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Pesadelo americano: Iraque unido Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 20 de Abril de 2007
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Entre  centenas de milhares que se manifestaram na xiita Najaf, no aniversário da ocupação do Iraque, havia, surpreendentemente, muitos clérigos e milicianos sunitas lado a lado com os xiitas e bradando com eles: “Fomos libertados de Saddam, agora precisamos ser libertados de novo. Americanos saiam”.

 

Não se viam símbolos xiitas ou sunitas, somente bandeiras do Iraque, o que foi visto como a intenção das duas comunidades de substituírem a guerra religiosa que as separa por uma guerra de libertação nacional que as uniria.

 

Desde o começo da ocupação americana, o aiatolá Sistani, suprema autoridade xiita, e o clérigo Motaqa Al Sadr, o líder dos xiitas radicais, tentam convencer xiitas e sunitas a esquecerem sua secular rivalidade para enfrentarem juntos o inimigo comum: o exército de ocupação.

 

Isso funcionou no massacre da cidade sunita de Faluja, quando os xiitas mandaram atiradores e suprimentos para a luta contra os fuzileiros navais – e em Najaf e Kutz, onde a milícia armada de Al Sadr, apoiada por sunitas, combateu nas ruas as forças da ocupação.

 

Mas o governo Bush  tratou de cooptar os xiitas, para afastá-los dos sunitas. Fez ver ao aiatolá Sistani que as tropas americanas se retirariam logo que a democracia se implantasse, o que levaria os xiitas – 60% da população – ao poder sem lutas. Refratário á violência, Sistani topou, exigindo, porém, que a passagem do governo para iraquianos fosse mais rápida. Bush teve de aceitar. A princípio, Al Sadr, que lidera uma milícia com cerca de 20 mil homens, persistiu na luta, mas acabou se integrando num partido xiita, sem deixar de exigir a saída a das forças estrangeiras.

 

Fora do acordo, a insurgência sunita intensificou seus ataques aos americanos e ao governo fantoche.

 

Como a Al  Qaeda era sunita e vinha se destacando, os militares baathistas tiveram de associá-la à insurgência.

 

A destruição da mesquita sagrada dos xiitas em Samarra, em fevereiro de 2006, atribuída à Al Qaeda, atiçou as chamas do ódio. Os xiitas retaliaram, incendiando mesquitas sunitas. Sistani e Al Sadr condenaram essas ações, apelando para que os xiitas defendessem as mesquitas sunitas dos seus bairros. Em vão. Longe de pararem, os ataques se multiplicaram de parte a parte, atingindo milícias, desempregados, funcionários, soldados, políticos, mesquitas etc. Levando o ódio mais longe, a AL Qaeda  lançou atentados contra bairros xiitas, matando centenas de civis inocentes e até sunitas.

 

O rompimento dos sunitas com a Al Qaeda parece ganhar força. Diz Abu Marwan, líder do Exército Muhajedin: “nós não queremos matar o povo sunita e nem xiitas inocentes e o que a Al Qaeda faz é contrariar o Islã. Atacaremos todos os que violarem os limites de Deus, seja a Al Qaeda, sejam os americanos”.

 

Com a Al Qaeda posta a escanteio pelos sunitas, os xiitas passam a aceitar uma união que deixaria de fora os assassinos de suas famílias. Além do que, não confiam mais nas promessas de liberdade de Bush.

 

Por sua vez, os sunitas vêem com bons os olhos as restrições crescentes dos xiitas a Bush. O aumento de 30 para 40 mil dos efetivos americanos desmente suas intenções de sair rápido. Parlamentares do Iraque exigiram um cronograma para a retirada americana que não teve resposta. Sensível a esses fatos, AL Sadr retirou seus 6 ministros do governo e seus 30 deputados do bloco majoritário, acusando o premier Maliki de recusar-se a fazer a vontade do povo .

 

A provável aliança xiita-sunita é um pesadelo para o governo Bush. Ela tornaria a insurgência mais forte, pois ganharia mais apoio da população, o qual, aliás, já conta com 79% (pesquisa da BBC). Por fim, acabando a rixa xiitas-sunitas, acaba a guerra civil, a ordem passa a ser perturbada apenas pelos terroristas da Al Qaeda, o que é pouco para se falar em “caos”. O Iraque poderá cuidar de sua segurança.

 

Se, daí, Bush sair, com um acordo que garanta as exportações de petróleo para os Estados Unidos, pode recuperar seu cambaleante prestígio interno.

 

Se ficar, terá, provavelmente, de enfrentar uma aliança xiita-sunita mais perigosa, causando um maior número de baixas. Mas Bush poderá seguir pressionando os legisladores iraquianos a aprovarem a nova lei do petróleo, que dá às multinacionais a  concessão de 85% dos poços, em condições que nem o dócil Kuwait aceita. E por 30 anos. Talvez até consiga.

 

É um sonho, facilmente convertível em pesadelo.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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