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Escrito por Frei Betto   
Segunda, 05 de Maio de 2008
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O Consenso de Washington, peça conspiratória do imperialismo, pretendeu assegurar seu espaço hegemônico na América Latina ao substituir ditaduras militares por governos neoliberais. Presidentes latino-americanos, filhos do matrimônio político entre Ronald Reagan e Margareth Thatcher, acolitados pelos Chicago boys, trataram de sucatear o patrimônio nacional, através de privatizações irresponsáveis e desregulamentação das leis trabalhistas, para tornar suas respectivas nações "casa da mãe joana" do capital transnacional.

 

Exemplos de subserviência aos interesses da Casa Branca e solene desprezo aos direitos elementares dos pobres foram os presidentes Collor, no Brasil; Menem, na Argentina; Fujimori, no Peru; Arias, na Costa Rica; Perez, na Venezuela; e Salinas no México.

 

O Consenso de Washington serviu para fomentar privatizações e promover a mais deslavada corrupção. E deixou como legado uma assombrosa dívida externa, inflação acelerada, desemprego, sucateamento da indústria nacional e concentração progressiva da propriedade da terra, além de deslocar o capital da esfera produtiva para a especulativa.

 

Agora surge, em reação, um novo consenso na América do Sul, que denomino ConsenSul - o consenso dos países governados por partidos e presidentes comprometidos com a redução das desigualdades sociais. Este é o terceiro ciclo de um processo iniciado no Continente há cerca de 40 anos. O primeiro, as ditaduras militares; o segundo, os governos neoliberais; agora, a primavera democrática consubstanciada na eleição de governantes que representam o repúdio, tanto do ciclo ditatorial, quanto daquele que aplaudia o Nafta, apoiava a invasão do Iraque pelo Bush pai e sonhava com a Alca proposta por Clinton enquanto cuidava do féretro do Mercosul.

 

As vitórias de Chávez na Venezuela, Kirchner da Argentina, Lula no Brasil, Morales na Bolívia, Vázquez no Uruguai, Correa no Equador, Ortega na Nicarágua e, agora, Lugo no Paraguai, somadas à retificação cubana, desenham uma nova geopolítica continental capaz de neutralizar a ingerência dos EUA na América Latina. É verdade que alguns governos não têm sido, na prática, coerentes com suas promessas eleitorais. Uns, por não promoverem reformas substanciais, como é o caso das estruturas fundiárias – até agora intocáveis – no Brasil e na Argentina. Outros, por ameaçarem romper o ConsenSul para firmar, unilateralmente, acordo de livre comércio com os EUA.

 

Ainda que perdurem contradições e impasses, a América Latina jamais conheceu, em toda a sua história republicana, período tão democrático como o atual. Estamos distantes ainda da democracia participativa, a que conjuga o sufrágio universal com a garantia de acesso, de toda a população, aos direitos econômicos e sociais elementares. Todos votam, mas muitos padecem fome; todos têm direito à educação, mas muitas crianças e jovens estão fora da escola; todos têm direito à saúde, mas poucos logram preservá-la pela via privilegiada dos planos de medicina privada.

 

A novidade é que os países do ConsenSul empenham-se no combate à miséria e à inflação; evitam criminalizar os movimentos sociais; multiplicam mecanismos de consulta popular; resgatam o papel do Estado como indutor do desenvolvimento social e econômico. Na política externa, reforçam os blocos hegemônicos – Mercosul e Alba; buscam corrigir suas relações assimétricas (Bolívia com o fornecimento de gás e Paraguai, de água); abrem-se ao eixo África do Sul, Índia e China; reatam os vínculos com os mundos africano e árabe, diluindo o peso da hegemonia anglo-saxônica.

 

O desafio, agora, é dar continuidade a este processo. Se Obama se tornar presidente dos EUA isso pode ser uma notícia promissora, sobretudo no que concerne ao bloqueio dos EUA a Cuba. E é preciso evitar que, no interior de cada nação bafejada pela primavera democrática, seus governantes cedam à tentação de neocaudilhismo, ou seja, confiantes no próprio carisma, estabeleçam canais de contato direto com os pobres (a maioria da população), prescindindo da mediação de partidos e movimentos sociais.

 

Aqui mora o perigo. Sem partidos consistentes e representativos, dotados de projeto histórico e rigor ético, e sem empoderamento popular, via valorização do protagonismo de movimentos sociais, o ConsenSul corre o risco de ficar na história como algo que poderia ter sido e não foi. Assim como a Comuna de Paris, na França, e o comunitarismo de Antonio Conselheiro em Canudos, Brasil, ambas no século XIX.

 

Há que regar as flores dessa primavera e arrancar o quanto antes a erva daninha, para que ela produza, em abundância, frutos de justiça e liberdade.

 

Frei Betto é escritor, autor de "Calendário do poder" (Rocco), entre outros livros.

 

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