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Criação de falsos inimigos e manipulação da mídia ancoram ‘popularidade’ de Uribe Imprimir E-mail
Escrito por Pietro Lora Alarcón   
Terça, 29 de Abril de 2008
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A Corte Suprema da Justiça da Colômbia abriu uma investigação preliminar contra a presidenta do Congresso, e com ela já são 50 os investigados e ainda 28 presos do legislativo colombiano por ligações dos membros dos partidos que respaldaram o presidente Uribe com os grupos paramilitares ou esquadrões da morte. São acusados do desaparecimento, dos atentados e dos assassinatos de mais de 3000 pessoas, dentre sindicalistas, membros da oposição, estudantes e, em geral, militantes do movimento social colombiano.

 

Mal se recuperava a Colômbia da notícia quando se produz um novo fato: a detenção do primo do presidente, o senhor Mario Uribe, por seus vínculos também com o paramilitarismo. Horas mais tarde, o próprio presidente, antecipando-se a qualquer jornal, anunciou que foi acusado, como consta em uma investigação, pelo sr. Salvatore Mancuso, reconhecido chefe paramilitar, de participar dos preparativos de uma chacina realizada no município de El Aro, departamento de Antioquia, em 1997, que deixou um saldo de 15 camponeses mortos e a queima de seus lares e bens. Sobre o assunto e seus pormenores, consta o depoimento de outra pessoa, um ex-paramilitar, que também acusa o presidente e a seu irmão Santiago. Vale ler a recente edição em castelhano do The New Herald, facilmente acessível pelo http://www.elnuevoherald.com/noticias/america_latina/story/196621.html, que outorga um destaque à notícia.

 

Não adianta pretender esconder o sol com a peneira. A verdade é que as implicações da presidência da República com o paramilitarismo e o narcotráfico são cada vez mais evidentes. Quando o presidente tentou enquadrar a Corte Suprema, o presidente desse Tribunal respondeu energicamente que a Corte realiza seu trabalho, aplicando o Direito aos casos concretos que lhe são postos para decidir, com independência e imparcialidade.

 

Segundo alguns porta-vozes dos partidos políticos que apóiam Uribe e a própria presidenta do Congresso, tudo não passa de uma conflagração contra ela e Uribe, que provém da senadora Piedad Córdoba. Como se sabe, a senadora, membro do Polo Democrático, a força política de oposição mais importante do país, foi a que, junto ao presidente Chávez, diligenciou no mês de janeiro a saída dos três primeiros libertados pela insurgência.

 

Não parece plausível a versão de uma conflagração, ainda que, no entanto, 95% dos investigados e 80% dos presos sejam apoiadores furibundos do presidente. O que sim parece, e é lamentável, é reconhecer que os votos desses congressistas foram os que ajudaram a eleger o presidente Uribe, de forma que do Congresso, por tabela, é fácil ir à presidência, observando que esta, obviamente, expressa uma ilegitimidade evidente. Assim as coisas, o problema não consiste em analisar quantos votos Uribe recebeu, mas em como os recebeu, de quem os recebeu, financiados por quem e, ainda, em que condições votaram as pessoas no país, especialmente nas regiões mais azotadas pelo paramilitarismo.

 

Diante de tamanha situação, não obstante há pesquisas que expressam – e também comprovam o monopólio da opinião pública - que Uribe tem um altíssimo índice de aprovação no país.

 

Para não sermos tão ligeiros na análise dos dados e das estatísticas, vale a pena lembrar alguns elementos do contexto colombiano, dois deles determinantes. O primeiro é que, obviamente, Uribe lucrou com o desprestígio e a precariedade do processo de paz do presidente anterior, Andrés Pastrana. A frustração nacional foi enorme e sobre ela cavalgou a campanha de Uribe, manifestando que, se não era mais possível o diálogo, a única via era a saída militar. Na desafortunada iniciativa, para além da debilidade de Pastrana, a presença dos Estados Unidos foi determinante, pois, enquanto o então presidente negociava, recebia simultaneamente os recursos do nefasto Plano Colômbia. Os diálogos - para os quais, diga-se de passagem, não houve um cessar fogo, senão que se negociava no meio do fogo cruzado, ainda que com a desmilitarização de uma região do país – não foram adiante precisamente pela inconsistência do governo e as constantes pressões para iniciar, com os recursos do Plano, uma ação mais decidida contra o movimento insurgente, mas também contra o movimento popular. Por isso, depois de Pastrana, os Estados Unidos descaradamente falavam que a Colômbia precisava de mão dura, vale dizer, Uribe, um presidente comprometido com um programa de guerra e a militarização da vida nacional.

 

A segunda questão é que Uribe conta com o maior apoio midiático que presidente algum já teve e, ao longo de seu mandato, utiliza a tática de criar supostos inimigos, que estariam urdindo planos para deixar que a Colômbia se afunde na violência e no terrorismo, alguns por tolerância, como o presidente Correia, e outros por compromisso, como o presidente Chávez. Enquanto exige que outros sejam menos indiferentes, como a opinião que se tem com relação ao Brasil, a quem se lhe objeta que não ajude de forma decidida na firme cruzada do governo colombiano contra o terrorismo, com apoio norte-americano.

 

Criando inimigos, promove-se uma unidade nacional com toda sorte de artimanhas da grande imprensa, especialmente do El Tiempo, que é, por sinal, o jornal da família do vice-presidente Francisco Santos e do primo do vice-presidente, que, tão só para dizer alguma coisa, exerce o cargo de ministro da Defesa, senhor Juan Manuel Santos. Obviamente se trata de um jornal que tem uma imparcialidade que não deixa margem a dúvidas.

 

Em todo caso, Uribe é sistematicamente apresentado como um cavaleiro solitário ou o herói do futuro contra os terroristas. Por isso, sobre estatísticas, como alguém alguma vez falou, existem dois tipos de mentiras, as primeiras as propriamente ditas, e as segundas, precisamente, as estatísticas.

 

A ingenuidade de alguns com relação à imagem do presidente é tão suspeita quanto vergonhosa, porque na Colômbia o problema é de muito maior calado e a manipulação da opinião pública não pode, a estas alturas, esconder o que aparece a olhos vista.

 

Também não é possível concordar com a tese governamental de que Uribe acabou com o paramilitarismo. Este parece estar em fase de reciclagem, como o corrobora a presença das Aguilas Negras, um novo grupo de assassinos que age impunemente. A tentativa de assassinato de Jorge Gamboa, presidente da União Sindical Obreira, confirma que, apesar da imagem que quer passar o presidente Uribe, não é verdade que se acabaram os esquadrões da morte.

 

Os fatos ratificam o que acontece em um país onde existem verdades que circulam, mas que são altamente perigosas se ditas em público, ou como um jornalista já faz alguns anos manifestou, "onde há coisas que todo mundo sabe, que todo mundo sabe que todo mundo sabe, mas que todo mundo sabe que ninguém pode saber".

 

O certo é que na Colômbia a natureza do atual governo fica cada vez mais escancarada. Há que respaldar o papel da Corte Suprema, que, enquanto outros calam ou toleram o paramilitarismo patrocinado por sucessivos governos, acobertado por meios de comunicação e pela cúpula militar, demonstra que há reservas morais e democráticas para impulsionar saídas à grave crise pela que atravessa o país, gerando condições para uma saída negociada ao conflito social e armado. E diante de um mandato carente de legitimidade e, ainda, para não esquecer, diante do crime de responsabilidade que constitui transpor fronteiras e insistir em criar uma insegurança regional descabida, a renúncia de Uribe não deixa de ser apenas cogitável, mas necessária para um novo clima no cenário da América Latina.

 

Pietro Lora Alarcón é representante no Brasil do Comitê Permanente da Colômbia pela Defesa dos Direitos Humanos.

 

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Última atualização em Quarta, 30 de Abril de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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