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Projeto Kirchner em perigo Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 30 de Maio de 2008
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Apesar de as forças de esquerda ganharem a maioria das eleições na América Latina, nem sempre isso se traduz em mudanças estruturais nos países. Grande parte dos eleitos segue fielmente os preceitos neoliberais. Promovem algumas medidas sociais compensatórias, mas os grandes interesses continuam intocados. Aqueles governos que ousam adotar soluções heterodoxas, intervindo na economia para garantir o desenvolvimento e reduzir as desigualdades, têm de comer o pão que o diabo amassou.

 

Foi o que aconteceu com Chávez, na Venezuela, alvo de um golpe de Estado; com Morales na Bolívia, onde os cinco estados mais ricos empenham-se numa autêntica rebelião separatista; com Rafael Corrêa, no Equador, em permanente luta com uma assembléia hostil.

 

Agora, chegou a vez de Cristina Kirchner, na Argentina. Tendo assumido a presidência no início do ano, ela é uma continuadora do projeto de desenvolvimento do Estado argentino de Nestor Kirchner, seu antecessor e marido.

 

Quando Kirchner assumiu, em 2003, a Argentina estava na bancarrota, com um PIB de 20% negativo. Nos 5 anos do seu governo, este quadro mudou radicalmente. A taxa média de crescimento da Argentina alcançou 8,7% - a mais alta do hemisfério ocidental, três vezes maior do que a média da América Latina. A pobreza foi reduzida de 54% para 23% da população. E o desemprego caiu de 21%, em 2002, para 8,5%, em 2007.

 

Para conseguir esses resultados, Kirchner rompeu com o FMI e contrariou os mais caros princípios dessa instituição. Forçou a renegociação de 75% da dívida externa de 178 bilhões de dólares para 1/3 do seu valor. Baixou os juros para menos de 10% ao ano – estimulando a indústria - e criou um imposto sobre as exportações de grãos que indiretamente atingia também a carne. Isso forçou a desvalorização do peso e a apreciação do dólar, tornando as exportações mais competitivas. No caso da soja, mesmo com o imposto de 35%, os lucros eram muito compensadores, pois rapidamente o cultivo desse cereal alcançou 50% da área plantada no país.

 

Claro,o projeto Kirchner teve de enfrentar forte oposição interna e externa. Mas o ataque principal veio agora. Com a grande elevação do preço internacional da soja, Cristina Kirchner decidiu elevar também a taxa de exportação para 42%. Além de contribuir para manter o dólar apreciado e o peso desvalorizado, buscava-se aumentar os recursos para programas sociais e impedir uma exagerada escalada da exportação do cereal e o seu conseqüente desaparecimento do mercado interno.

 

Os agricultores, aliados aos pecuaristas, reagiram com um "lock-out", seguido pelo bloqueio de centenas de estradas da Argentina, impedindo o abastecimento de Buenos Aires e outras cidades, não só de cereais, mas também de carne. O que é muito grave, pois como diz o jornal inglês The Independen: "privar os argentinos de bifes deixa-os na pior das disposições; seria o mesmo que privar os italianos de massa e os franceses de queijo".

 

Essa situação durou 21 dias e, juntamente com a escassez, trouxe um aumento da inflação, já alta no início do governo de Cristina Kirchner. Estima-se que passe de 20%.

 

O governo reagiu, fazendo concessões. Os 62 mil pequenos produtores foram beneficiados com a devolução automática do imposto de exportação e a oferta de créditos em condições facilitadas no banco estatal.

 

Por sua vez, os agricultores concordaram em suspender temporariamente suas ações enquanto se procurava um entendimento com as autoridades. Mas não se chegou a um acordo. E o "lock-out" foi reiniciado.

 

O governo está em situação difícil. Mesmo que os pequenos agricultores saiam do movimento, os grandes são suficientes para deixarem as prateleiras dos supermercados vazias. Há uma extrema concentração da propriedade agrícola na Argentina. No caso da soja, por exemplo, 20% dos fazendeiros detêm 80% da produção, sendo que 2,2% respondem por 46%.

 

Por enquanto, a indústria, o comércio e as empresas de serviços estão fora, limitando-se a fazerem apelos pela concórdia. Estes setores parecem conscientes de que seu grande crescimento deve-se à política econômica dos Kirchner.

 

Agora, porém, as associações agropecuárias fizeram um apelo para que a indústria e o comércio do interior também adiram ao "lock-out". E têm chance de serem atendidos, pois dominam a política local.

 

O governo encontra-se fragilizado. O povo responsabiliza-o pela inflação e a escassez de alimentos. Haja vista a fulminante queda de popularidade de Cristina Kirchner, cuja aprovação despencou de 56% em fins de dezembro para 26% em maio.

 

Para a deputada Patricia Vaca Narvaja, vice-presidente do Legislativo, a revolta do campo não é uma "reivindicação pontual", de redução da taxa de exportação, mas um confronto com o modelo econômico da era Kirchner.

 

Tudo indica que ela deve ter razão.

 

Novas concessões feitas por Cristina em 29 de maio foram repelidas pelas lideranças rurais que sequer as examinaram. Com o apoio popular, sentem-se fortes para exigir o que mais lhes interessa que é a revogação total do imposto sobre exportações de "commodities", visando aumentar seus lucros. A sobrevivência de um projeto que tirou a Argentina do buraco depende da capacidade do governo resistir.

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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