topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Queremismo da “estadania” Imprimir E-mail
Escrito por Léo Lince   
Qui, 10 de Abril de 2008
Recomendar

 

A supremacia absoluta da pequena política é a marca mais forte do atual momento brasileiro. Tudo que é feio e torto se articula no prisma do interesse puro para garantir a reprodução do continuísmo conservador e, ao mesmo tempo, revitalizar as práticas mais perversas e recorrentes na pior tradição da nossa velha política.

 

O mês de abril mal começou e já exibe uma fartura de acontecimentos de suspeitosa feição. Cada qual, em separado, já configura um escândalo. Juntos, então, nem se fala. O cidadão, espantado, observa a seqüência vertiginosa e se indaga sobre o sentido no nexo tenebroso que articula o conjunto.

 

Em discurso para os integrantes do enigmático Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o presidente voltou a falar na urgência da reforma política. O projeto que tramitava no parlamento - todos sabem - foi enterrado pelo acordo entre os tucanos e a base governista. Agora, no entanto, ninguém perguntou, nem o assunto estava na pauta, mas o presidente, para surpresa dos potentados da economia e dos intelectuais orgânicos do situacionismo que compõem o Conselho, enfatizou a prioridade da "mãe de todas as reformas". Estranho.

 

No dia seguinte, outro grupamento informal e igualmente poderoso fez festa para ouvir o presidente, desta vez no Salão Leste do Planalto. Estavam lá os titulares do Ministério do Trabalho e a alta cúpula do sindicalismo oficial "amarelo-ouro". Comemoravam o que foi denominado com propriedade de "pelegalização" das centrais sindicais e, com particular euforia, o veto presidencial ao dispositivo que mandava prestar contas ao poder público da grana grossa do imposto sindical. A gratidão eterna dos beneficiados foi saudada em tom de ameaça: "vão ter que nos aturar durante muito tempo".

 

Nos ventos do mesmo clima, a segunda autoridade do poder federal empinou o balão do terceiro mandato. O vice José Alencar, de forma espontânea e sem ser questionado sobre o assunto, usou o seu melhor sotaque de mineiro bonachão para espalhar nas ondas do rádio: "o que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder". De lá para cá, o cordão dos queremistas cada vez aumenta mais. A governadora do Pará, que no pré-Barbalho operava na esquerda do PT, o prefeito do Recife, que antes levitava nas tradições libertárias de sua cidade, puxaram o cordão para o plano estadual e municipal. O deputado Devanir, colega de copo do presidente desde os tempos do sindicalismo e pioneiro da proposta, já providenciou a emenda que abre caminhos institucionais para a aprovação da mudança.

 

O presidente, como no caso do mensalão, faz cara de paisagem. Está cansado de eleições, mas sapateia nos palanques. Intuitivo, pragmático do poder e empirista radical, ele aguarda o resultado dos movimentos que desencadeia. A rigor, ele não sabe de nada. E se reserva o direito de aceitar docemente constrangido ou rechaçar com furor democrático, dependendo da correlação de forças. Como o santo de bordel, ele paira acima das bandalheiras que lhe sustentam o andor. Infelizmente, como diz o filósofo, em tempos de ocaso os anões projetam sombra de gigantes.

 

A "estadania" é o simulacro de cidadania, regulada e acionada pela máquina do Estado e pelas máquinas eleitorais acoitadas nele, sempre com o apoio dos pontos fortes da economia. Os que operam a política como mera emanação do Estado estão por trás do magote de iniciativas que ocupa o início deste abril despedaçado. Podem até prosperar, mas a natureza do movimento está definida na origem: é o queremismo da "estadania".

 

Léo Lince é sociólogo.

 

Recomendar
Última atualização em Qui, 10 de Abril de 2008
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates