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Teorias sobre capitalismo e socialismo Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Segunda, 21 de Julho de 2008
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Qual das teorias sobre a China se aproxima da verdade? Capitalismo selvagem? Capitalismo de Estado? Socialismo de mercado? Apêndice das necessidades do capitalismo global? Modelo capitalista oriental? E o que tem a primazia das forças produtivas a ver com a China e o socialismo? Nenhuma dessas questões pode ser respondida sem uma compreensão razoável sobre a história e sobre o processo interno de desenvolvimento do capital.

 

Do ponto de vista histórico, está em voga a teoria de que o capital existe desde o momento em que ocorreu uma forte acumulação financeira em algumas regiões do mundo. O capital seria dinheiro em processo de acumulação, pouco interessando saber se a forma utilizada foi o comércio, as pilhagens, a especulação, a indústria etc.

 

Tal acumulação financeira ocorreu durante o mercantilismo, em algumas regiões da Europa e na China, a partir do século XI. A luta entre os mercadores e os feudais tornou-se intensa nessas regiões. Nos reinos em que a monarquia se aliou aos mercadores, estes submeteram os feudais e se jogaram nas conquistas marítimas.

 

Na China, os mercadores haviam alcançado a Índia e a África antes dos europeus, com navios maiores e mais modernos. Porém, ao invés de submeterem os feudais, por meio da aliança com a monarquia, viram os Ming dividir-se em meio às disputas internas e serem derrotados pelos feudais manchús, que impuseram seu domínio e impediram a China de participar do mercantilismo.

 

Do ponto de vista histórico, o dinheiro poderia dar surgimento ao capital em qualquer lugar onde tivesse sido acumulado pelo mercantilismo. Mas a condição para isso era a existência de grandes massas desprovidas de meios de produção e de vida. O capital só se desenvolve onde é possível unir o dinheiro ao trabalho assalariado. Não é por acaso que isso ocorreu primeiro na Inglaterra, onde houve uma intensa expropriação das terras e demais meios de produção dos camponeses, deixando-os livres para serem explorados pelo dinheiro, através do salário.

 

Marx descobriu que essa transformação se dá no processo de produção. É aí que a força de trabalho se une ao dinheiro para gerar um valor a mais, ou lucro. Mas essa é uma unidade de opostos, inclusive entre os capitalistas. Estes, para sobreviver, têm que elevar a participação das máquinas e técnicas na produção, e reduzir a participação dos trabalhadores.

 

Deixado ao arbítrio de seu desenvolvimento interno (o que muitos chamam mercado), o capital tende a desenvolver-se até o ponto em que não precise mais do trabalho humano. Do ponto de vista econômico, isto seria seu suicídio, pois não teria como gerar lucros e acumular. Do ponto de vista social, seria uma tragédia completa.

 

Mas o desenvolvimento do capital não se dá isento das injunções históricas. Ele surgiu primeiro num país, e sua evolução nos demais é muito desigual, só aos poucos impondo suas características essenciais. A dialética da história é diferente da dialética do desenvolvimento interno, com inúmeros momentos em que uma espera a outra para realizar-se, causando transtornos à interpretação dos fatos.

 

Sem compreendermos isso, fica difícil não só explicar os caminhos distorcidos do capitalismo, como os caminhos, talvez ainda mais tortuosos, do socialismo.

 

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

 

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