Por uma Bolívia unida e justa

 

No domingo passado tínhamos motivos de alegria e de esperança para a América Latina, com a eleição de Fernando Lugo como presidente do Paraguai.

 

Neste domingo dia 04 de maio nos deparamos com sérias apreensões sobre o futuro da Bolívia, que vive momentos muito tensos de implantação de uma nova ordem constitucional, com riscos de sérias divisões internas que não descartam a hipótese do esfacelamento da unidade nacional. Isto preocupa.

 

O referendum do dia 04 de maio no Departamento de Santa Cruz tem a finalidade de aprovar os "Estatutos autonômicos", em base aos quais o Departamento implantaria uma "autonomia de fato" em relação ao governo central do país.

 

Iniciativas semelhantes estão previstas para dentro de um mês em outros três departamentos, Tarija, Beni e Pando. Juntos os quatro departamentos representam dois terços do território boliviano, um terço da população, e sessenta por cento da produção nacional. Os dados configuram bem a fisionomia do problema: uma grande extensão de terra, com pouca população, mas com muita riqueza.

 

Neste contexto, salta aos olhos a inquietação sobre as verdadeiras finalidades destes "referenduns autonômicos", num momento em que se quer implantar uma constituição que expresse a determinação de fundamentar a unidade nacional em torno de um projeto que contemple a igualdade de todos os bolivianos, e a destinação das riquezas naturais para benefício de toda a nação.

 

Mesmo na suposição da validade de legítimas autonomias, num país de composição geográfica e humana tão diferenciada como a Bolívia, e dada por suposta a legitimidade de consultas populares, permanece a interrogação sobre os reais interesses dos promotores destes "referenduns", neste momento delicado de implantação de uma nova ordem constitucional que a Bolívia está vivendo.

 

Neste contexto, merece divulgação o manifesto apresentado de maneira ecumênica por igrejas e outras instituições e organizações sociais. Ele começa por uma citação bíblica que expressa de maneira muito apropriada o espírito do manifesto: "Façam todo o possível para viver em paz, para que não percam a unidade que o Espírito lhes deu" (Ef 4,3).

 

De acordo com este manifesto, a Bolívia vive "uma perigosa polarização discursiva e prática em diversas regiões", que impede a serena manifestação da vontade popular.

 

Prossegue o manifesto dizendo: "Diante destes acontecimentos não podemos permanecer em silêncio, e expressamos nosso grito de unidade para todos os bolivianos e bolivianas, enquanto manifestamos também nossa rejeição a todo intento separatista, e convocamos para o diálogo e o debate pacífico para solucionar as diferenças existentes".

 

Com os signatários deste manifesto, assumimos as apreensões que eles expressam, fazendo votos de que o povo boliviano encontre solução pacífica para as tensões que está vivendo neste momento.

 

Esperamos, sobretudo, que seja afastada toda tentação de recurso às armas, evitando com determinação toda ameaça de guerra civil neste querido país que expressa de maneira tão contundente a fisionomia latino-americana.

No pleno respeito à soberania da Bolívia, fazemos votos que este país encontre o caminho da superação dos seus problemas, na convivência pacífica entre todos os cidadãos, na busca responsável do seu legítimo desenvolvimento e na legítima afirmação de suas diferenças regionais. Assim Deus o permita!

 

 D. Demétrio Valentini é bispo de Jales.

 

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Comentários   

0 #1 BrigadasCarlos Rodrigues 07-05-2008 11:54
A hora é esta, nada de lamentações, nada de protestos em frente o planalto, nada de protestos em frente o consulado dos EEUU, Nada de carta aberta a população, nada de greve de fome, nada nadinha.
Esta é a hora de prepararmos para a organização de brigadas internacionais não só para ajudar a Bolívia, mais em defesa de toa a América Latina.
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