topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Bazar do Abadia Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Qui, 08 de Maio de 2008
Recomendar

 

A imagem pública do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em tempos passados, já foi bem melhor. Era uma sigla que ancorava a idéia generosa de projeto nacional de crescimento sustentado, solidário e soberano. Fundado como banco público de fomento, ele costumava ter o seu nome associado ao esforço sério de desenvolvimento estratégico da economia brasileira. De uns tempos para cá, por obra e graça do ideário que comanda os cordéis da nossa pobre política, o banco vem mudando perigosamente de feição.

 

Um antigo presidente da instituição, Luiz Carlos Mendonça de Barros, pontificava ainda nos tempos do reinado Fernando Henrique: "Quem quer dinheiro? Quem quiser, basta se dirigir à Avenida Chile, 100. Aqui, no BNDES, só não vendemos a mãe". Segundo ele, o mais poderoso cofre da república, formado basicamente pelos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, era uma poupança privada, logo, deveria ser colocado à disposição da iniciativa privada. O Estado foi escorraçado de seu papel anterior, alavanca decisiva de um projeto nacional de desenvolvimento, sendo substituído pela primazia absoluta do poder privado. O banco, por um lado, esteve no cerne do processo de quebra dos monopólios públicos nos serviços essenciais, oferecendo grana grossa para os novos barões da privataria. Por outro lado, sempre orientado pela biruta do mercado, mergulhou no universo nebuloso dos negócios do varejo.

 

Dois acontecimentos que desde o início do ano freqüentam as páginas dos jornais são a prova provada da prevalência desta mesma linha no governo Lula. Um deles é a aquisição, ao arrepio da lei, da Brasil Telecom pela Oi. O meganegócio, que deve promover um novo rearranjo na estrutura de poder na telefonia brasileira, segue o mesmo modelo: financiamento do BNDES, participação dos fundos de pensão, sob comando dos novíssimos barões da privataria. O outro é o barraco armado pelas estripulias do grupo comandado pelo Paulinho da Força, que indica conselheiros para o banco e, depois, usa a influência destes para intermediar o varejo dos negócios. Há uma diferença de escala entre os dois imbróglios, um é bilionário e o outro é milionário, mas são duas faces de uma mesma política. Um deles já arrastou o BNDES para as páginas policiais e o outro, se investigado, terá o mesmo destino.

 

A propósito do escândalo que já vem sendo investigado pela polícia, o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho, fez uma declaração reveladora: "fazemos o possível, mas a partir de determinado ponto podem acontecer fraudes que estão além da nossa capacidade". Com trajetória de honesto e fama de inteligente, ele já deve ter percebido que o tal "determinado ponto" foi ultrapassado. E não apenas no caso em pauta. O dinheiro barato que, no vértice da pirâmide, financia meganegócios e o dinheiro fácil que alimenta o intestino grosso da pequena política são contrapartidas inevitáveis de primazia absoluta do privado sobre o público.

 

Andando neste compasso, o banco corre o risco de ser comparado com aquele leilão dos pertences acumulados no Brasil pelo famoso traficante internacional preso em São Paulo. A disputa deprimente (meias, bijuterias e até cuecas usadas) apareceu nos jornais. O lote dos bens mais valiosos (mansões, fazendas, aviões) foi adquirido no padrão silencioso. Um banco público, com a história do BNDES, não pode adquirir as feições de um gigantesco Bazar do Abadia.

 

Léo Lince é sociólogo.

 

Recomendar
Última atualização em Qui, 08 de Maio de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates