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Um país sério, que tem políticas sérias? Imprimir E-mail
Escrito por Antonio Julio de Menezes Neto   
Segunda, 05 de Maio de 2008
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Uma das principais avaliadoras de risco de investimento mundial, a Standart & Poors, elevou a nota do Brasil, dizendo que agora somos um país confiável para os investidores. Foi o chamado "investment grade". Isto quer dizer que o Brasil tornou-se confiável para investidores estrangeiros, pois o aval é dado pela capacidade de o país pagar as suas dívidas. Esta decisão deve trazer mais capital especulativo ao Brasil.

 

A nossa nova e boa "reputação", realizada para avaliar principalmente os riscos do capital especulativo, deixou o governo eufórico. O presidente Lula da Silva ficou tão orgulhoso que disse que "O Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e, por isso, passamos a ser merecedores de uma confiança internacional de que há muito tempo o Brasil necessitava"; e que "Eu jamais imaginei que poderia chegar aonde chegou, porque este cenário era a nossa obsessão". O presidente do Banco Central fez coro e elogiou a política econômica e monetária, destacando o superávit, o câmbio flutuante e as metas de inflação.

 

Ao mesmo tempo, o MST realiza diversas ações de ocupações de prédios públicos e terras protestando contra a quase total paralisação da reforma agrária no país. Denunciam, com razão, que o governo prioriza o agronegócio. O que deseja o MST e outros movimentos sociais do campo? Vida digna, trabalho, moradia, saúde, educação e produção de alimentos. Mas estas reivindicações não se transformam em dólar, não ajudam a pagar a dívida em dia, não melhoram o "investment grade". Apenas melhoram a vida do povo trabalhador/a e ajudam na produção de alimentos em uma época em que se pensa em produzir alimentos para automóveis.

 

Também, ao mesmo tempo, anuncia-se uma grande descoberta de petróleo no chamado Bloco Carioca. Porém, ficamos sabendo que a maior parte da produção do Bloco Carioca já é destinada às empresas transnacionais. Apenas 45% da produção será nacional, sendo que a Repsol (espanhola) possui 25% e a British Gás (inglesa) 30%. Isto porque desde 1995, através de emenda constitucional, empresas estrangeiras podem extrair petróleo em território brasileiro. Será que o governo Lula não suspende estes convênios para não piorar o nosso "investment grade"?

 

Concomitante à avaliação da Standart & Poors, a Unesco divulga relatório que coloca o Brasil na 79º posição dentre os países que estão cumprindo as metas da educação básica, com universalização do ensino primário, alfabetização de adultos, paridade entre sexos e qualidade da educação. No mesmo ranking, todos os países latino-americanos "não confiáveis" ao "investiment grade" aparecem na nossa frente. Assim, Cuba aparece em 21º, a Argentina em 27º, a Venezuela em 64º, o Equador em 71º e a Bolívia em 72º.

 

Muitos e muitos outros exemplos poderiam ser citados na área social. Por enquanto fico com estes para mostrar que, ao contrário da euforia do governo em agradar especuladores, deveríamos estar construindo um país soberano e socialmente sério.

 

Antonio Julio de Menezes Neto, sociólogo, professor, doutor em Educação e autor do livro: "Além da Terra: trabalho e cooperativismo na educação do MST" (Ed. Quartet, RJ).

 

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