Lula e o Complexo de Maradona

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Lula anda se achando um Deus. Apoiado nos altíssimos índices de popularidade, o presidente assumiu ares de divindade. Só falta dizer que "nunca na história desse país houve um presidente como eu".

 

O programa do PT na TV, dias atrás, foi exemplar. Enquanto os apresentadores exibiam um partido que nos parecia coisa do passado, reminiscências de uma época que já não existe, de um entusiasmo que ficou sob os escombros da decepção, ainda era possível ver o programa com um misto de tristeza e de dó. Mas quando o presidente apareceu, o programa mudou. Estávamos diante de uma pessoa que falava de modo prepotente, que iria "fazer portos, aeroportos, hidroeléticas, hidrovias etc.", custasse o que custasse. A expressão facial traduzia de forma cristalina o que ia por dentro de sua alma. Parecia aquele general que falava com espírito semelhante, do tipo "prendo e arrebento".

 

O governo Lula levou a ganhos reais para nosso povo. Quando cheguei para morar no Nordeste com outros colegas, fomos parar em Campo Alegre de Lurdes, Bahia, divisa com Piauí. Não havia energia, TV, telefone, água, estradas, muito menos internet. Hoje tem tudo, embora já venha de outros governos, mas ainda não tem um sistema de água urbano. Os colegas da CPT que esses dias andaram por lá me disseram que, com a chegada da energia elétrica, o eletrodoméstico mais comprado nas comunidades rurais foi o tanquinho de lavar roupa. Realidade inimaginável há três ou quatro anos atrás.

 

São essas conquistas reais que têm modificado para melhor a vida da população mais pobre. Entretanto, aqui nas comunidades da borda do lago, que também melhoraram de vida, o risco real é serem expulsos de suas áreas para dar lugar a projetos megalomaníacos, inclusive para a cana irrigada, da mesma forma como aconteceu no regime militar. É nesses projetos, nessa concepção de desenvolvimento, que Lula diz levar à frente custe o que custar, que seu governo adquire a cara do regime militar, inclusive seu espírito assustador e autoritário.

 

A expulsão das comunidades, a desestruturação de suas vidas, tem sido uma dura realidade desse governo. Talvez exista a intenção depois de lhes dar uma bolsa família ou outra compensação social.

 

Essa marca da destruição das comunidades tradicionais e da privatização dos bens naturais – florestas, água da transposição etc. - ainda vai ser mais bem analisada quando sairmos do governo Lula. Talvez aí Lula descubra, ainda que tardiamente, a exemplo de Maradona, que Deus é um só.

 

Roberto Malvezzi (Gogó) é coordenador da CPT.

 

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