Desenvolvimento agrícola chinês

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Apesar dos ajustes agrários e sociais em curso, a agricultura chinesa confronta-se com algumas limitações difíceis de superar. Mesmo que não estivesse sendo pressionada pelo desenvolvimento urbano, sua área de plantio não tem possibilidade de ir muito além dos 130 milhões de hectares, por problemas de relevo físico e fertilidade do solo.

 

É verdade que, mesmo diante de tais limitações e fazendo uso de tecnologias tradicionais, os camponeses chineses conseguem produtividades relativamente altas por unidade de área. Em 2007, produziram 501 milhões de toneladas de grãos (arroz, trigo, milho, soja, sorgo etc.), 6 milhões de toneladas de algodão, 30 milhões de oleaginosas, 99 milhões de cana-de-açúcar e 52 milhões em produtos da aqüicultura. No entanto, uma produção portentosa como essa ainda é relativamente baixa, em termos per capita.

 

Outro dado importante é que, naqueles 130 milhões de hectares, trabalham 350 milhões de lavradores. Algo em torno de 0,37 hectares por lavrador. Num quadro como esse, introduzir técnicas agronômicas científicas na agricultura chinesa, elevando a produtividade por área e por trabalhador, pode significar o aumento do excedente de mão-de-obra, um problema que já afeta a China, como um todo. Atualmente, para manter a taxa de desemprego em 4%, ela precisará criar, em 2008, 10 milhões de empregos urbanos e 8 milhões de empregos rurais.

 

Apesar dessas dificuldades, a única forma de a China manter sua agricultura como "fundamento da nação", na expressão do seu atual governo, consiste em elevar, de modo sustentável, sua produção de grãos, carnes, leite e óleos, de modo a atender ao crescente poder de compra de sua população. O que implica acelerar o desenvolvimento científico e tecnológico da agricultura, melhorar as variedades de grãos, desenvolver a pecuária e a aqüicultura, melhorar as práticas agronômicas e desenvolver a infra-estrutura agrícola, em termos de suprimento de água, irrigação, energia elétrica, telecomunicações, rodovias, proteção ambiental e cultura.

 

Mas nada disso será possível se as rendas rurais não forem elevadas, se as empresas industriais e comerciais de cantão e povoado não forem capazes de absorver os excedentes da força de trabalho agrícola, se a educação vocacional e técnica das populações rurais não for elevada, se as ações de alívio da pobreza rural não forem intensificadas e se os serviços públicos de seguridade social não forem capazes de atender aos desafios do aumento da produtividade estrutural de sua agricultura.

 

Assim, não é por acaso que o atual movimento de ajustes na agricultura chinesa esteja tomando, como ponto de partida, não as medidas de caráter estritamente econômico, mas principalmente as medidas de caráter social. Somente com uma base social mais sólida, a agricultura chinesa poderá dar um novo salto.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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