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Sem manutenção e regulação efetivas, apagões elétricos vão prosseguir Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Sexta, 09 de Maio de 2008
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Nesta entrevista com Carlos Alberto Reis, presidente em exercício do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, o Correio da Cidadania volta a dar espaço ao debate em torno da crise e dos rumos do setor energético brasileiro.

Para ele, a razão fundamental dos recentes apagões, especialmente no estado de São Paulo, é a falta de manutenção por parte das empresas responsáveis pela transmissão e distribuição de energia. Reis concorda com a afirmação da ministra Dilma Roussef de que o país não deverá passar por problemas no setor até 2010, mas somente no que se refere à geração de energia, pois se os órgãos reguladores do setor não pressionarem as empresas por uma melhora nos serviços citados, as chances de continuarmos vivenciando apagões seguirão grandes.

 

Confira a seguir a entrevista.

 

Correio da Cidadania: Como você analisa o atual quadro energético no Brasil e o que vem causando os recentes problemas com apagões, tão visíveis em São Paulo?

 

Carlos Alberto Reis: Primeiramente, isso ocorre pela falta de investimentos na ampliação da malha de transmissão e distribuição de energia. Depois, também há a manutenção, que tem sido defeituosa.

 

Temos percebido que os últimos apagões não ocorreram em virtude da falta de investimentos na ampliação da estrutura, mas sim pela mudança do modelo de manutenção das empresas, que abandonaram o cronograma de manutenção preventiva, passando a fazer somente a corretiva, baseada em índices de ocorrência. Sendo assim, não há um acompanhamento correto.

 

CC:Mas por que esses métodos de manutenção mudaram?

 

CAR: Ora, por custos. É sempre com a intenção de baixar os custos. Chegaram à conclusão de que, mesmo existindo multas por parte do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), e também sabendo que consertar um equipamento com defeito é mais caro do que tomar ações preventivas, era melhor optar por correr o risco, pois, assim, necessita-se de menos pessoal, disponibiliza-se a operação por mais tempo e a distribuição vai ter menos gastos. Depois, só quando aparece um problema é que vão resolver. No fim das contas, para eles é mais barato deixar a população sem energia por um tempo mesmo.

 

CC:A venda da CTEEP - Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista – não possui também uma forte relação com tal situação de esgotamento?

 

CAR: A venda da CTEEP é um exemplo claro do que estou dizendo. Quando ela foi privatizada, há mais ou menos um ano, tinha 2700 trabalhadores. Hoje possui 1200. Esses que saíram eram quase que em 70% funcionários da área operacional da empresa, de manutenção. Ficou evidente que, com a diminuição desse pessoal de manutenção, optaram por fazer algo do tipo ‘quebra, eu conserto’.

 

A CTEEP tem ainda um agravante: o produto dela é transmissão de energia. Uma linha alimenta vários bairros ou cidades. Uma linha da CTEEP alimenta três ou quatro cidades e, se há um defeito numa dessas linhas, a população atingida é enorme. É muito pior que no caso da distribuição, porque uma parte enorme da população fica sem energia. Sendo assim, os efeitos são muito prejudiciais, basta ver pelos últimos dois apagões.

 

CC:Dessa forma, vamos ter de nos acostumar com os apagões daqui em diante?

 

CAR: Sabemos que tardiamente a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) resolveu atuar. Aliás, as críticas que podemos fazer à Aneel são muitas. É um agente novo da área, uma agência que regularia o setor, defenderia a população desse tipo de coisa, mas que na verdade não faz nada. Agora, depois de três problemas enormes, resolveram atuar.

 

Mas veja só. Sabemos que o país está crescendo. Dessa forma, naturalmente, deve-se ampliar todo o setor: geração, transmissão e distribuição. Quando a economia cresce, mais locais vão ter demanda de energia.

 

A Aneel diz que fará linhas, resolverá os problemas, cuidará de licitações, entre outras coisas. No entanto, os problemas não estão na ampliação, mas sim dentro do que já existe. Não adianta, por exemplo, uma pessoa ter um carro que nunca vai para a manutenção e, ao perceber que o veículo está meio avariado, comprar um novo. Fica com dois carros, mas um está quebrado e não presta.

 

É nesse caminho que andam a Aneel e a Secretaria de Energia de São Paulo, que tanto afirmam que o setor precisa ser ampliado.

 

No entanto, se a Aneel, a ONS e o próprio governo interferirem nessas empresas e fizerem com que elas tenham o mínimo cronograma de manutenção preventiva, poderemos nos tranqüilizar um pouco. Caso contrário, continuaremos sofrendo com isso.

 

CC:E sobre a declaração da ministra Dilma, afirmando que até 2010 não teremos problemas de energia. Podemos acreditar nisso de fato?

 

CAR: Nesse caso, ela fala do ponto de vista macro. Foram construídas tantas usinas, tantas linhas de transmissão, então haverá suprimento. Nesse aspecto, ela está certa, pois choveu o suficiente, os reservatórios encheram. Portanto, em relação ao fornecimento e geração de energia, provavelmente não deveremos ter problemas até lá.

 

Porém, os problemas não estão na geração, mas sim muito próximos do consumidor, o que pode ser percebido quando acontece algum apagão, como esses relacionados à CTEEP e que afetaram muita gente. Falta energia na sua casa, num ponto da cidade, na minha, que é em outro, e assim por diante. Isso significa que um mau serviço está sendo prestado, o que se deve à falta de manutenção.

 

Então, quando a ministra diz, pelo ponto de vista macro, que não faltará energia, é verdade, muito provavelmente não mesmo. A energia, de fato, já está disponível para a população. Acontece que ela não vai receber essa energia porque o intermediário não faz a manutenção correta dos equipamentos ou, senão, o seu fornecedor direto, no nosso caso a Eletropaulo. É claro que a ministra não pode prever isso, mas de alguma forma pode pressionar as empresas a cumprirem seu papel de prestadoras de serviço. Uma mudança na política do ‘consertar só quando quebra’.

 

CC:De maneira geral, que soluções poderiam ser apresentadas para o setor, principalmente a longo prazo?

 

CAR: Como energia elétrica é um produto que se desloca na velocidade da luz e consequentemente o seu fornecimento é full-time, não podemos nunca dizer que determinado tipo de problema jamais ocorrerá. Mas podemos nos aproximar de um nível em que tal fato se torne algo bem mais ocasional.

 

Do ponto de vista macro, falando do parque de geração de energia elétrica no país, este deve simplesmente acompanhar o crescimento da nação. A conta que se faz é: o crescimento do país mais a soma de 2%. Portanto, se a previsão é crescer 5% em 2009, o acréscimo a ser feito na capacidade dos geradores de energia é de 7%. Este é o primeiro ponto: acompanharmos efetivamente o crescimento do país. Mas isso do ponto de vista macro, de modo que se acompanhe a geração, melhore a transmissão e faça a energia chegar aos consumidores.

 

O segundo ponto é que a Aneel e a ONS, os dois órgãos reguladores do setor, devem simplesmente agir como órgãos reguladores. Dirigir-se às empresas, dizer que o serviço não está bom por tais razões e apontar o que deve ser feito. Assim, acredito que chegaremos perto do ideal. Mas se nada disso for colocado em prática, continuaremos convivendo com essas situações.

 

CC: Pode-se dizer que as privatizações só levam a esse caminho, o da queda na qualidade do serviço prestado, ou pode ser diferente também?

 

CAR:O problema é que o modelo elétrico brasileiro é apoiado em dois pilares: um é o da universalidade, ou seja, todos têm direito a energia elétrica, e o Estado deve prover isso de alguma forma.

 

O outro pilar é relacionado às tarifas: a população tem direito a energia elétrica com uma tarifa que seja a menor possível. Isso gera um certo conflito de interesse. O país traz uma empresa, um agente estrangeiro para atuar no setor, e é claro que este vem para ganhar dinheiro. Depois de chegar, esse agente se depara com a realidade de que, com as tarifas baixas, não conseguirá obter o lucro desejado.

 

Se aparecer alguém que entre para investir na área com responsabilidade, tudo bem. Mas não se pode fazer como esse pessoal atualmente, que pensa assim: ‘Eu cobro tarifa baixa, então, se a população quiser um fornecimento qualificado, vai ter de pagar mais’. Assim não dá, energia elétrica não é como cerveja, que num dia podemos querer tomar e no outro não. Energia elétrica é necessária todo dia.

 

Não tenho nada contra que queiram ganhar dinheiro, mas, se o investidor não consegue obter os lucros que deseja com energia, que vá para outro setor. Nesse caso, o Estado tem a obrigação de intervir e suprir a população, até porque a energia elétrica é de certa forma um monopólio natural, não há escolha. Quem vier aqui tem de saber disso.

 

Se quem entrar no país puder compreender essa lógica, fornecer energia barata e com qualidade para a população, não fazemos tanta questão de que seja tudo estatal. Se respeitarem os direitos trabalhistas e pagarem bons salários, não há problema algum.

 

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Última atualização em Terça, 13 de Maio de 2008
 

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