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Menos
estudada – pelo menos até bem recentemente - tem sido a nova divisão
internacional do trabalho de colarinho branco. Contudo, essa também tem se
modificado, desde os anos 1970, quando
tarefas mais simples, como registro de dados e digitação, começaram a ser
exportadas em massa da América do Norte e da Europa para economias de custo
menor como o Caribe e os países do sul e sudeste da Ásia; enquanto serviços
mais qualificados, como programação de computadores, começaram a ser exportados
do mundo desenvolvido para economias em desenvolvimento, tais como a Índia, as
Filipinas e o Brasil.
Em
2.000, o primeiro projeto destinado a mapear e medir o desenvolvimento de uma
nova divisão do trabalho internacional, num processo de informação
tele-mediada, foi lançado sob a sigla “Emergence”, que significa Estimation and
Mapping of Employement Relocation in a Global Economy and the New Comunications
Environment” (Estimativa e Mapeamento do Processo de Realocação do Trabalho na
Economia Global e no Novo Ambiente das Comunicações).
“Emergence”
foi inicialmente financiada pela Sociedade para Informação da Comissão Européia
a fim de promover pesquisa em 15 Estados, então membros plenos, além dos
candidatos: Hungria, Polônia e República Checa. Depois esse projeto recebeu
mais fundos para levar a cabo pesquisas semelhantes na Austrália, nas América e
na Ásia.
A
pesquisa desenhou um quadro multifacetado da nova, complexa e rapidamente
cambiante divisão internacional do trabalho no serviços de informação.
A
primeira pergunta do questionário era: até que ponto os empregadores estão
utilizando realmente as novas tecnologias para realocar o trabalho? Uma
pesquisa foi feita em 7.268 estabelecimentos, com 50 ou mais empregados, em 18
países europeus; e outra semelhante em 1.031 estabelecimentos de todos os
tamanhos na Austrália. A pesquisa observou sistematicamente os locais onde sete
serviços genéricos de negócios se efetuavam.
Esses
serviços eram: atividades criativas e geradoras de criatividade, inclusive
pesquisa e desenvolvimento; desenvolvimento de software; registro de dados e digitação;
funções de gerenciamento (inclusive administração de recursos humanos e
treinamento, assim como logística de manejo); funções financeiras; atividades
de vendas; e serviços ao cliente (inclusive aconselhamento e informação ao público,
assim como atendimento depois da venda).
Para
cada função, a pesquisa observava até que ponto ela era executada à distância,
usando ferramentas eletrônicas (“e-work”), e se este serviço era realizado na
própria firma ou terceirizado.
Os
resultados apresentaram um quadro expressivo da extensão em que tais serviços,
já no ano 2.000, haviam sido realocados. Na Europa, perto da metade de todos os
estabelecimentos já realizavam pelo menos uma função usando remotamente um link
de telecomunicação para cumprir a tarefa; cerca de um quarto o faziam na
Austrália.
Ainda
mais impactante que o alcance total do e-work é a forma tomada por ele. A
maioria da literatura sobre o trabalho remoto, telecommuting, teleworking, ou
qualquer outro pseudônimo para e-work, pressupõe que sua forma dominante seja o
trabalho interno (feito na própria firma). Contudo, esses resultados mostram
que o estereótipo do empregado e-worker que trabalha exclusivamente na firma é
uma das formas menos comuns. Mais ainda: o peso do e-working executado na própria
firma é grandemente ultrapassado pelo trabalho terceirizado como mecanismo para
organizar o trabalho à distância - 43% dos empregadores europeus e 26% de australianos adotavam essa prática.
Muito
da terceirização é executada na própria região da sede da firma (34,5%), mas um
número representativo (18,3%) usa firmas localizadas em outras regiões do mesmo
país e 5,3%, em firmas de fora de suas fronteiras nacionais. Essas realocações
de trabalho inter-regionais e internacionais (algumas vezes intercontinentais)
dão a chave para a geografia da nascente divisão internacional do trabalho nos
serviços eletrônicos (e-services).
Quais
os principais fatores que impulsionam esse movimento de buscar serviços fora
das fronteiras nacionais? No alto da lista, está a procura da especialidade
técnica apropriada. Somente quando ela já está disponível, fatores secundários
entram em jogo, tais como confiabilidade, reputação e baixo custo. Mais que
nada, é o fator competência que explica a importância da Índia como supridora
de “e-services”. Com sua vasta população, ela parece oferecer um quase
ilimitado suprimento de graduados em ciência da computação fluentes em inglês.
Uma pesquisa em duzentas das maiores companhias do Reino Unido, encomendada em
2.001 pela principal fornecedora
“out-sourcer”, descobriu que a Índia era a preferida de 47% dos gerentes
como centro de desenvolvimento em software no estrangeiro.
Já
há sinais, porém, de que o mercado indiano de softwares está superaquecido,
apesar da drástica queda da demanda norte-americana. Algumas companhias
indianas já se transferiram para posições intermediárias na cadeia produtiva e
estão, elas mesmas, destinando serviço a outros locais como Rússia, Bulgária,
Hungria e Filipinas.
Para
atividades de menor valor agregado, como registro de dados, países mais baratos
como Sri Lanka, Madagascar e República Dominicana têm se firmado como
alternativa de parceiros anteriores (Barbados e Filipinas). A China, com uma
população ainda maior e custo mais baixo do que a Índia e com a determinação de
conseguir um papel de liderança na “e-economy”, tem ganhado espaço.
Diferentes
funções da empresa requerem diferentes tipos de trabalhadores. Funções pouco
categorizadas, como registro de dados e serviços ao cliente, tendem a usar grande
número de trabalhadores que costumam ser mulheres; funções mais complexas, como
desenho de sistemas, geralmente empregam menor número de trabalhadores, em
geral homens.
Como as companhias dispõem para escolha de opções
globais, elas se tornam mais exigentes quanto a para onde ir, buscando
fornecedores ou lugares na base da excelência (“horses for courses basis”/cavalos
de corrida). Nesse processo, algumas regiões como Bangalore (Bangalore é o
exemplo clássico) desenvolvem reputação mundial de excelência em determinado
campo, enquanto outras ficam completamente superadas. Grandes regiões do mundo,
incluindo a maior parte da África Subsaariana e Ásia Central, foram
classificadas pelo projeto Emergence como “e-perdedoras”.
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