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Irã: a ameaça de uma guerra nuclear Imprimir E-mail
Escrito por Gen. Leonid Ivashov   
Qui, 19 de Abril de 2007
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Os EUA e os seus aliados iniciaram a preparação psicológica da opinião pública mundial para a possibilidade de usar armas nucleares táticas na solução do "problema iraniano". A máquina de propaganda dos EUA está trabalhando a todo o vapor no sentido de criar a idéia de que é possível usar armas nucleares com "precisão cirúrgica", limitando as consequências. Porém, desde os ataques nucleares dos EUA em 1945 sobre Hiroshima e Nagasaki, sabemos serem falsas tais afirmações.


Após o primeiro ataque nuclear, será completamente impossível impedir o uso de todos os meios de destruição maciça que estejam disponíveis. Numa situação de extermínio total das suas nações, os oponentes recorrerão sem limitações a todos os meios que possuírem. Então, não serão apenas os arsenais nucleares de vários países, incluindo daqueles cujo estatuto nuclear não é oficialmente reconhecido, que entrarão em jogo. Sem duvida que, em tais circunstâncias, será usada a guerra química e biológica (e, de uma forma geral, qualquer substância venenosa), que para ser alimentada requer poucos recursos industriais e econômicos.


Atualmente, pode-se afirmar que a paz e a espécie humana correm um enorme perigo.


Consideremos os aspectos técnico-militares da situação. Na realidade, o objetivo da operação declarado pelos EUA – destruir cerca de 1.500 alvos no território do Irã – já não pode ser realizado pelas forças adstritas à missão. Este objetivo só será possível atingir se forem usadas munições nucleares táticas.


Um exame do aspecto político-militar deste assunto revela fatos ainda mais significativos. O ataque ao Irã não está planejado para incluir uma ofensiva terrestre. Os ataques a instalações militares e industriais selecionadas podem causar uma severa destruição ao potencial de defesa iraniano e à sua economia. As baixas serão provavelmente enormes mas não catastróficas do ponto de vista militar. Ao mesmo tempo, não é possível obter o controle de um território tão imenso como o do Irã sem uma operação terrestre. A ofensiva planejada não só requererá uma consolidação de forças no Irã, como noutros países muçulmanos e um pouco por todo o mundo. O apoio ao país agredido desencadeado pelo seu sofrimento e motivado pela agressão americano-israelense será enorme. Certamente Washington não está à espera de que o resultado dessa operação seja o fortalecimento, mas sim a perda da posição política dos EUA no mundo. Por conseguinte, o objetivo do ataque dos EUA ao Irã terá de ser analisado numa outra vertente. A ofensiva nuclear deverá impulsionar o uso da chantagem nuclear nas políticas globais pelo EUA, mas fundamentalmente servirá para transformar a ordem mundial.


Existem ainda mais evidências da radicalização dos objetivos dos EUA e dos seus aliados. As fugas de informação nos inícios de 2007, que desmascararam os planos de Israel de usar três bombas nucleares contra o Irã, são bastante perigosas para um país rodeado por um ambiente hostil, mas houve certamente uma intenção deliberada nessas fugas. Eles quiseram dar a conhecer que a decisão de Israel, acerca da forma como iria atuar num tal conflito, já tinha sido tomada, e tudo o que resta fazer seria influenciar adequadamente a opinião pública.


O pretexto para a operação contra o Irã não parece ser sério. Avaliando do ponto de vista técnico e político, não existe qualquer possibilidade por parte do Irã de desenvolver armas nucleares num futuro próximo.


Não nos devemos esquecer das alegações feitas pelos EUA, de que o Iraque possuía armas de destruição maciça, serviram como pretexto para a guerra contra aquele país. Em resultado disso o Iraque foi devastado, e o número de mortes civis atingiu as centenas de milhares sem que qualquer evidência que sustentasse tais alegações tenha sido descoberta.


A questão realmente importante a colocar é a de saber se o Irã tem capacidade para fabricar armas nucleares. A única função dos pequenos arsenais nucleares, que não sejam enquadrados por estruturas que os suportem, é precisamente a da dissuasão. A ameaça de desferir um ataque de retaliação pode deter qualquer agressor. Da mesma forma que atacar outros países e vencer uma guerra nuclear, numa situação de conflito com uma coligação constituída pelas principais potências, requereria igualmente um potencial que o Irã não tem nem está na situação de vir a ter num futuro previsível. As alegações de que o Irã pode tornar-se num agressor nuclear são absurdas. Qualquer um que disponha do mínimo de conhecimentos teóricos de assuntos militares consegue entender isto.


Qual então a principal razão que levou os EUA a preparar este conflito militar?


As atividades, tendo consequências de proporções globais, só podem ser destinadas a tratar de um problema global. Não há qualquer segredo quanto a este problema – é a possibilidade de um crash do sistema financeiro global baseado no dólar norte-americano. Atualmente a massa da divisa americana excede o valor total dos ativos dos EUA numa proporção superior a dez. Tudo nos EUA – a indústria, os edifícios, a alta tecnologia, e assim por diante – foi hipotecado mais de dez vezes ao resto do mundo. Uma dívida de tais proporções nunca será reembolsada – só pode ser aliviada.


A quantidade total de dólares em contas de indivíduos, organizações e tesourarias estatais são uma realidade virtual. Estes valores não são garantidos por produtos, por objetos de valor ou por qualquer coisa que exista na realidade.


A anulação deste endividamento dos EUA ao resto do mundo tornaria a maioria da população mundial em depositantes enganados. Seria o fim da regra bem-estabelecida do bezerro dourado. O significado dos próximos eventos será verdadeiramente épico, e isto porque o agressor ignorará as consequências catastróficas globais de sua ofensiva. Os "banqueiros globais" em bancarrota precisam de um evento forte e de proporções globais para escaparem à situação em que se encontram.


A solução já está estabelecida nos planos. Os EUA não têm nada para oferecer ao resto do mundo que compense o declínio do dólar, exceto operações militares como as da Iugoslávia, do Afeganistão e do Iraque. Mas mesmo estes conflitos locais só têm efeitos a curto prazo. Será necessário algo muito maior, e a necessidade é urgente. Está cada vez mais próximo o momento em que a crise financeira global fará com que o mundo entenda que os ativos dos EUA, isto é, toda a sua indústria, a sua tecnologia, e outras potencialidades, de fato não pertencem legalmente ao país. Então tudo deve ser confiscado para compensar as vítimas, e os direitos de propriedade sobre tudo o que foi adquirido com dólares no mundo todo – retirado da riqueza das várias nações – terão de ser revistos.


Qual poderá provocar o grande acontecimento na escala requerida? Tudo parece indicar que Israel será sacrificado. O seu envolvimento na guerra contra o Irã – especialmente numa guerra nuclear – está destinado a desencadear uma catástrofe global. Os fundamentos de Israel e do Irã assentam nas religiões oficiais dos respectivos países. Um conflito militar entre Israel e Irã evoluirá imediatamente para um conflito religioso, um conflito entre o judaísmo e o Islã. Devido à presença de numerosas populações judaicas e muçulmanas nos países desenvolvidos, tornaria inevitável o banho de sangue global. Todas as forças ativas da maioria dos países do mundo acabariam por lutar entre si, sem espaço para a neutralidade. A julgar pelas aquisições, cada vez maiores, de habitação por parte de cidadãos israelenses especialmente na Rússia e na Ucrânia, muitas pessoas já têm uma idéia do que nos pode trazer o futuro. Porém, é difícil imaginar um lugar tranqüilo onde alguém se possa refugiar de tamanha destruição. Previsões da distribuição territorial do combate, das quantidades e da eficiência dos armamentos envolvidos, do caráter profundo das raízes subjacentes do conflito, e da gravidade da briga religiosa não nos deixam dúvidas que este confronto será, em todos os aspectos, muito mais apavorante do que a Segunda Guerra Mundial.


Até agora, a resposta dos principais atores políticos mundiais a estes desenvolvimentos não causa otimismo. As inconseqüentes resoluções da ONU referentes ao Irã, as tentativas de apaziguar o agressor que já não disfarça as suas intenções, lembram o Pacto de Munique nas vésperas da Segunda Guerra Mundial. O intenso vai-e-vem diplomático focalizando todo o tipo de problemas internacionais, exceto o principal discutido acima, é também um indicador da gravidade do problema. Isto é uma prática usual em vésperas de uma guerra, destinando-se a arranjar alianças com países terceiros, ou assegurar a sua neutralidade. Tais políticas procuram evitar ou minorar os resultados dos primeiros ataques, que seriam os mais súbitos e devastadores.


É possível prevenir a matança?


O único argumento eficaz que poderia travar os agressores é a ameaça do seu total isolamento global por instigar uma guerra nuclear. A implementação do cenário descrito acima pode ser tornado impossível através de uma completa ausência de aliados para o duo americano-israelense, combinado com protestos públicos ruidosos por todos os países. Portanto, nestes dias, uma definida e firme posicionamento de líderes de países, governos, políticos, figuras públicas, líderes religiosos, cientistas e artistas em relação à agressão nuclear preparada seria um serviço inestimável para a humanidade.


As atividades públicas coordenadas devem ser organizadas com a prontidão adequada ao tempo de preparação da guerra. As forças de agressão têm vindo a ser acumuladas e concentradas nas posições de ataque, num estado de plena prontidão para o combate. Os responsáveis militares dos EUA não fazem segredo de que pode ser tudo uma questão de semanas ou mesmo de dias. Há indicações indiretas de que os EUA lançarão um ataque nuclear ao Irã já em abril de 2007. Após a primeira explosão nuclear, a espécie humana encontrar-se-á num mundo inteiramente novo, um mundo absolutamente desumano. As possibilidades de impedir este desenlace devem ser completamente utilizadas.



Gen. Leonid Ivashov é vice-presidente da Academia de Assuntos Geopolíticos. Foi chefe do departamento de Assuntos Gerais no Ministério de Defesa da União Soviética, secretário do conselho de ministros da Defesa da Comunidade de Estados Independentes (CEI), chefe do departamento de Cooperação Militar do Ministério de Defesa da Federação Russa e chefe de Junta de Pessoal dos exércitos russos.

 

Publicado originalmente pelo Global Research (www.globalresearch.ca).

 

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Última atualização em Qui, 19 de Abril de 2007
 

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