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Para retomar as privatizações, governo de SP fragiliza movimento sindical Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Terça, 20 de Maio de 2008
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No transcorrer das duas últimas semanas, uma notícia golpeou o universo sindicalista: a demissão, por parte do Banco Nossa Caixa, do funcionário Dirceu Travesso. De trajetória notória nas lutas sindicais e sociais, a demissão é vista como uma clara retaliação à sua participação nos embates pelos direitos dos bancários, que, aliás, estão em processo eleitoral em seu sindicato no estado de São Paulo.

 

Em entrevista ao Correio da Cidadania, Didi, como é conhecido, explica as razões que circundam sua saída, alerta para as intenções do governador José Serra em privatizar estatais de todos os setores e convoca o movimento sindical a se unir e debater idéias, sem permitir a interferência patronal.

 

Confira a seguir a entrevista de Dirceu Travesso, também membro do PSTU e candidato a governador e prefeito de São Paulo em eleições passadas.

 

Correio da Cidadania: O que motivou sua demissão e que significados existem por trás dela?

 

Dirceu Travesso: No dia em que fui despedido, foi um gerente regional me entregar a carta de demissão. Perguntei se era por algum tipo de avaliação do banco e ele me disse que não, ou seja, não havia justificativa. Tratava-se de decisão institucional, conforme palavras usadas por ele mesmo. Temos claro que na verdade há uma disputa em torno do projeto do que deve ser o Banco Nossa Caixa, público diga-se. E há também minha história envolvida. Estou na militância desde o fim dos anos 70, quando entrei no movimento estudantil como parte do processo de reestruturação da UNE, depois participei da construção da CUT, da fundação do PT, enfim, sempre estive debatendo outros projetos para o país. Fui membro da executiva nacional e estadual da CUT, candidato a prefeito, a governador...

 

No entanto, sempre coloquei essas diferenças no campo institucional, seja do ponto de vista sindical, na luta cotidiana pela organização dos trabalhadores, ou seja, do ponto de vista político, apresentando uma alternativa de debate e discussão ideológica.

 

Sendo assim, acreditamos que minha demissão é um ataque frontal contra o livre direito de organização, em particular nesse momento, quando acaba de se aprovar a lei de legalização das centrais sindicais. Na verdade, só depois de décadas e décadas reconheceram legalmente as centrais, mas o fato é que elas já existiam há muito tempo, apenas não estavam legalizadas.

 

Dessa forma, quando se reconhece que a Conlutas é uma alternativa à esquerda nesse modelo sindical que aí está presente, vem um ataque como esse, que te manda para fora sem nenhuma explicação ou justificativa. E estão ocorrendo outras demissões nesse momento no banco. A explicação é corte e redução de custos, mas o critério adotado pela diretoria do banco é que sejam em princípio funcionários aposentados. Nós somos contra essas demissões, pois só aumentam o desmonte do banco público, prejudicam o atendimento à população etc. Se é para tirar os aposentados, que se faça com um planejamento a médio e longo prazo, a fim de que se possa contratar gente nova para o lugar desses funcionários e que estes possam organizar sua vida.

 

De toda forma, temos essa compreensão, de que, claramente, a demissão expressa uma punição pelo meu posicionamento e vai contra o direito de organização dos trabalhadores.

 

CC: E podemos considerar que esses ataques serão ainda mais recorrentes?

 

DT: Acho que já têm sido. Esse último período já tem se caracterizado por isso, uma dinâmica que infelizmente vem se reproduzindo. Para poder impor esses ataques, a retirada de direitos, o desmonte do serviço público, a reforma da previdência etc., eles têm a necessidade de fragilizar a possibilidade de resistência e de calar aqueles que, de uma forma ou outra, defendem um modelo diferente, outro projeto. Portanto, pensamos que infelizmente isso faz parte de tal processo.

 

A outra face disso, além das demissões, é a criminalização dos movimentos sociais. Mas isso, ao menos por um lado, desnuda e desmascara de forma categórica o discurso democrático, pois, se há uma democracia , por que os trabalhadores não têm direito de se organizar e levantar suas bandeiras de reivindicações, seus projetos? Essa é a exigência que estamos fazendo, que trata da questão de democracia em relação ao direito de organização dos trabalhadores.

 

CC: Pode-se dizer que existe uma estratégia deliberada, portanto, do governo do estado de enfraquecer o movimento sindical com vistas a aprovar mais privatizações?

 

DT: Eu acho que isso está bem claro. Não só no governo estadual, que é o centro desse processo (retomando a história das privatizações, a venda da CESP e tudo mais), mas infelizmente na política geral. Cabe a nós defender o direito de organização, uma base sindical, a possibilidade da participação política. Esse é o papel que temos a cumprir. Sem dúvida, esses acontecimentos são parte desse ataque mais global contra as conquistas históricas dos trabalhadores, tanto do ponto de vista das despesas públicas como dos nossos direitos.

 

CC: O movimento sindical tem condição de, no momento, se fortalecer mais para enfrentar essas questões?

 

DT: Acho que não, pelo contrário. Há uma crise no movimento sindical, de forma mais geral. Lamentavelmente, há um debate do movimento hoje sobre qual deve ser o projeto e a política. Setores importantes e fundamentais do movimento sindical infelizmente apóiam essas reformas. Há diferenças aqui e acolá, mas as privatizações têm ocorrido, tanto no governo estadual quanto no federal. Então, a maioria apóia essas políticas, o que acaba desarmando a possibilidade de unidade para se construir a luta e a resistência.

 

No caso da minha demissão, houve uma posição muito positiva do movimento sindical, entendendo que houve um ataque contra as centrais. Houve um posicionamento dos comitês centrais exigindo o reconhecimento da Conlutas, do meu mandato como dirigente lá e minha reintegração ao banco. Isso é um posicionamento da Intersindical, CUT, UGT, CPT, Nova Central Sindical, enfim, todas essas se posicionaram entendendo a minha demissão como parte de um ataque que deve ser respondido, exigindo respeito às centrais sindicais, à lei que foi aprovada, além da minha reintegração imediata.

 

CC: E como poderia começar a ser resolvida essa crise do movimento sindical?

 

DT: Pode ser resolvida com debate de projetos, uma disputa que terá de ocorrer num período próximo. Esse é um outro elemento decisivo do processo. O chamado que fazemos ao movimento sindical é o de que, apesar de todas as diferenças, quem tem de decidir o que acontece, quem dirige os sindicatos, são os próprios trabalhadores. Os patrões não têm o direito de interferir, nem através de cooptação nem por ataques e demissões.

 

Outro fato que não citei é o de que está aberto o processo eleitoral para o Sindicato dos Bancários de São Paulo. Desde 1988, não houve uma eleição desse sindicato na qual, de alguma forma, eu não tenha participado. Há 20 anos, em todas as eleições sindicais, ganhando e entrando na diretoria ou perdendo por poucos votos com uma chapa de oposição, sempre estive presente. E no meio desse novo processo eleitoral, sou demitido, caracterizando-se assim uma clara interferência naquilo que é direito da categoria bancária: a possibilidade de debater e decidir os projetos, ter uma base própria que discuta isso.

 

Nós da Conlutas estamos apresentando uma alternativa, que é o chamado pela unidade da esquerda, à Intersindical, para que possamos ter um projeto distinto, a fim de construir uma alternativa que mantenha um projeto ideológico de resistir ao neoliberalismo, que não aceite as privatizações e reformas neoliberais. Por fim, que também não seja somente a ala esquerda desse modelo a ter um projeto global de enfrentamento e resistência.

 

Este é o chamado que nós da Conlutas fazemos. E fazemos a todos que estão no movimento, que ressentem a liberdade de autonomia, pois são os trabalhadores que devem decidir, não os patrões. Estes não podem de maneira alguma interferir.

 

Que as centrais possam apresentar suas concepções e a classe trabalhadora possa definir o caminho, seja em uma eleição de sindicato, na escolha de filiação a uma central, nos acordos coletivos, no que for.

 

CC: Mas, aparentemente, a tendência é que essa liberdade em definir suas próprias políticas seja cada vez mais ferida pelo governo.

 

DT: É o mais provável. Para atacar, precisam fragilizar nossa organização.

 

CC: Comenta-se que Serra planeja, até o fim do seu mandato, privatizar todas as empresas ainda estatais. Devemos mesmo temer por isso?

 

DT: Ele mandou um projeto para a Assembléia Legislativa, no qual listou 18 estatais e estabeleceu um prazo para que se comece um processo de privatização. Do metrô à Sabesp, passando pelo IPT, CESP, pela Nossa Caixa e pelo CDHU. Dessa forma, podemos esperar que todas essas privatizações sejam levadas adiante.

 

CC: Nem a interrupção da privatização da CESP ajuda a barrar esse processo?

 

DT: Sim, claro que ajuda. Essa foi uma derrota deles. Agora, o fato de ganhar uma batalha no meio da guerra não significa que esta tenha acabado, muito pelo contrário. Eles vão novamente retomar a negociação com o governo federal para tentar privatizar a CESP. E nós também vamos manter nossa postura do lado de cá, discutindo e participando.

 

CC: E é possível essa resistência surtir efeito?

 

DT: Acho que esse é o caminho, construir uma alternativa, o debate de um projeto do movimento sindical, de resistência e combate ao imperialismo e ao neoliberalismo. Um chamado à Intersindical e aos outros setores da esquerda para construir uma alternativa independente. E também aos setores populares, para discutir a lógica do projeto, a inaceitável legitimação de ataques que não respeitem minimamente os direitos de organização dos trabalhadores.

 

É o chamado que fazemos. No meu caso, é uma defesa pela minha reintegração, mas também uma defesa para que os trabalhadores tenham o direito de debater as diferenças apresentadas no movimento sindical.

 

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Última atualização em Quarta, 21 de Maio de 2008
 

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