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Escrito por Paulo Passarinho   
Sexta, 04 de Julho de 2008
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Há alguns meses, o presidente Lula e ministros afirmavam que o país se encontrava "blindado" contra os efeitos da crise que se esboçava a partir dos Estados Unidos, em decorrência da chamada crise do seu setor imobiliário.

 

Trata-se de crise muito mais grave, envolvendo o sistema financeiro como um todo. Com a dessegmentação dos mercados financeiros, torna-se muito difícil a identificação precisa das dimensões de créditos financeiros concedidos, sem as devidas garantias oferecidas por empresas que se especializaram na expectativa dos lucros fáceis, viabilizados por um longo período de excesso de liquidez, valorização de ativos e expansão do crédito.

 

Nesta semana, quando divulgado o relatório anual do BIS - O Banco de Compensações Internacionais, interlocutor privilegiado dos bancos centrais de todo o mundo -, a descrição da complexidade do imbróglio pode ser avaliada a partir do seu seguinte trecho: "empréstimos de qualidade cada vez pior foram concedidos, e então vendidos para os crédulos e gananciosos, com esses últimos freqüentemente recorrendo à alavancagem (empréstimos junto a terceiros) e ao financiamento de curto prazo para elevar ainda mais os seus lucros. Somente isto já é uma grave fonte de vulnerabilidade. Pior, a obscuridade do processo implica que a localização final das exposições nem sempre é evidente."

 

Em outro trecho do relatório, é descrito que "a atual confusão no mercado dos principais centros financeiros do mundo é inédita no período do pós-guerra", e, ainda, "com o risco significativo de recessão nos Estados Unidos combinado com a alta acentuada da inflação em muitos países, crescem os temores de que a economia global estaria em algum ponto de virada. Esses temores não são improcedentes".

 

Mais claro impossível. O que não fica esclarecido é que nos últimos 20 anos, junto com a expansão formidável, e irresponsável, do mercado especulativo financeiro, a grande novidade apresentada pelos bancos centrais – cada vez mais comandados pelos "responsáveis" homens de confiança do próprio mercado - foi o desenvolvimento e a propaganda das virtudes de uma rotulada regulação prudencial, em torno dos chamados Acordos de Basiléia. Esses acordos objetivavam exigências de capital mínimo relativo, especialmente voltadas para os riscos de crédito e mercado, com atenção para os riscos de taxa de juros, de operações temerárias e de liquidez.

 

Talvez, por essa razão, o referido relatório faça menção a um "imenso sistema bancário paralelo". O que não deixa de ser também um verdadeiro absurdo, pois se o BIS se refere aos mercados de derivativos, não há como livrar de responsabilidades esses mesmos bancos centrais – e o próprio BIS – que não somente permitiram e incentivaram esses mercados, como difundiram a idéia de mecanismos regulatórios que inibiriam a eclosão de crises sistêmicas financeiras.

 

O fato é que a crise aí está, e as próprias autoridades mundiais das finanças admitem ignorar a sua extensão e todas as suas conseqüências.

 

Aqui no Brasil, com a política econômica comandada pelo Banco Central – por delegação do presidente da República -, nada foi feito para alterar a política iniciada em 1999. Mantivemos o tripé dos juros altos, câmbio flutuante e mega-superávits primários, com abertura financeira para especulador nenhum botar defeito.

 

Aproveitando a expansão da demanda asiática e a explosão dos preços das commodities minerais e agrícolas, ampliamos nosso saldo comercial, tivemos um alívio nas nossas contas externas e, com isso, passamos a experimentar uma maior folga para um crescimento interno da economia. Modesto ainda, mas um pouco superior ao do período de governo de FHC. No entanto, esse novo quadro já era suficiente para a propaganda ilusória de um novo tempo, por parte dos políticos que apóiam e se beneficiam do governo.

 

Agora, começamos a experimentar novamente a deterioração dessas contas externas. O saldo da balança comercial se reduz velozmente. Ainda que as exportações continuem a crescer, a velocidade de expansão das importações é muito mais acentuada. A correção da taxa de câmbio, extremamente valorizada e principal fator de estímulo às importações, passa a ser inconveniente, pois se teme o seu efeito sobre o nível de preços. A volta da inflação é a grande paranóia do momento, na tal economia blindada.

 

Contudo, o samba de uma nota só do Banco Central, com o seu remédio de alta na taxa de juros já está de volta, com a continuidade do irresponsável endividamento público.

 

Combinado esse quadro com a promoção do Brasil pelas agências de risco – e bota risco nisso - e os seus investiments grades, será difícil continuar a deter a valorização do real frente ao dólar. A não ser que a fuga de capitais especulativos volte a produzir uma desvalorização da moeda nacional.

 

Lula, de fato, se encontra em uma sinuca de bico. Tendo confiado no "trabalho excepcional" de Henrique Meireles à frente do Banco Central, atribuindo ao executivo do Bank of Boston o seu sucesso até agora, talvez valha a pena lhe sugerir uma leitura mais cuidadosa desse último relatório do BIS. A credibilidade dos banqueiros de toda espécie está em xeque.

 

Paulo Passarinho é economista e vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.

 

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