciaria.
Só temos uma forma de lutar contra os gigantes que enfretamos: tomando consciência para tomarmos posse do que é nosso conhecendo o VALOR REAL que isso representa, tirando a discussão da abstratação para a maioria dos brasileiros mas, muito concreta para o resto dos embatedores.
Só a imprensa tem o poder de nos informar o quanto e em que e para quem o petróleo será convertido. Escolas, hospitais, moradias, alimentação, lazer, transporte, acesso ao mundo tecnologizado e os sonhos, que estes já o temos!
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