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Tréplica ao ex-ministro José Dirceu Imprimir E-mail
Escrito por Altamiro Borges   
Quarta, 18 de Abril de 2007
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Em artigo no seu blog nesta sexta-feira, 13, o ex-ministro José Dirceu polemiza com um texto publicado no Vermelho, intitulado “os temores exagerados de José Dirceu”, que analisa os resultados do Encontro Nacional Contra as Reformas Neoliberais, realizado no final de março em São Paulo. O artigo é bastante respeitoso e estabelece uma polêmica de alto nível. Bem diferente da opinião divulgada no mesmo dia no blog do PSTU, sintomaticamente batizado de Molotov, que pegou carona na polêmica para atacar os dois debatedores de forma adjetivada e agressiva. O PSTU não consegue mesmo conter o seu instinto sectário.

 

“Agenda inexistente e projetos fantasmas”

 

“O jornalista Altamiro Borges, integrante do Comitê Central do PCdoB, cujos textos sempre acompanho com atenção e respeito, escreveu um artigo, publicado no Vermelho, onde critica algumas considerações que fiz sobre a participação do PCdoB e do MST no Encontro Nacional contra as Reformas Neoliberais. Quero fazer uma fraterna e respeitosa réplica às suas opiniões”, justifica José Dirceu. Com argumentos consistentes, ele reafirma que “tenho motivos de sobra para me preocupar com o evento. Pelo fato inédito de o MST e de a Corrente Sindical Classista dele participarem, ainda que na condição de observadores”.

 

Para o ex-ministro, este temido encontro foi organizado pelo PSTU e PSOL, “que pautam sua intervenção pelo antagonismo à administração federal, muitas vezes ombro-a-ombro com as correntes mais reacionárias da oligarquia”. Numa forçada de barra, a não ser que tenha informações seguras sobre novas conspirações da CIA e sobre a iminência de um golpe no Brasil, ele chega a citar outros movimentos que ajudaram a desestabilizar governos progressistas – como o dos marinheiros liderados pelo cabo Anselmo nas vésperas da derrubada de João Goulart e da greve dos mineiros chilenos contra Salvador Allende.

 

Mesmo realçando que “tenho pleno acordo de que é necessário intensificar a pressão social como um dos vetores fundamentais para disputar os rumos do governo” e que “o MST e a CSC, entre outros grupos e correntes que participaram desse encontro, têm legitimidade suficiente” para isso, José Dirceu insiste na tese de que o evento foi “pautado por uma agenda inexistente, contra projetos fantasmas ou idéias apenas especuladas em certos círculos... Provavelmente, porque seus organizadores preferem encontrar, mesmo à custa de invenções, temas que provoquem a contradição entre o povo e o presidente, ao invés de fincar trincheira nas batalhas que aprofundem o evidente choque entre o governo e as oligarquias (sic)”.

 

Perguntas que não podem calar

 

Dirceu encerra seu artigo cutucando: “A quem serve essa política? A quem interessa ver o MST e a CSC associados a essa lógica? São perguntas que não podem calar, diria o saudoso camarada João Amazonas”. Realmente, há muitas questões que exigem respostas mais aprofundadas e menos apaixonadas. Apresento algumas para uma reflexão fraterna e madura. Em primeiro lugar, o encontro citado, que reuniu cerca de 6 mil lutadores sociais, não contou apenas com a reduzida militância do PSTU e PSOL. Ele atraiu centenas de ativistas das enraizadas pastorais sociais da igreja, de sindicalistas independentes e até de dirigentes de confederações nacionais de trabalhadores – que, no passado, o PSTU acusava de “pelegos e traidores”.

 

Muitos destes lutadores sociais, inclusive das correntes menos sectárias do PSOL, ajudaram a eleger Lula no segundo turno. Não caíram na armadilha do “quanto pior, melhor” e foram às ruas para evitar o perigo do retrocesso da direita. Mesmo descontentes com os rumos do governo, até hoje não abraçaram o slogan aventureiro do “fora Lula” – que o próprio PSTU arquivou. Se isto é real, a surpreendente participação no encontro refletiu a justa preocupação com o segundo mandato do presidente Lula e a forte disposição de interferir na disputa política em curso. Entre outros méritos, a experiência do primeiro mandato revelou que a passividade acrítica desarma os trabalhadores e não contribui, sequer, para impulsionar o governo.

 

É visível nos movimentos sociais, inclusive na CUT, a desconfiança com os rumos do segundo mandato em decorrência da ausência de projetos mais ousados de enfrentamento dos graves problemas estruturais do país e de suas alianças mais à direita. Por acaso, participei neste início de abril das reuniões da direção nacional do MST, que contou também com as contribuições de Artur Araújo, lúcido intelectual orgânico do PT, e do conselho deliberativo da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Em ambas, apesar de suas diferenças táticas, aflorou a insatisfação com as primeiras medidas do governo e a determinação de intensificar a pressão social. Os movimentos sociais já perceberam que “a disputa de rumos do governo”, como propõe o ex-ministro, não se fará apenas nos corredores do Palácio do Planalto.

 

Choque entre governo e oligarquias?

 

Em segundo lugar, é temerário dizer que os participantes do encontro lutam “contra projetos fantasmas” e que não percebem o “evidente choque entre governo e oligarquias”. É preciso cuidado para não queimar a língua. Não há nada de “invenção” nas propostas, inclusive de expoentes do governo, da nova reforma da Previdência Social, como o aumento da idade mínima da aposentadoria e o reforço dos fundos privados. Nem na proposta, defendida pelo ministro Paulo Bernardo, principal herdeiro do paloccismo no governo, de restrição ao direito de greve dos servidores públicos e dos trabalhadores dos serviços essenciais.

 

Quanto ao “choque entre governo e oligarquias”, ele não é tão “evidente” assim. A principal oligarquia, a dos banqueiros, não tem o que reclamar do presidente Lula. Ela continua batendo recordes de lucros. Nem sequer o PAC tocou nos seus interesses, mantendo os juros obscenos e o criminoso superávit primário. O Banco Central mantém-se como uma fortaleza do capital financeiro. Outra oligarquia, a do agronegócio, é endeusada como “herói” pelo presidente. Na prática, o governo persiste no caminho da conciliação, do “lulinha paz e amor”, achando que é possível fazer omelete sem quebrar ovos. A ausência de um projeto mais nítido de mudanças e de maior ousadia política é o que gera a desconfiança dos movimentos sociais.

 

Superar a passividade acrítica

 

Por último, é procedente a crítica de José Dirceu aos esquerdistas que elegeram o presidente Lula como o principal inimigo dos trabalhadores. Presos ao principismo sectário, eles não levam em conta a correlação de forças e fazem leituras chapadas sobre a natureza híbrida do governo. Mas também seria positivo que o ex-ministro criticasse o extremo oposto, os que adotam a passividade bovina. Há um certo clima de oba-oba, de triunfalismo com os resultados das últimas eleições, que pode ferir a autonomia dos movimentos sociais e mesmo dos partidos de esquerda, abrandar a justa pressão social e rebaixar seu talento político.

 

Por seus discursos, parece que o presidente se acha um predestinado e que o Brasil está às mil maravilhas. Mas não é bem isso que revelam os índices de desemprego, de baixos salários, de exclusão da terra e de violência urbana, entre outras chagas. Essa conduta ufanista pode ser fatal, inclusive quando não dá mais para se referenciar na herança maldita de FHC e não se dispõe mais de sua figura carismática na sucessão de 2010. Já no PT, alguns setores parece que se julgam absolvidos pelas urnas, o que faz ressurgir certas práticas hegemonistas, de rolo compressor, que causaram tantos danos no primeiro mandato. Ao mesmo tempo em que se condena o voluntarismo esquerdista, é necessário criticar também a passividade acrítica.

 

 

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).

 

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Última atualização em Qui, 19 de Abril de 2007
 

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