topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Estados Unidos: a terceirização da segurança Imprimir E-mail
Escrito por Virgílio Arraes   
Terça, 24 de Junho de 2008
Recomendar

 

No duplo quatriênio da política externa republicana, houve uma característica que sobressaiu bastante: a presença de mercenários nas frentes de guerra, ainda que sem compor diretamente as linhas de combate. Destinados em sua maioria à tarefa de segurança em áreas oficialmente controladas por governos títeres, aliados dos Estados Unidos, seus empregadores aproveitam-se da indefinição do status jurídico deles perante as autoridades judiciais norte-americanas, iraquianas e afegãs.

 

Isto permite uma desenvoltura sem precedentes no labor cotidiano e, por conseguinte, abusos contra a população iraquiana são constantes. Em setembro do ano passado, seguranças de uma delas atiraram contra 17 civis em Bagdá ao confundi-los com insurgentes. O dramático episódio não impediu, no entanto, que a empresa assinasse novos contratos com diversos entes do governo norte-americano como Guarda Costeira e Marinha.

 

Ao mesmo tempo, a indefinição do status possibilita às companhias contratantes flexibilidade no cumprimento da legislação trabalhista, visto que não se define se seria aplicada a dos Estados Unidos ou a do Iraque, por exemplo.

 

Embora os recrutados sejam bastante bem pagos, dado que são, de preferência, contratados reservistas – se possível, de tropas de elite -, não há normalmente assistência médica para os inválidos, nem seguro de vida para as famílias. Ataques a comboios são freqüentes e baixas também. No caso, a circulação seria autorizada pelas forças armadas, encarregadas de supervisionar o grau de periculosidade das áreas ocupadas, de forma que a responsabilidade se torna difusa.

 

No Iraque, em mais de cinco anos, o número de mortes de mercenários – somado aos dos demais terceirizados, ou seja, civis - ultrapassa o milhar, enquanto o de feridos supera os 13 mil. Com o objetivo de escapar da responsabilidade de indenizações de monta, as empresas justificam-se perante os tribunais com o seguinte argumento: elas atuam, em tese, sob diretriz do Departamento de Defesa, de modo que, isoladamente, não poderiam ser processadas – evoca-se, sob a luz do direito, a subjetividade da razão de Estado. Assim, a segurança do território e da população estaria acima de interesses individuais ou de pequenos grupos. Determinados eventos não poderiam sequer ser invocados publicamente, em virtude do sigilo de certas operações. Aceita a justificativa das companhias, a jurisdição passaria para outra instância, por envolver questões de segurança nacional.

 

Outro aspecto refere-se ao fato de que muitos contratos de trabalho não são assinados no território norte-americano - como, por exemplo, nas ilhas Caimão, colônia britânica, próxima de Cuba – e tampouco são executados lá, no caso Iraque e Afeganistão. Na prática, há um intricado entrelace entre questões trabalhistas e militares.

 

Além do mais, em decorrência do resultado da eleição presidencial em novembro, tais companhias procuram diversificar o seu ramo de atuações. Assim, uma das opções relaciona-se com o combate a terroristas vinculados ao narcotráfico, sob a supervisão de Washington. A maior parte das atividades seria executada no exterior.

 

Isto aprofundaria os laços comerciais com as grandes indústrias armamentistas e permitiria a elas atuar também fora da região médio-oriental. Nesse sentido, a América Latina é considerada o melhor mercado, especialmente por causa de países como Bolívia, Colômbia – onde o governo estadunidense deve gastar com elas mais de meio bilhão de dólares – e México, onde por meio do Plano México pretende-se aplicar cerca de um bilhão e meio de dólares.

 

Uma das vantagens deste tipo de terceirização é diminuir o desgaste da imagem governamental norte-americana. Ao mesmo tempo, dificulta-se a possibilidade de acompanhamento por parte do Congresso e ameniza-se a dificuldade de deslocar muitos efetivos militares, em vista dos percalços para novos recrutamentos. A princípio, a missão é proteger companhias multinacionais desdobradas essencialmente em atividades extrativas – petróleo e mineração.

 

Com o passar do tempo, podem dedicar-se a treinar agentes policiais de alto nível ou mesmo a prover a segurança de autoridades. Uma outra área interessante para elas, desde que o governo Bush passou a ampliar o raio de terceirização, refere-se às atividades de informação e contra-informação.

 

Ao contratar funcionários aposentados das agências de espionagem, como da CIA, por exemplo, as empresas adquirem um desembaraço jamais observado na história norte-americana ao agregar diversas atividades outrora consideradas exclusivamente de Estado. Como diziam os antigos romanos: quem guardará os guardiões?

 

Virgílio Arraes é professor de Relações Internacionais da UNB.

 

Recomendar
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates