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A origem da tragédia Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Qui, 19 de Junho de 2008
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Três jovens, sendo um deles menor de idade, foram assassinados com requintes de crueldade no último fim de semana de outono no Rio de Janeiro. Eles eram pretos, pobres e favelados. Não estavam armados e não pesava sobre eles qualquer acusação ou mandato de prisão. Apenas voltavam de uma festa e na pracinha da comunidade em que viviam tocou-lhes por azar o encontro fatal com a tragédia que os arrastou para o suplício e a morte.

 

Os algozes imediatos, militares fardados do exército brasileiro, também eram jovens. Um oficial, um sargento e nove soldados, todos na faixa dos vinte anos, estavam em serviço e cumpriam ordens, cuja cadeia de comando agora se perde nos meandros do mistério. Os que morreram, há o testemunho de vizinhos, foram espancados ainda no Morro da Providência e levados para um quartel do exército. A mãe de um deles padeceu a dor indizível de ver lá o filho ensangüentado. Depois, conduzidos em viaturas oficiais, foram entregues aos traficantes do morro da Mineira e os corpos, mutilados e crivados de balas, foram jogados no lixão de Gramacho.

 

A via crucis dos condenados – Providência, Panteão de Caxias, Mineira – é o trajeto da barbárie que causa espanto e horror ao cidadão. A tratativa, em plena luz do dia, entre fardados de uma instituição vetusta e os tiranetes do varejo das drogas ultrapassa os limites do aceitável. Não basta punir os responsáveis diretos. A promiscuidade aterradora é apenas a feição visível de uma promiscuidade maior: o contexto político gerador da tragédia.

 

Um senador e candidato a prefeito da cidade, correligionário do vice e preferido do presidente da República, é a espoleta do transtorno. Ele conseguiu descolar milhões em dinheiro público no Ministério das Cidades e no Ministério da Defesa a mão-de-obra do batalhão de engenharia do exército para tocar um projeto assistencialista de interesse de sua campanha eleitoral. Foi essa obra, que os moradores da comunidade estão chamando de maldita, que levou o exército a cumprir o papel de polícia no Morro da Providência.

 

A obra é um viveiro de irregularidades. O uso de dinheiro público em projeto de interesse particular não encontra amparo legal. O preço unitário é alto. Gastam na pintura e renovação de fachadas uma quantia que, pelos cálculos da Caixa Econômica, quase daria para construir uma casa inteira. A escolha dos beneficiários passou pelo crivo da igreja do senador. A presença dos militares do exército na construção de cenários para a propaganda eleitoral do candidato a prefeito é um absurdo completo.

 

O ponto culminante do amontoado de irregularidades é o uso do exército no papel de polícia. Pelo que dizem os jornais, o secretário de Segurança do estado do Rio de Janeiro não sabia e o próprio Comando Militar do Leste manifestara, por escrito, oposição ao que lhe foi imposto por decisão de Brasília. São informações que definem, com clareza, os principais responsáveis pelos fatos que agora provocam um clima de comoção nacional: o presidente da República e seu Ministério da Defesa.

 

A relação promíscua entre fardados e tiranetes do tráfico, partidos e governos, igrejas e máquinas eleitorais decorre do mal maior. É a cauda envenenada das instituições em sintonia com a promiscuidade política que impera no cerne do poder. O colunista Merval Pereira (O Globo, 17/6) está absolutamente certo: "o uso político do Exército para apoiar o projeto assistencialista do candidato a prefeito do Rio, o bispo Marcelo Crivella, no Morro da Providencia, está na origem da tragédia...".

 

Léo Lince é sociólogo.

 

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Última atualização em Qui, 19 de Junho de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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