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Negligência com a saúde pública resultou no abandono da população do Norte Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Sexta, 18 de Julho de 2008
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Em um momento no qual o país se encontra envolto em escândalos financeiros, o problema da saúde pública segue vigente e registrando acontecimentos vexatórios para a nação. Desta vez, com a morte de 253 bebês na Santa Casa de Misericórdia de Belém, capital do estado do Pará, somente em 2008. Lamentavelmente, a informação não surpreende quando se constata que 30 dos 143 municípios do estado não possuem um médico sequer.

 

Para tratar do assunto, o Correio da Cidadania conversou com o médico José Antonio Cordero, presidente do CREMAPA - Conselho Regional de Medicina do Pará. Duro em suas críticas, ele aponta a total ausência de políticas públicas na área, aliada a seguidos equívocos de gestão, como razão para a trágica situação da instituição e da saúde na região. Solicita ainda que tanto o governo federal como os centros mais poderosos economicamente passem a olhar de forma realmente séria para os problemas da região Norte.

 

A entrevista completa pode ser conferida a seguir.

 

Correio da Cidadania: O que aconteceu na saúde pública do estado para que se chegasse a tal quadro, como o que vemos na Santa Casa com as mortes dos recém-nascidos?

 

José Antonio Cordero: Primeiramente, não é diferente no Brasil inteiro. No Hospital das Clínicas de Porto Alegre, por exemplo, há espera de 30 pacientes num espaço para 20. O problema todo é que, se a saúde publica não for colocada como prioridade, o caos existirá, seja em São Paulo, Porto Alegre ou Curitiba.

 

O que acontece é que não houve gastos na área, a rede ficou sobrecarregada e não existem investimentos em recursos humanos. Nós da área da saúde ganhamos pouco, trabalhamos muito e não somos reconhecidos profissionalmente, pois o que se paga para um médico e qualquer profissional da saúde é irrisório perante a complexidade dos nossos dados e a responsabilidade que temos com a população.

 

CC: Que medidas podem ser tomadas para que se comece a reverter o quadro da saúde no estado do Pará, tanto no curto como no longo prazo?

 

JAC: Eu acho que é preciso priorizar os programas de atenção básica, especialmente na área da infância e da saúde materna. Estabelecer também programas efetivos para a área de doenças infecto-contagiosas, como hanseníase, tuberculose, e um controle maior de prevenção a doenças degenerativas, como câncer e diabete, pois o diagnóstico dessas doenças se faz através da atenção básica, ou seja, a estratégia de saúde para a família.

 

Algumas atitudes já começaram a ser tomadas, com melhor controle de infecção hospitalar, melhoria no espaço e contratação de médicos e enfermeiros, pois há também uma falta de pessoal qualificado. Houve uma política de redução de profissionais e depois foram contratadas pessoas que ainda não tinham experiência.

 

CC: Como você analisa a questão da saúde pensando na Região Norte como um todo?

 

JAC: Vejo-a com muita preocupação, pois há mais de 5 anos o atual governo federal fez um planejamento para a região amazônica, pelas suas características e peculiaridades, mas até hoje o fator Amazônia no Ministério da Saúde não foi efetivamente implementado.

 

É uma região especial, que deve receber cuidados com seu ecossistema. Além disso, já temos prevalência de doenças plenamente evitáveis, como malária, leishmaniose, hanseníase e tuberculose. A nossa população é praticamente desassistida, principalmente no interior dos estados, pois não chega nada das políticas públicas de saúde.

 

Um exemplo, para ajudar na compreensão do contexto local: em São Paulo, pode-se ir de Ribeirão Preto para a capital em 3 horas de ônibus; aqui, para ir até a segunda maior cidade do estado, leva-se 1 hora de jato ou três dias de barco.

 

Os estados da região Norte são continentais, aqui mora gente, pessoas que também são brasileiras e que foram estimuladas a sair do Sul e do Nordeste para morar na região amazônica. E essas pessoas foram abandonadas. Onde está o saneamento básico? E a educação, lazer, transporte para escoar a produção?

 

Acho que é hora de o Sul maravilha e o Sudeste maravilha ouvirem a nossa opinião. As políticas são feitas em Brasília, mas a realidade é na Amazônia brasileira. E quem a conhece somos nós, que moramos na Amazônia brasileira, não somente no estado do Pará.

 

É muito fácil trazer investimento do Daniel Dantas, comprar um bocado de fazenda e promover trabalho escravo no Pará. Como fica depois, quem resolve alguma coisa?

 

Também vêm os madeireiros do Paraná, do Espírito Santo, desmatam a Amazônia e vão embora, deixando apenas buracos aqui para nós. E somos quase 9 milhões de pessoas que moram neste estado.

 

CC: Quanto a este grave problema dos investimentos voltados às madeireiras, ao agronegócio etc., que se fazem no estado do Pará, eles evidentemente geram muitas riquezas. A alarmante situação social da região sugere, no entanto, que essa riqueza não é apropriada pela população local;

 

JAC: O estado realmente gera riquezas, mas é uma riqueza que extrai os minérios e deixa buraco. Só vai melhorar a qualidade de vida se pegar o produto do estado para transformá-lo em produto elaborado. Tira-se do estado a riqueza mineral, depois sobra o quê para nós? Sobra miséria, analfabetismo, má nutrição das crianças...

 

Por que se produz tanto aqui sem que nos sobre nada? As grandes mineradoras só servem para nos explorar, os grandes empresários engordam o gado e vão vender fora. Por que não se agregam produtos elaborados, para gerar renda de verdade a todos? O governo federal tem invadido demais a região Norte, todo mundo sabe disso. Nunca vi um governo tão desacreditado para nós como o atual, que fica dando bolsa-esmola. Dar 100 reais não resolve o problema das famílias.

 

CC: Ou seja, esse modelo adotado pelo governo de abrir territórios e regiões para todo tipo de exploração, em favor do grande capital, como ocorre na Amazônia, acaba se refletindo na vida dos cidadãos de forma a aumentar ainda mais as diferenças sociais.

 

JAC: Com certeza. Não se pode ter Belém e Manaus como parâmetro da Amazônia. Essas são duas grandes capitais, com quase 2 milhões de habitantes. É preciso conhecer o Xingu, a Transamazônica, as regiões sul e sudeste do Pará e por aí afora.

 

Para isso é preciso estar presente na região. Quando acontece um escândalo, aparece Exército, Marinha, Aeronáutica, um monte de gente do governo querendo aparecer, para depois ir embora, enquanto continuamos aqui. Todo mundo de Brasília vem passear, mas onde estão as soluções efetivas para a região e a política de investimentos?

 

CC: Mesmo sabendo que estamos diante de um problema estrutural que atinge a saúde do país inteiro, a quem você creditaria a responsabilidade imediata pelo abandono da Santa Casa?

 

JAC: Há uma política de falta de gestão, simplesmente. Chegaram lá e trocaram todo mundo sem que se ouvissem os quadros da Santa Casa. Não sei explicar por que, melhor perguntar para a secretária de Saúde do estado, a Dra. Laura Rosset, e ela terá todos os diagnósticos do problema que houve. Ela é uma pessoa séria e tem conhecimento da situação.

 

CC: O que você acredita que podemos esperar para os próximos meses, a respeito da saúde no Pará?

 

JAC: Agora, especificamente, com esse alerta, muda alguma coisa. Mas a questão não é exclusividade do Pará. Ano passado, houve problemas sérios em Pernambuco, Alagoas e Ceará. E agora há também a questão do frio em Curitiba e Porto Alegre. Lá, os leitos estão tomados, as crianças esperam mais de um dia para ser atendidas.

 

Portanto, o que falta é o governo parar de fazer superávit financeiro e investir em saúde. E isso não se faz gastando CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), e agora CSS (Contribuição Social para a Saúde), pois não resolve. Precisamos é de políticas sérias para a saúde, passando pela valorização do serviço do médico no sistema.

 

CC: Como o CREMAPA se posiciona em meio a todos esses acontecimentos e o que esperar dos responsáveis políticos?

 

JAC: Com essa transformação político-partidária, na qual se compram vereadores, prefeitos, deputados, com emendas ao orçamento, enfim, com todo este quadro, ainda não sei. Com tanto escândalo, não acredito que melhore a situação, pergunte ao Senado.

 

Precisamos efetivamente dar um choque de gestão na área. Isso passa, principalmente, pela valorização dos profissionais que nela trabalham. E o problema aqui não é diferente do existente no resto do país, como citei e reafirmo. Apesar de ser bom, não é somente o SUS que queremos.

 

Gabriel Brito é jornalista.

 

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Última atualização em Terça, 22 de Julho de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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