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Candidatos de algibeira Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Quarta, 11 de Junho de 2008
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"O Rio não merecia esse espetáculo circense". A frase é do colunista Jorge Bastos Moreno e expressa com exatidão o espanto do cidadão carioca. A movimentação das máquinas eleitorais na pré-campanha para a prefeitura do Rio de Janeiro revela que a pequena política tomou conta dos grandes partidos.

 

Faz lembrar a definição do socialista João Mangabeira a respeito dos que se entregam ao que ele chamou de "governicho" de negócios. Segundo ele, "tais políticos não são nem democráticos, nem totalitários, nem liberais, nem conservadores, nem legitimistas, nem revolucionários. São tudo isso sucessivamente e da noite para o dia". Antiga de mais de meio século, a frase cai como uma luva para os acontecimentos noticiados nos jornais da semana.

 

A aliança, urdida em palácios, entre o PMDB e o PT, ruiu ao sopro de novos interesses. Tinha a solidez de um castelo de cartas. A manchete do jornal foi perfeita: "Cabral destroca Molon por Paes". Assim como a troca anterior, a destroca atual ocorre no interior da nuvem nebulosa dos negócios que controlam as alavancas do poder.

 

Transparência zero. Os caciques mandam e desmandam. Aos jovens ambiciosos, marionetes sorridentes no jogo dos tutores, resta-lhes obedecer sem tugir nem mugir. Carentes de luz e representatividade próprias, eles são candidatos de algibeira, máscaras novas para encobrir a face carcomida da velha política.

 

O novo "bom moço", Eduardo Paes, apesar de jovem, já é escolado nas regras do jogo. Filho do DEM, pupilo do César Maia, ele nasceu no útero da máquina municipal. Cresceu na máquina tucana e, pupilo do Marcelo Alencar, chegou a ocupar a secretaria geral do PSDB. Saltou para o trampolim da máquina do PMDB para ser candidato, agora na condição de pupilo do Sérgio Cabral. Ficou caladinho quando perdeu a vaga, agora recuperada graças ao Diário Oficial falsificado. Com tal trajetória de trampolinagem, dificilmente seria escolhido síndico em condomínio sério.

 

O "bom moço" preterido, o candidato do PT, é neófito na jogatina. Foi seduzido e abandonado pelo PMDB e agora enfrenta resistências no seu próprio partido. Os paulistas que mandam na direção nacional, calejados em tal prática, querem usá-lo como moeda de troca. E até o presidente Lula diz que, por ser amigo do ex-bispo, não poderá apoiá-lo. Fez por merecer. Como diz o ditado popular, passarinho que dorme com morcego acorda de cabeça para baixo.

 

As máquinas eleitorais, acoitadas nas máquinas dos governos e articuladas com a máquina mercante dos grandes negócios, acreditam no poder do dinheiro. Campanhas milionárias, alianças espúrias e candidatos de aluguel: essa é a fórmula na qual apostam para triturar a consciência do cidadão. Podem quebrar a cara. Afinal, a memória fresca dos bastidores sujos da pré-campanha deve servir como sinal de alerta para o cidadão, dono da última palavra nas urnas de outubro.

 

Cuidado com as campanhas milionárias. A experiência recente não deixa margem para dúvidas: elas são sempre financiadas com o dinheiro sujo. Cuidado com as alianças espúrias. Quem chamou de ladrão ao que agora é elogiado por estar na "base aliada" está comprometido com o vandalismo político. E, acima de tudo, muito cuidado com os candidatos de algibeira.

 

Léo Lince é sociólogo.

 

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